Sandra Santos – a fotógrafa rebelde que (des)faz imagens em arte

Há quem dela diga que é livre, linda e louca. Mas a Sandra também é uma das fotógrafas mais criativas que conheço. Por isso o que me apetece chamar-lhe é artista. Porque a ela não lhe basta captar uma imagem. Explora-a até às mais intrínsecas versões, só possíveis à arte.

A exposição ‘Repainted”, produzida a partir do bailado ‘Amar Amália’ e que este mês pode ser vista na galeria de Mal Dito Algarve, é um ínfimo detalhe na gigantesca tela onde a inspiração de Sandra Santos (ou San San), vai deixando gravadas obras de uma imaginação sem limites, que nos fazem adivinhar um espírito irremediavelmente livre e por isso sem quaisquer rodeios criativos.

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E esta é a única partícula que conseguimos prever no mundo onde habita, já que as obras são um reflexo da imprevisibilidade com que Sandra tem desenhado a vida. Assim como certas fotografias, também as decisões saem quase sempre espontâneas como se fossem empurradas por um fluxo de energia imparável e quase incomparável. É por isso que a encontramos agora a 50 quilómetros de Bilbau (Vitória-Gasteiz) onde reside há seis anos.

No País Basco faz uma incursão pelas artes plásticas e traz-nos muitas notícias de experiências recentes: a fotografia animada pelo universo da cinegrafia, mas também na transposição para materiais tão versáteis e orgânicas como ela própria: madeira e cartão reciclados. Por se confessar rendida aos limites que lhe impõem… Um contra-senso? Sim, sem dúvida. Quando se trata de alguém que não se cansa de se descobrir e que não resiste aos próprios desafios, o contra-senso faz todo o sentido.

Daí que não desista da música. DJ assumida desde que a conhecemos vai brilhando também nesta vertente artística em espaços contemporâneos de Espanha. sandra5_1Ou não fosse a música o seu primeiro amor e aquele que será o último: “A vida sempre foi a junção perfeita de dois mundos: a imagem e o som”, diz-nos, com o mesmo sorriso teimoso que dela guardamos desde sempre.

Queria escrever tanta coisa da Sandra e acabo por não dizer quase nada. Talvez possa terminar chamando-lhe também rebelde e irreverente pois é pela irreverência que vai descobrindo caminhos e lugares no mundo, que lhe oferecem respostas mais ajustadas à sua dimensão. É por isso que lhe desculpo esta partida para longe de nós, porque quando queremos que os amigos cresçam há que perdoar-lhes a ausência e orgulharmo-nos da cadência de acontecimentos com que vão construindo uma estória. A da vida!