Entre ilhas e falésias o que eu quero é o Algarve

Aposto que não há no mundo outra região que, em menos de cinco mil quilómetros quadrados, consiga suportar tantas coisas belas assim: uma costa arrebatadora, a serra carregada de verde, cidades com um tremendo peso histórico, aldeias que se preferem sempre sossegadas e um sol que incendeia isto tudo com uma luz inigualável.

Falar de todos estes tesouros de uma vez só não cabe aqui. Por isso, e porque é verão, fiquemos pela zona do litoral e pela sua extravagância de se arquitetar em dois planos tão sublimes: num lado, as nossas românticas ilhas mergulhadas neste mimo da natureza que é a Ria Formosa e, no outro, as majestosas falésias que parecem querer reinar no resto da terra. Se tivéssemos de inventar uma região tão pequenina como esta, nunca nos lembraríamos de juntar duas virtudes tão grandiosas. Mas é o que temos….

E se tivesse de escolher hoje qual dos dois lados do Algarve gosto mais, afundava-me num sério dilema. Por isso, não será hoje!

Ria FormosaPara aqueles dias em que a única coisa boa da vida é virarmos costas a tudo para descansar o espírito e o corpo, adivinha-se o destino certo: o Sotavento. Ele é feito de praias lisas, aguinha morna, brisas carinhosas e esta corrente salgada que sai do mar para se balançar de mansinho entre as ilhas até chegar a terra. Ninguém tem uma ria como esta e só esta podia ser formosa.

Depois temos aqueles dias em que só nos apetece deixar que o coração se agite e corremos ao encontro do vento, porque nenhuma outra coisa nos satisfaz mais do que fazer parte da energia que anda sempre solta de Sagres para cá. O oeste é ao mesmo tempo bravio e terno, porque as suas ondas furiosas constroem castelos de rocha e areia onde nos reconciliamos com a sina de viver aqui. O Barlavento é soberbo.

Mesmo à noite, quando já as sombras nos escondem o azul do mar, quando o sol deixa cordialmente entrar a lua e o mundo parece estar em paz, o litoral do Algarve é único. Sabe a-mar.

A mais cara das belas praias que nos encantam no Sotavento algarvio

Não têm falésias por isso não favorecem por aí além engenhosos enquadramentos fotográficos, mas as praias do Sotavento não deixam nada a desejar quando comparadas com as do outro lado do Algarve.

As águas mais mornas, as ondas quase sempre menos tempestivas, os areais planos que se perdem de vista e aquele eterno abraço que promovem entre o oceano e a Ria Formosa, dão-nos uma sensação de afago que não encontramos em mais sítio nenhum. Talvez pela atmosfera que nos chega no assobio dos ventos nascidos nos desertos ondulantes, logo ali no norte de África, não sei. Sei que, de Loulé a Vila Real de Santo António, as praias são mais lânguidas, mais doces e chamam-nos para momentos de verdadeira comunhão com tudo o que é natureza.

Passear junto ao mar, ficar de costas nas dunas a olhar para o céu, esperar que o sol se deite silencioso no horizonte, enfim, há tanta poesia para fazer nestes longos quilómetros de costa que apetece ter verão o ano inteiro.

Não tenho espaço para falar de todas, por isso escolho a que fica quase no extremo da zona este, para ilustrar um breve postalzinho deste lado do paraíso: Manta Rota.

Escolho-a também porque, segundo o maior motor de busca e comparador de preços de hotéis do mundo (Trivago), esta nossa praia algarvia foi das mais procuradas nos últimos dois anos, pelos turistas que escolhem destinos nacionais à beira-mar. Entrou aliás para o TOP 10 das praias emergentes em Portugal, durante este ano. Mesmo sabendo-se que, acredite-se ou não, esta também é, segundo um estudo divulgado pela agência de viagens online Travel Bird, a segunda praia portuguesa mais cara entre as mais caras do planeta.

Cara? Só se for porque é uma das que mais nos custam a esquecer…

De pés descalços sobre a areia macia, quem é que quer saber de outra coisa que não seja mergulhar no sonho de viver para sempre junto a este imenso mar azul?!

Quando puderes, vem!