O meu amigo Carlos Almeida

É um daqueles lisboetas sem peneiras de quem é tão fácil gostar. Mesmo sabendo que de vez em quando lhe assalta a mania de fotografar aviões. Paixões não se discutem, já se sabe, e por essa razão ficamos também nós presos a este homem com uns olhos esverdeados, que conseguem capturar beleza quando espreitam por uma lente.

Carlos Almeida já é nosso. Por sua culpa. Foi ele quem quis fugir da cidade grande para virar uma página de vida e instalar-se no Algarve. Por cá tem feito amigos e registado milhares de momentos, a maioria em cenários desportivos (de preferência competições motorizadas), como repórter fotográfico para vários títulos de informação. É no entanto um trágico capítulo da história nacional, aquele que guarda como momento inesquecível da carreira:

“A experiência fotográfica que mais me marcou foi o incêndio do Chiado, em Lisboa, no dia 25 de agosto de 1988, ao serviço do Correio da Manhã, jornal onde trabalhei durante oito anos. Foram mais de nove horas a fotografar uma parte da minha cidade a ser destruída pelas chamas. Jamais esquecerei aquele dia”.

Tenho o privilégio de partilhar com o Carlos duas partes da sua existência. A amizade e o trabalho jornalístico. Mas não é por isso que o convidei para inaugurar, com a mostra ‘Momentos’, a galeria de exposições mensais no Mal Dito Algarve.

A verdade é que, por detrás de uma personalidade vincada em parte pela teimosia, descobrimos um ser humano capaz de nos corromper as emoções. Por gostar do mar, que o atraiu até ao Sul. Ou pelo sonho que acalenta. Belo como todos os sonhos: viajar de moto pelos quatro cantos do mundo, registando em biliões de píxeis as aventuras fotográficas que há-de reproduzir em livro um dia mais tarde.

O Carlos Almeida prega-nos estas partidas: humedece-nos os olhos com uma certa inocência de menino em corpo de homem, quando nos faz acreditar que o impossível é possível.

Acredito em ti amigo. E muito obrigada por estares aqui comigo, nestas nove belas fotos que animam o Mal Dito Algarve enquanto, vamos lá ser poéticos, “o mundo pula e avança/como bola colorida/entre as mãos de uma criança”. Seremos sempre assim, tu e eu: deux enfants terribles. Até ao fim!

Por esse Alentejo afora ou só até ali à Zambujeira do Mar

Odeie-se o Alentejo! A fronteira que nos remete ad aeternum para este rodapé de terra que, embora belo e há muito mais tempo mais internacional do que qualquer outro pedaço do País, há-de continuar a pecar pelo isolamento nas agendas públicas.

Mas como odiar o Alentejo? Seja qual for a rota escolhida, mal passamos a linha que nos separa destas terras bucólicas, parece que entrámos num cenário encantado.

Desanuviar, para muitos algarvios, significa ir dar uma volta ao Alentejo. Junto à costa ou pelos caminhos cercados de planícies que se mudam constantemente do verde para o dourado, há de quase tudo para se fazer: relaxar, comer, visitar o património, conhecer a história e os bons vinhos e…gostar dos alentejanos.

Zambujeira do Mar é uma daquelas terras por onde às vezes, até sem querer, acabamos por lá chegar. Aqui tudo se agiganta: o mar, a terra e o céu que nos parece sempre mais perto visto das falésias. Talvez por isso é destino irrecusável nos passeios pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.Zambujeira

Zambujeira2Há sempre uma desculpa para ir a Zambujeira do Mar. Come-se coisas apetitosas, apanha-se com o fresco das ondas assim que chegamos ao largo da capela Nossa Senhora do Mar e, embora muito semelhante ao que se encontra no resto do mundo, o artesanato à venda nas lojinhas da rua central tem um misticismo que nunca compreenderei. Apetece-me trazê-lo todo para casa. E era capaz de almoçar e jantar várias vezes seguidas nos restaurantes distribuídos pela zona pedonal, que nos seduzem com ementas gulosas e decorações já muito apelativas. Alguns são abrigados por paredes de vidro, tornando o calor quase insuportável, mas nem por isso nos desmoralizam.

De Inverno esta terra de Odemira é um caso sério de beleza, que esconde verdadeiros paraísos em praias como as de Alteirinhos, Nossa Senhora, Arquinha e Tonel. No verão, que entra hoje, empresta-nos a ideia de estarmos a conviver numa espécie de extensão de Cascais. Goste-se ou nem por isso, mesmo nos meses quentes é divertido.

E daqui a um mês e 11 dias começa o Festival do Sudoeste. O ambiente transforma-se e os arrabaldes da aldeia também. Não resisto. Gosto muito do Alentejo!

Como fazer um desodorizante caseiro que elimina odores e alergias

desnaturalO calor aperta. Como se já tivéssemos mergulhado no verão e nos seus belos dias de mar, de sol, de festas e de viagens que nos sabem sempre tão bem.

O verão desperta-nos esta vontade suplementar para viver, mas traz umas quantas coisinhas incómodas. Como a transpiração e às vezes um indisfarçável cheiro… a suor. Um problema? Sim, para quem tem a pele mais sensível e rejeita os desodorizantes à base de substâncias químicas, responsáveis por alergias nas axilas. Manchas vermelhas e ardor são os sintomas mais vulgares, que causam um sério desconforto. Mas é possível resolver.

A receita é simples e super económica. Para fazer o seu desodorizante natural só precisa de três ingredientes que provavelmente tem em casa: óleo de coco, bicarbonato de sódio e amido de milho (a nossa conhecida Maizena).

Tanto o óleo de coco como o bicarbonato de sódio são anti-bacterianos pelo que eliminam as bactérias responsáveis pelo odor desagradável, sem inibir a transpiração. Quanto ao amido de milho, ajuda a manter a pele menos húmida. O resultado é de uma permanente frescura e sem cheiro, já que o próprio aroma do óleo de coco desaparece ao fim de alguns minutos após a aplicação.

IMG_20170614_162415Junte 2 colheres de sopa de bicarbonato de sódio e 2 de amido de milho. Adicione 3 colheres de sopa de óleo de coco (não refinado) e misture bem até obter um creme. No início parece que não vai pegar, mas pega e em poucos minutos temos o nosso desodorizante natural. Pode juntar ainda três a cinco gotas de um óleo essencial. Coloque o creme num frasquinho de vidro com tampa e está pronto a usar. Aplique com os dedos. Nos dias mais quentes guarde no frigorífico, ou use um doseador, pois o óleo de coco derrete com o calor.

E agora faça-se ao verão. Sem complexos!

De barco até Ayamonte pelo doce rio Guadiana

O Algarve tem isto. Num saltinho deixa-nos ali em Espanha.

Desta vez o carro fica em Vila Real de Santo António e fazemos a travessia fluvial que, para além de rápida, oferece-nos a real sensação de estarmos a viajar para fora do nosso País.

Não podendo comparar-se a um verdadeiro cruzeiro, os 30 minutos de viagem até à outra margem do Guadiana são no entanto bastante aprazíveis e abrem-nos tempo e hipóteses ao convívio com passageiros de várias nacionalidades. Para além disso levam-nos a recordar a época em que os portugueses fintavam a guarda fronteiriça para salvar os caramelos, a fruta enlatada e muitas outras novidades que, embora por vezes de qualidade duvidosa, tinham rótulos diferentes e um sabor especial só porque vinham do estrangeiro e conferiam estatuto a quem conseguia trazê-los escondidas, sabe-se lá onde.

Ayamonte1Ir de carro é confortável, prático e de pouca inteligência se não aproveitarmos a oportunidade para atestar o depósito a preços que nos matam de inveja. Mas fazer a travessia até ao cais de Ayamonte e imaginar os tempos em que nenhum de nós pertencia à zona euro… bem, não é que crie uma emoção assim tão grande, mas tem um lado romântico nos nossos dias.

Nos tempos de agora, para quem não vai a Ayamonte fazer compras no Mercadona e gosta mesmo é de respirar os ares de Espanha e comer umas tapas valentes, a oferta está muito mais atraente. São várias as propostas desde a Plaza de La Laguna, passando pela rua Angustias (com a bonita Iglesia de Nuestra Senora de las Angustias) até à Plaza de la Coronácion. Aqui, de frente para a marina, encontramos a galardoada Casa Barberi, que celebra este ano um século de existência e destaca-se por dois requisitos essenciais a quem gosta de comer: a cozinha é excelente e a simpatia dos ‘velhos’ empregados também. As puntillitas e os boquerones são iguarias a experimentar e sabem sempre a fresco. Como a cerveja Cruz Campo: é boa quando geladinha.

AyamonteSe for ao dia de semana já sabe: tem de esperar pelas cinco da tarde até que o comércio tradicional volte a abrir. Mas pode aproveitar a siesta de nuestros hermanos para visitar o Museo de Munecas Antiguas ou o Ecomuseo Molino Mareal del Pintado.  Embora não integrem as maiores belezas da Andaluzia, são espaços culturalmente interessantes.

Por isso vão, divirtam-se e sintam-se bem nesta simpática cidade espanhola. Até porque, para além das lojas já muito mais modernas e inúmeras esplanadas soalheiras, Ayamonte deixa-nos à vontade para, lá mais para o fim do dia, querermos um bocadinho de silêncio nos ouvidos. É quando nos apetece voltar para casa. E temos sorte.  Portugal é logo ali.