Por esse Alentejo afora ou só até ali à Zambujeira do Mar

Odeie-se o Alentejo! A fronteira que nos remete ad aeternum para este rodapé de terra que, embora belo e há muito mais tempo mais internacional do que qualquer outro pedaço do País, há-de continuar a pecar pelo isolamento nas agendas públicas.

Mas como odiar o Alentejo? Seja qual for a rota escolhida, mal passamos a linha que nos separa destas terras bucólicas, parece que entrámos num cenário encantado.

Desanuviar, para muitos algarvios, significa ir dar uma volta ao Alentejo. Junto à costa ou pelos caminhos cercados de planícies que se mudam constantemente do verde para o dourado, há de quase tudo para se fazer: relaxar, comer, visitar o património, conhecer a história e os bons vinhos e…gostar dos alentejanos.

Zambujeira do Mar é uma daquelas terras por onde às vezes, até sem querer, acabamos por lá chegar. Aqui tudo se agiganta: o mar, a terra e o céu que nos parece sempre mais perto visto das falésias. Talvez por isso é destino irrecusável nos passeios pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.Zambujeira

Zambujeira2Há sempre uma desculpa para ir a Zambujeira do Mar. Come-se coisas apetitosas, apanha-se com o fresco das ondas assim que chegamos ao largo da capela Nossa Senhora do Mar e, embora muito semelhante ao que se encontra no resto do mundo, o artesanato à venda nas lojinhas da rua central tem um misticismo que nunca compreenderei. Apetece-me trazê-lo todo para casa. E era capaz de almoçar e jantar várias vezes seguidas nos restaurantes distribuídos pela zona pedonal, que nos seduzem com ementas gulosas e decorações já muito apelativas. Alguns são abrigados por paredes de vidro, tornando o calor quase insuportável, mas nem por isso nos desmoralizam.

De Inverno esta terra de Odemira é um caso sério de beleza, que esconde verdadeiros paraísos em praias como as de Alteirinhos, Nossa Senhora, Arquinha e Tonel. No verão, que entra hoje, empresta-nos a ideia de estarmos a conviver numa espécie de extensão de Cascais. Goste-se ou nem por isso, mesmo nos meses quentes é divertido.

E daqui a um mês e 11 dias começa o Festival do Sudoeste. O ambiente transforma-se e os arrabaldes da aldeia também. Não resisto. Gosto muito do Alentejo!

O melhor lugar de Faro para enchermos a barriga de mimos

É muito bom podermos escolher um restaurante sem ser apenas pela comida. Mesmo que à saída sejamos assaltad@s pelo arrependimento. Não por lá termos ido, mas por termos mais olhos do que barriga.

Tirando este inocente senão, tudo o resto são verdadeiros mimos que nos vão chegando à mesa. Nem todos empratados. Do casal Rosa e João recebemos mais do que tapas servidas à moda do Alentejo no que toca à quantidade. Só uma das variadas iguarias que nos chegam da cozinha serve perfeitamente de refeição, mas isto só é verdade para quem consegue sair sem encher aquele vazio de curiosidade mal satisfeita e experimentar mais das muitas propostas que nos estimulam o apetite.

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O ambiente descontraído, a simpatia oferecida nos sorrisos do João e da Rosa, o humor mal disfarçado do Rui, o teto acolhedor, as galinhas que nos espreitam dos quadros e a música em tom q.b., são suficientes para ignorarmos a dureza das cadeiras de madeira, as paredes um pouco despidas e a luz fria que até não cai tão mal assim quando estamos no verão. Meros pormenores quando o assunto é a comida do ‘Miminhos Caseiros’.

Podia falar muito dela, da comidinha, que sabe mesmo a caseira, mas deixo apenas uma espécie de couvert: choquinhos, bacalhau, carapaus e camarão são alguns dos protagonistas de um jantar bem animado no nº 6 da travessa Castilho. E uma dica importante: vão de barriga vazia e comecem pela tapa mais leve. Para poderem pedir mais, sem sentimentos de culpa.MC 1_1

Até setembro só abre à noite porque a isso o verão obriga. Mas com os dias frios chegam os almoços com sopas de grão e outras delícias de panela que nos fazem sentir realmente em casa. Os grupos são bem-vindos e quem vem de longe também. Até há quem abale de Lisboa já com mesa reservada, o que é ‘obrigatório’ entre quinta-feira e domingo. Ah, e não saia sem deixar um miminho. Pode ser só um sincero e merecido obrigad@.

De barco até Ayamonte pelo doce rio Guadiana

O Algarve tem isto. Num saltinho deixa-nos ali em Espanha.

Desta vez o carro fica em Vila Real de Santo António e fazemos a travessia fluvial que, para além de rápida, oferece-nos a real sensação de estarmos a viajar para fora do nosso País.

Não podendo comparar-se a um verdadeiro cruzeiro, os 30 minutos de viagem até à outra margem do Guadiana são no entanto bastante aprazíveis e abrem-nos tempo e hipóteses ao convívio com passageiros de várias nacionalidades. Para além disso levam-nos a recordar a época em que os portugueses fintavam a guarda fronteiriça para salvar os caramelos, a fruta enlatada e muitas outras novidades que, embora por vezes de qualidade duvidosa, tinham rótulos diferentes e um sabor especial só porque vinham do estrangeiro e conferiam estatuto a quem conseguia trazê-los escondidas, sabe-se lá onde.

Ayamonte1Ir de carro é confortável, prático e de pouca inteligência se não aproveitarmos a oportunidade para atestar o depósito a preços que nos matam de inveja. Mas fazer a travessia até ao cais de Ayamonte e imaginar os tempos em que nenhum de nós pertencia à zona euro… bem, não é que crie uma emoção assim tão grande, mas tem um lado romântico nos nossos dias.

Nos tempos de agora, para quem não vai a Ayamonte fazer compras no Mercadona e gosta mesmo é de respirar os ares de Espanha e comer umas tapas valentes, a oferta está muito mais atraente. São várias as propostas desde a Plaza de La Laguna, passando pela rua Angustias (com a bonita Iglesia de Nuestra Senora de las Angustias) até à Plaza de la Coronácion. Aqui, de frente para a marina, encontramos a galardoada Casa Barberi, que celebra este ano um século de existência e destaca-se por dois requisitos essenciais a quem gosta de comer: a cozinha é excelente e a simpatia dos ‘velhos’ empregados também. As puntillitas e os boquerones são iguarias a experimentar e sabem sempre a fresco. Como a cerveja Cruz Campo: é boa quando geladinha.

AyamonteSe for ao dia de semana já sabe: tem de esperar pelas cinco da tarde até que o comércio tradicional volte a abrir. Mas pode aproveitar a siesta de nuestros hermanos para visitar o Museo de Munecas Antiguas ou o Ecomuseo Molino Mareal del Pintado.  Embora não integrem as maiores belezas da Andaluzia, são espaços culturalmente interessantes.

Por isso vão, divirtam-se e sintam-se bem nesta simpática cidade espanhola. Até porque, para além das lojas já muito mais modernas e inúmeras esplanadas soalheiras, Ayamonte deixa-nos à vontade para, lá mais para o fim do dia, querermos um bocadinho de silêncio nos ouvidos. É quando nos apetece voltar para casa. E temos sorte.  Portugal é logo ali.

Como a Elisa nos faz crescer água na boca…

Sabe tão bem estar aqui! Os olhos são os primeiros a despertar em nós as tentações do paladar mas, quando entramos, é o sorriso afável de Elisa que nos convence a ficar para conhecer, provar e comprar. Se não todos, pelo menos alguns dos muitíssimos e irresistíveis produtos 100% regionais que tem à venda na Mercearia do Algarve.

Podia ser uma mercearia qualquer, mas não é. O projeto é inovador por contemplar toda a região algarvia na sua imensa riqueza gastronómica e trazer para Portimão deliciosas iguarias que, nalguns casos, só era possível experimentar em zonas serranas a muitos quilómetros de casa.

Elisa Malheiro

Esta aventura com quase dois anos começou num verdadeiro périplo pela região. Acompanhada pelos pais, Elisa Malheiro correu o Algarve de lés a lés para conhecer (e provar) os produtos mais genuínos que cá se fazem e estabelecer parcerias com as empresas locais. Por isso conhece pessoalmente a maioria dos seus fornecedores, com quem mantém uma ligação comercial mas também muito afetiva. Talvez o segredo para o sucesso deste projeto que fez da Rua Direita local obrigatório para parar e voltar. Sempre!

 

Já a salivar? Espere mais um pouco… Aqui encontramos, não só os sabores tradicionais já nossos conhecidos, mas também tudo aquilo que nunca imaginámos ser possível comer. Especialmente quando o doce decide fundir-se com o amargo ou cruzar-se com o picante, para nos surpreender, às vezes em experiências verdadeiramente afrodisíacas. Agora sim, prepare-se para fazer a lista de compras, mas não se esqueça que estas são apenas algumas, das muitas sugestões com que Elisa nos faz crescer água na boca.

Expostos de forma carinhosa em armários, prateleiras, cestinhos, frascos e toalhas brancas, há figos secos torrados com alecrim e piri-piri, azeites extra vigem biológicos, manteiga de alfarroba e amêndoa, cogumelos do cardo, cabazes biológicos, broas de chocolate com mel e pimenta-rosa, pão de batata-doce e nozes ou figo, pastéis de batata-doce e de alfarroba (parecem os de nata mas enganam), iogurtes de leite de cabra, cerveja artesanal, bolachinhas, licores, conservas e mais um infindável mundo de autênticas provocações que nos deixam rendidos aos ‘sabores cá da gente’ como garante o seu slogan.Mercearia 3

Antes ou depois das primeiras compras, pode começar a acompanhar as novidades que Elisa apresenta diariamente na página do Facebook.

Fica o aviso: sair da loja sem trazer um saco cheio é impossível. E há mais surpresas: as provas de produtos que Elisa promove regularmente na mercearia, proporcionam excelentes momentos de convívio e um verdadeiro intercâmbio de conhecimentos gastronómicos onde vale a pena estar presente. E é aqui tão perto. Vá lá…!