‘Toino Zé- O Mata Porcos’: entre sem receio porque vai querer ficar

O nome arrepia um bocadinho mas não há quem não se sinta rendido assim de imediato à sua originalidade. Depois queremos saber mais e então recuamos no tempo, à altura em que ‘O Mata Porcos’ começou a ser alcunha para dar a conhecer António Alexandre, amigo de Toino Zé, o pai de Fernando. Já falaremos de Fernando…

Mata porcosVoltemos a ‘O Mata Porcos’ e a 1955, época em que a taberna de António era ponto de encontro para quem se esfolava a trabalhar desde manhã cedo nos fumeiros e nas obras para, ao fim da tarde, procurar aconchego num copo de três e nas parcas palavras com camaradas das mesmas sortes. Mas nem todos se ficavam só pelo vinho. A atração da casa eram na verdade as bifanas do António, que matava porcos na fazenda da Bemposta e os transformava em chouriças e suculentas febras, que lhe haviam de conquistar clientela e fama inabalável. Até hoje.

Por falar em hoje, falemos então de Fernando. Fernando Conceição. Filho de Toino Zé (António José), o homem que, a 8 de abril de 1974 -já os rostos do dia 25 se perfilavam nos quartéis militares, decidiu ficar com o negócio e dar à ‘venda’ um rumo mais adequado à sociedade portuguesa que havia de começar a florescer daí a quinze dias. Celebrava a revolução dos cravos 16 anos, quando o fenómeno do turismo que começava a agitar a região, arrancou Fernando aos estudos universitários para substituir o pai num negócio que passava a exigir o domínio de línguas novas. Uma troca sem dor, a adivinhar pela alegria de Fernando, gerente de uma das mais famosas casas de pasto de Portimão.Toino Zé

Quem entra agora pelo número 22 da Rua Alexandre Herculano, encontra uma atmosfera quase liberta desse passado, que parece muito longínquo para quem dele não fez parte. E digo quase, porque a estória de ‘Toino Zé-O Mata Porcos’ estará eternamente presa ao nome que lhe fez história, razão mais que suficiente para permanecer intocável. Aqui já não são só as bifanas que fazem parte do cardápio. Quem aprecia a gastronomia regional, tem propostas irrecusáveis como arroz de polvo, lulinhas à algarvia, migas com entrecosto, peixe assado na brasa, jaquinzinhos fritos e claro, carne de porco com amêijoas. Mata porcos 1

Tudo isto sabe ainda melhor se repararmos em pormenores como o chão – um prolongamento da calçada da rua das lojas, e também uma parte das paredes forradas a xisto de Monchique, que dão à casa um ar rústico para nos abrir logo o apetite de ficar aqui. Mas o que realmente nos satisfaz é a simpatia do Fernando, homem grande com um sorriso proporcional ao seu metro e noventa, que nos convence a gostar deste ambiente familiar e caseiro. Caseiro na verdadeira acepção da palavra porque, o que sentimos quando apreciamos a forma como o Fernando recebe os clientes, é a impressão de estarmos na casa de alguém de família. E isto já é tão raro…! E continua a ser tão bom!

E lá se vão os arrepios…

 

Provar antes de comprar conservas portuguesas é moda em Portimão

Há muito tempo que a curiosidade me empurrava para o outro lado do vidro onde seis mesinhas quadradas me propunham um tranquilo entardecer dominado pelo mais português dos sabores portugueses. Até que na semana passada foi possível enganar o tempo para conhecer mais de perto este projeto singular com nome de mulher: Maria do Mar.

Singular porque juntou num único conceito duas formas de nos entendermos em… conservas. A venda ao público e a degustação. Ambas tão apelativas quanto as centenas de latinhas coloridas que decoram o expositor do tamanho de uma parede, para lá caberem as 330 variedades de atum, sardinha, cavala e outras especialidades capazes de nos abrir o apetite mesmo às horas em que não se come.

Com preços que variam entre os 2,90€ e os 6,50€, o menu de degustação põe-nos um pouco à deriva. Por uma razão única: querermos comer tudo numa única vez, tão grande é a vontade de nos embriagarmos com sabores tão antigos, tão intensos, tão nossos. Salva-nos a habilidade da simpatiquíssima Rosário Peixinho, para nos decidirmos por onde começar.

Se optar pelo paté de truta com vinho do porto ou a tiborna de cavala enfeitada com uma salada muito suave e aromatizada, fará uma ótima escolha. Mas o mais certo é ter de lá voltar porque quase todas as propostas do menu apresentam a opção picante. E já sabe que pode saborear no local ou levar para casa. Ou as duas coisas, porque qualquer um destes petisquinhos são tão práticos e generosos que nos servem de refeição.loja_1

A ideia ganhou espaço na Rua Direita, em Portimão, pela inspiração de dois homens que partilham um nome e o gosto pelas conservas portuguesas. Em cinco anos Pedro Franco e Pedro Estorninho fizeram com que a Maria do Mar caísse no goto de muita gente. Os turistas já procuram a casa, mas os clientes habituais são residentes e visitantes nacionais, rendidos à mítica iguaria que continua a alimentar a cultura portuguesa. Sobretudo desde que passou a ser reconhecida como produto de elevado valor nutricional, com lugar reservado na dieta mediterrânica. Daí a conquistar o estatuto gourmet foi um passo, mas um passo importante, por trazer nova vida ao mercado e a muitas marcas de prestígio que se apuram cada vez mais em novas variedades de sabores.lata

Satisfeita uma curiosidade, faltava outra, tão original quanto a primeira. O nome do nº 89 da Rua Direita é inspirado no filme do cineasta Leitão de Barros (1930), considerado um dos mais importantes na história do cinema nacional: Maria do Mar.

Como a Elisa nos faz crescer água na boca…

Sabe tão bem estar aqui! Os olhos são os primeiros a despertar em nós as tentações do paladar mas, quando entramos, é o sorriso afável de Elisa que nos convence a ficar para conhecer, provar e comprar. Se não todos, pelo menos alguns dos muitíssimos e irresistíveis produtos 100% regionais que tem à venda na Mercearia do Algarve.

Podia ser uma mercearia qualquer, mas não é. O projeto é inovador por contemplar toda a região algarvia na sua imensa riqueza gastronómica e trazer para Portimão deliciosas iguarias que, nalguns casos, só era possível experimentar em zonas serranas a muitos quilómetros de casa.

Elisa Malheiro

Esta aventura com quase dois anos começou num verdadeiro périplo pela região. Acompanhada pelos pais, Elisa Malheiro correu o Algarve de lés a lés para conhecer (e provar) os produtos mais genuínos que cá se fazem e estabelecer parcerias com as empresas locais. Por isso conhece pessoalmente a maioria dos seus fornecedores, com quem mantém uma ligação comercial mas também muito afetiva. Talvez o segredo para o sucesso deste projeto que fez da Rua Direita local obrigatório para parar e voltar. Sempre!

 

Já a salivar? Espere mais um pouco… Aqui encontramos, não só os sabores tradicionais já nossos conhecidos, mas também tudo aquilo que nunca imaginámos ser possível comer. Especialmente quando o doce decide fundir-se com o amargo ou cruzar-se com o picante, para nos surpreender, às vezes em experiências verdadeiramente afrodisíacas. Agora sim, prepare-se para fazer a lista de compras, mas não se esqueça que estas são apenas algumas, das muitas sugestões com que Elisa nos faz crescer água na boca.

Expostos de forma carinhosa em armários, prateleiras, cestinhos, frascos e toalhas brancas, há figos secos torrados com alecrim e piri-piri, azeites extra vigem biológicos, manteiga de alfarroba e amêndoa, cogumelos do cardo, cabazes biológicos, broas de chocolate com mel e pimenta-rosa, pão de batata-doce e nozes ou figo, pastéis de batata-doce e de alfarroba (parecem os de nata mas enganam), iogurtes de leite de cabra, cerveja artesanal, bolachinhas, licores, conservas e mais um infindável mundo de autênticas provocações que nos deixam rendidos aos ‘sabores cá da gente’ como garante o seu slogan.Mercearia 3

Antes ou depois das primeiras compras, pode começar a acompanhar as novidades que Elisa apresenta diariamente na página do Facebook.

Fica o aviso: sair da loja sem trazer um saco cheio é impossível. E há mais surpresas: as provas de produtos que Elisa promove regularmente na mercearia, proporcionam excelentes momentos de convívio e um verdadeiro intercâmbio de conhecimentos gastronómicos onde vale a pena estar presente. E é aqui tão perto. Vá lá…!