Saudade, saudade…é comer em português

Primeiro temos uma janela com cheiro a manjerico. Depois uma porta que se abre para uma casa portuguesa cheia de outros cheiros e sabores que nos mergulham em carinhosas recordações. Tudo a transbordar de sentimento. Muito português aliás, por estar todo ele concentrado numa única palavra: Saudade.

É de ‘saudade’ e em ‘português’ que vos quero falar hoje. E há tanto para dizer. Podia começar pelas Catarinas, mas vou deixá-las para o fim. Assim, comecemos pela janela por onde nos apetece espreitar mal entramos na rua Filipe Alistão.

Debruçados no parapeito deixamo-nos surpreender por um cenário luminoso, muito arejado e arranjado. Recuar agora? Nem pensar! Vamos mas é entrar no nº 43, para uma verdadeira incursão pelo que há de mais genuíno em matéria de gastronomia e de ambiente na capital algarvia.

Saudade10A acompanhar a imensa diversidade de produtos nacionais, o Saudade em Português oferece várias opções, todas elas irresistíveis e com um toque de terrível inovação: cafetaria a partir das oito da manhã, quando o cheio a café invade a rua; mercearia gourmet com produtos da região e do País, que também sustentam a cozinha do restaurante; petiscaria mais lá para a noitinha. É nesta que nos sentamos, desta vez, para vos apresentar um menu de degustação que nos arregala os olhos. Depois de saborear o xarém de ostras, as endívias recheadas com sapateira, as tibornas ou os croquetes de alheira, entre outros, voltamos a encher a boca mas agora para enaltecer a criatividade do Chef Bruno Amaro.

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E nisto sentimo-nos em casa. Também por causa dos recantos acolhedores como a pequenina sala docemente iluminada pelo aquário de água salgada, a dupla de sofás coloridos junto à tal janela onde podemos saborear um branco fresquinho, ou a mesa junto à máquina da ‘singer’ que faz parte de uma decoração feita de afagos, sentidos nas rendas que abraçam jarrinhas de flores e nas prateleiras onde desfilam deliciosas tradições como as compotas, o mel, os licores… Não podemos sair sem vos falar dos menus de almoço. A 7,90€, variam ao sabor das estações do ano e propõem-nos sempre entrada, prato de carne ou peixe, bebida, sobremesa e digestivo.  

SaudadeEsperem, ainda não vos falei delas: Catarina Evaristo e Catarina Estevens. Ambas possuídas por um espírito empreendedor que ameaça não ter fim e que as trouxe até Faro para criarem um conceito fora de série e do vulgar. Foi por orgulho que se rodearam de tudo o que fala, sabe e nos faz sentir Portugal, para nos deixarem nesta saudade.

E a música. Podia lá não falar da música, sempre presente, sempre terna, sempre portuguesa! Se acabasse este texto a cantar “esta é uma casa portuguesa, com certeza”, seria um bocadinho vulgar. Por isso não acabo! Mas…não duvidem, esta é mesmo uma casa portuguesa. Já está!