O apelo da água doce e como fugir à invasão das praias algarvias

Tenho um fetiche inexplicável por lagoas de água doce rodeadas por muros de árvores. De onde só se vê o céu e um horizonte de arbustos rasteiros com cheiro a mato. Sem desprezo pelo mar que é o primeiro e grande amor da minha vida, confesso este fraquinho, que me vem mesmo a calhar sobretudo numa altura em que o Algarve rompe pelas costuras e chegar às praias representa tudo menos descanso e sossego.

Garanto que não quero influenciar ninguém, mas não trocava por nada deste mundo um certo dia deste mês de agosto que passei dentro de uma água brilhante como um espelho, ao som das incansáveis cigarras que parecem cantar ao ritmo do nosso coração quando fechamos os olhos e nos deixamos engolir pela corrente.

Para chegar às barragens algarvias e descobrir um acesso às lagoas requer paciência, persistência e um grande desejo de ficar a sós com a vida, mas vale a pena. À falta de lagoas naturais e sem os artifícios do litoral, estas reservas de água não são apenas oásis no interior do Algarve já por si feito de uma beleza admirável. São também uma ideia muito refrescante para um dia de verão sem a companhia de outras pessoas que não sejam aquelas a quem convidei para passar férias comigo.

E isto tudo sem qualquer pingo de raiva contra quem goza sofregamente umas paupérrimas semanas no nosso idílico Algarve. Não sou contra o turismo nem contra os turistas, reconheço-lhes a importância para a nossa economia e segurança e como não sou egoísta não me importo nada de partilhar com milhares de gentes as praias, os restaurantes, as ruas e os momentos do nosso maravilhoso verão.

Eles que venham e aproveitem. Eu estou em estado zen…! E já agora não me censurem por promover mais um paraíso na terra com receio de virem os outros e estragarem tudo. Este tipo de paixão não é para todos!

 

Pedalar também serve para conhecer o Algarve inteiro

Conhecer o Algarve de uma ponta à outra é um sonho concretizável…de bicicleta. Assim à primeira vista a ideia pode parecer arrojada, mas a verdade é que já anda por aí muita gente a desbravar estradas, caminhos e trilhos entre o litoral e a serra, em cima de duas rodas.

Dizem os peritos na modalidade que esta é a melhor opção para usufruir das nossas imensas belezas naturais, conhecer caminhos e povoados antigos e chegar aos mais intrépidos lugares da região, onde raros são os que tiveram a oportunidade de pisar.

Para dar uma ajuda a quem quer levar isto a sério, a Região de Turismo do Algarve até lançou um guia de percursos cicláveis. A edição, feita em parceria com a Federação Portuguesa de Ciclismo, abrange os 16 concelhos algarvios e apresenta os passeios organizados em três zonas: este, central e oeste.

O que vem mesmo a calhar é os percursos serem apresentados por níveis de dificuldade para que todos possam participar sem ficar para trás. Entre o mais fácil e o mais exigente, pode escolher o seu percurso preferido consultando os detalhes através do QR Code (código de barras bidimensional) disponível para cada um dos trajetos, ao qual é possível aceder a partir de um dispositivo móvel.

Alguns percursos são tão acessíveis que podem ser utilizados em família. Outros, requerem experiência e uma excelente condição física. Mas todos nos abrem caminho a momentos de profundo deslumbramento. A Reserva Natural do Sapal de Castro Marim, a romântica aldeia de Cacela Velha, a Costa Vicentina, a Ria Formosa, Vilamoura, as refrescantes barragens do interior e os picos mais altos da região como a Fóia, são apenas alguns dos muitos apontamentos que pode ir registando nesta  aventura pelo Algarve inteiro… em duas rodas.

Distribuído gratuitamente o Guia dos Percursos de Ciclismo de Estrada está disponível no Portal do Turismo do Algarve em versão PDF. Agora já não tem desculpas! Percursos Cicláveis

http://www.visitalgarve.pt/pressroom.file.php?fileID=234&file=algarvepercursosciclismo_pt_v.web_5maio2017.pdf

Onde é que eu tinha a cabeça para ir ao campo?

Eu sei que esta mania de ir para o campo em tempo de verão não cabe na cabeça de ninguém. Mas ele há coisas… Apesar de cedermos ao fascínio da praia como refresco mais próprio para pele e espírito num dia escaldante, a verdade é esta: há sempre lugar a um capítulo menos feliz na vida de qualquer um. Eu disse infeliz?

Oh, não! Estamos a meio da semana, aceitem por favor o bom humor… Porque entrar neste templo da natureza leva-nos a tudo menos à tristeza, provoca-nos tudo menos arrependimento e proporciona-nos tudo aquilo que jamais encontraremos à beira-mar. A Fonte da Benémola é dos locais mais encantadores do Algarve.

Para aproveitar ao máximo este verdadeiro monumento natural, faça-se ao caminho pelo percurso pedestre apresentado à entrada da área protegida, que abrange 390 hectares de envolvente beleza.

São 1500 metros a andar para viver um dia magnífico sob o ‘risco’ de travar conhecimento com bichinhos tão raros e amorosos como a lontra, o animal mais emblemático da Fonte da Benémola, verdadeiro santuário para inúmeras outras espécies exclusivas do barrocal algarvio.

 Aproveite o perfume do alecrim, do tomilho, do zimbro, do rosmaninho e das estevas mas resista à tentação de colher alguma das lindíssimas flores que vão ornamentando o seu passeio. A flora aqui também é única e por isso mesmo merece ser preservada. E amada! image

Se tiver de usar algum dos recursos oferecidos pelo local, escolha a água fresca da ribeira da Menalva, que atravessa uma paisagem a pulsar de vida selvagem para fazer deste sítio qualificado no concelho de Loulé, um dos mais ricos do País em matéria de ecossistemas geológico e paisagístico. Relaxe junto às lavadas ou aos açudes, os pontos mais refrescantes para um dia de calor.

Com fome e sede? Então suba à aldeia de Querença e respire a tranquilidade que nos recebe no Largo da Igreja. Mas não se esqueça: é aqui que podemos perder um bocadinho o juízo se resolvermos gozar a cozinha tradicional… Galinha cerejada, xarém, licores, mel…Eu avisei!