Vender velharias: uma experiência muito ‘trendy’

O encanto pode já não ser o mesmo. Provavelmente porque não enterramos os pés na lama nem engolimos pó a saber a mofo. Mas as feiras de velharias ainda conseguem transportar-nos para um mundo de infindáveis fantasias, sobretudo quando nos encontramos com peças que já não víamos há mais de 20 anos. Lembrar a infância nunca fez mal a ninguém e aqui podemos aceitar, sem resistência, o desafio para visitarmos as nossas recordações mais antigas.

São muitas, variadas, e embora algumas já fujam ao verdadeiro conceito que as levou para a rua, ocupam o calendário nos 12 meses do ano. Ser vendedor ambulante ou de ocasião deixou, aliás, de ser sinónimo de estrato social menor, para passar a ser uma experiência muito trendy, que atrai especialmente quem quer limpar a casa e a vida dos excessos já desprovidos de valor emocional. Porque valor comercial…bem, há sempre quem o encontre na maioria das nossas bugigangas, sobretudo se roçarem o estilo vintage, agora muito apreciado na esfera das elites culturais.

Aos sábados e domingos, de uma ponta à outra do Algarve, tem muito por onde escolher. Para comprar, ou para vender! Em qualquer dos casos é sempre divertido. Por isso aproveite e se puder ganhe uns trocos!

Mercadinhos tradicionais: onde se compra tudo mais barato

São pequenos oásis nas cidades já pouco habituadas aos tons da natureza. Percorrer as bancas arrumadinhas com os aromas e as cores de produtos fresquinhos vindos diretamente do campo tornou-se uma saudável rotina nas manhãs de fim-de-semana, um pouco por todo o Algarve.

Para a gente urbana é uma oportunidade para comprar produtos de qualidade a preços mais baixos. Para os pequenos agricultores, uma excelente forma de rentabilizarem hortas domésticas e projetos de menor dimensão sem espaço nos grandes circuitos comerciais.

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Aliadas as duas conveniências, o que temos são verdadeiras telas rurais que se plantam uma vez uma semana nos largos principais das nossas vilas e cidades, para nos oferecerem ambientes descontraídos onde o ar cheira bem.

Desta vez fui ao de Faro. Decorre todos os domingos de manhã, no Largo do Carmo, e é ponto de encontro obrigatório para quem não tem vergonha de fazer parte de um certo espírito revivalista. Eu gostei e comprei!

Saudade, saudade…é comer em português

Primeiro temos uma janela com cheiro a manjerico. Depois uma porta que se abre para uma casa portuguesa cheia de outros cheiros e sabores que nos mergulham em carinhosas recordações. Tudo a transbordar de sentimento. Muito português aliás, por estar todo ele concentrado numa única palavra: Saudade.

É de ‘saudade’ e em ‘português’ que vos quero falar hoje. E há tanto para dizer. Podia começar pelas Catarinas, mas vou deixá-las para o fim. Assim, comecemos pela janela por onde nos apetece espreitar mal entramos na rua Filipe Alistão.

Debruçados no parapeito deixamo-nos surpreender por um cenário luminoso, muito arejado e arranjado. Recuar agora? Nem pensar! Vamos mas é entrar no nº 43, para uma verdadeira incursão pelo que há de mais genuíno em matéria de gastronomia e de ambiente na capital algarvia.

Saudade10A acompanhar a imensa diversidade de produtos nacionais, o Saudade em Português oferece várias opções, todas elas irresistíveis e com um toque de terrível inovação: cafetaria a partir das oito da manhã, quando o cheio a café invade a rua; mercearia gourmet com produtos da região e do País, que também sustentam a cozinha do restaurante; petiscaria mais lá para a noitinha. É nesta que nos sentamos, desta vez, para vos apresentar um menu de degustação que nos arregala os olhos. Depois de saborear o xarém de ostras, as endívias recheadas com sapateira, as tibornas ou os croquetes de alheira, entre outros, voltamos a encher a boca mas agora para enaltecer a criatividade do Chef Bruno Amaro.

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E nisto sentimo-nos em casa. Também por causa dos recantos acolhedores como a pequenina sala docemente iluminada pelo aquário de água salgada, a dupla de sofás coloridos junto à tal janela onde podemos saborear um branco fresquinho, ou a mesa junto à máquina da ‘singer’ que faz parte de uma decoração feita de afagos, sentidos nas rendas que abraçam jarrinhas de flores e nas prateleiras onde desfilam deliciosas tradições como as compotas, o mel, os licores… Não podemos sair sem vos falar dos menus de almoço. A 7,90€, variam ao sabor das estações do ano e propõem-nos sempre entrada, prato de carne ou peixe, bebida, sobremesa e digestivo.  

SaudadeEsperem, ainda não vos falei delas: Catarina Evaristo e Catarina Estevens. Ambas possuídas por um espírito empreendedor que ameaça não ter fim e que as trouxe até Faro para criarem um conceito fora de série e do vulgar. Foi por orgulho que se rodearam de tudo o que fala, sabe e nos faz sentir Portugal, para nos deixarem nesta saudade.

E a música. Podia lá não falar da música, sempre presente, sempre terna, sempre portuguesa! Se acabasse este texto a cantar “esta é uma casa portuguesa, com certeza”, seria um bocadinho vulgar. Por isso não acabo! Mas…não duvidem, esta é mesmo uma casa portuguesa. Já está!

De barco até Ayamonte pelo doce rio Guadiana

O Algarve tem isto. Num saltinho deixa-nos ali em Espanha.

Desta vez o carro fica em Vila Real de Santo António e fazemos a travessia fluvial que, para além de rápida, oferece-nos a real sensação de estarmos a viajar para fora do nosso País.

Não podendo comparar-se a um verdadeiro cruzeiro, os 30 minutos de viagem até à outra margem do Guadiana são no entanto bastante aprazíveis e abrem-nos tempo e hipóteses ao convívio com passageiros de várias nacionalidades. Para além disso levam-nos a recordar a época em que os portugueses fintavam a guarda fronteiriça para salvar os caramelos, a fruta enlatada e muitas outras novidades que, embora por vezes de qualidade duvidosa, tinham rótulos diferentes e um sabor especial só porque vinham do estrangeiro e conferiam estatuto a quem conseguia trazê-los escondidas, sabe-se lá onde.

Ayamonte1Ir de carro é confortável, prático e de pouca inteligência se não aproveitarmos a oportunidade para atestar o depósito a preços que nos matam de inveja. Mas fazer a travessia até ao cais de Ayamonte e imaginar os tempos em que nenhum de nós pertencia à zona euro… bem, não é que crie uma emoção assim tão grande, mas tem um lado romântico nos nossos dias.

Nos tempos de agora, para quem não vai a Ayamonte fazer compras no Mercadona e gosta mesmo é de respirar os ares de Espanha e comer umas tapas valentes, a oferta está muito mais atraente. São várias as propostas desde a Plaza de La Laguna, passando pela rua Angustias (com a bonita Iglesia de Nuestra Senora de las Angustias) até à Plaza de la Coronácion. Aqui, de frente para a marina, encontramos a galardoada Casa Barberi, que celebra este ano um século de existência e destaca-se por dois requisitos essenciais a quem gosta de comer: a cozinha é excelente e a simpatia dos ‘velhos’ empregados também. As puntillitas e os boquerones são iguarias a experimentar e sabem sempre a fresco. Como a cerveja Cruz Campo: é boa quando geladinha.

AyamonteSe for ao dia de semana já sabe: tem de esperar pelas cinco da tarde até que o comércio tradicional volte a abrir. Mas pode aproveitar a siesta de nuestros hermanos para visitar o Museo de Munecas Antiguas ou o Ecomuseo Molino Mareal del Pintado.  Embora não integrem as maiores belezas da Andaluzia, são espaços culturalmente interessantes.

Por isso vão, divirtam-se e sintam-se bem nesta simpática cidade espanhola. Até porque, para além das lojas já muito mais modernas e inúmeras esplanadas soalheiras, Ayamonte deixa-nos à vontade para, lá mais para o fim do dia, querermos um bocadinho de silêncio nos ouvidos. É quando nos apetece voltar para casa. E temos sorte.  Portugal é logo ali.

Como a Elisa nos faz crescer água na boca…

Sabe tão bem estar aqui! Os olhos são os primeiros a despertar em nós as tentações do paladar mas, quando entramos, é o sorriso afável de Elisa que nos convence a ficar para conhecer, provar e comprar. Se não todos, pelo menos alguns dos muitíssimos e irresistíveis produtos 100% regionais que tem à venda na Mercearia do Algarve.

Podia ser uma mercearia qualquer, mas não é. O projeto é inovador por contemplar toda a região algarvia na sua imensa riqueza gastronómica e trazer para Portimão deliciosas iguarias que, nalguns casos, só era possível experimentar em zonas serranas a muitos quilómetros de casa.

Elisa Malheiro

Esta aventura com quase dois anos começou num verdadeiro périplo pela região. Acompanhada pelos pais, Elisa Malheiro correu o Algarve de lés a lés para conhecer (e provar) os produtos mais genuínos que cá se fazem e estabelecer parcerias com as empresas locais. Por isso conhece pessoalmente a maioria dos seus fornecedores, com quem mantém uma ligação comercial mas também muito afetiva. Talvez o segredo para o sucesso deste projeto que fez da Rua Direita local obrigatório para parar e voltar. Sempre!

 

Já a salivar? Espere mais um pouco… Aqui encontramos, não só os sabores tradicionais já nossos conhecidos, mas também tudo aquilo que nunca imaginámos ser possível comer. Especialmente quando o doce decide fundir-se com o amargo ou cruzar-se com o picante, para nos surpreender, às vezes em experiências verdadeiramente afrodisíacas. Agora sim, prepare-se para fazer a lista de compras, mas não se esqueça que estas são apenas algumas, das muitas sugestões com que Elisa nos faz crescer água na boca.

Expostos de forma carinhosa em armários, prateleiras, cestinhos, frascos e toalhas brancas, há figos secos torrados com alecrim e piri-piri, azeites extra vigem biológicos, manteiga de alfarroba e amêndoa, cogumelos do cardo, cabazes biológicos, broas de chocolate com mel e pimenta-rosa, pão de batata-doce e nozes ou figo, pastéis de batata-doce e de alfarroba (parecem os de nata mas enganam), iogurtes de leite de cabra, cerveja artesanal, bolachinhas, licores, conservas e mais um infindável mundo de autênticas provocações que nos deixam rendidos aos ‘sabores cá da gente’ como garante o seu slogan.Mercearia 3

Antes ou depois das primeiras compras, pode começar a acompanhar as novidades que Elisa apresenta diariamente na página do Facebook.

Fica o aviso: sair da loja sem trazer um saco cheio é impossível. E há mais surpresas: as provas de produtos que Elisa promove regularmente na mercearia, proporcionam excelentes momentos de convívio e um verdadeiro intercâmbio de conhecimentos gastronómicos onde vale a pena estar presente. E é aqui tão perto. Vá lá…!