Onde é que eu tinha a cabeça para ir ao campo?

Eu sei que esta mania de ir para o campo em tempo de verão não cabe na cabeça de ninguém. Mas ele há coisas… Apesar de cedermos ao fascínio da praia como refresco mais próprio para pele e espírito num dia escaldante, a verdade é esta: há sempre lugar a um capítulo menos feliz na vida de qualquer um. Eu disse infeliz?

Oh, não! Estamos a meio da semana, aceitem por favor o bom humor… Porque entrar neste templo da natureza leva-nos a tudo menos à tristeza, provoca-nos tudo menos arrependimento e proporciona-nos tudo aquilo que jamais encontraremos à beira-mar. A Fonte da Benémola é dos locais mais encantadores do Algarve.

Para aproveitar ao máximo este verdadeiro monumento natural, faça-se ao caminho pelo percurso pedestre apresentado à entrada da área protegida, que abrange 390 hectares de envolvente beleza.

São 1500 metros a andar para viver um dia magnífico sob o ‘risco’ de travar conhecimento com bichinhos tão raros e amorosos como a lontra, o animal mais emblemático da Fonte da Benémola, verdadeiro santuário para inúmeras outras espécies exclusivas do barrocal algarvio.

 Aproveite o perfume do alecrim, do tomilho, do zimbro, do rosmaninho e das estevas mas resista à tentação de colher alguma das lindíssimas flores que vão ornamentando o seu passeio. A flora aqui também é única e por isso mesmo merece ser preservada. E amada! image

Se tiver de usar algum dos recursos oferecidos pelo local, escolha a água fresca da ribeira da Menalva, que atravessa uma paisagem a pulsar de vida selvagem para fazer deste sítio qualificado no concelho de Loulé, um dos mais ricos do País em matéria de ecossistemas geológico e paisagístico. Relaxe junto às lavadas ou aos açudes, os pontos mais refrescantes para um dia de calor.

Com fome e sede? Então suba à aldeia de Querença e respire a tranquilidade que nos recebe no Largo da Igreja. Mas não se esqueça: é aqui que podemos perder um bocadinho o juízo se resolvermos gozar a cozinha tradicional… Galinha cerejada, xarém, licores, mel…Eu avisei!

Caminhar no Ludo: a moda que se tornou viral

Tornou-se moda e é uma moda boa. Caminhar faz bem à saúde, porque melhora as funções do corpo e estabiliza as nossas emoções. E que melhor lugar do que o Algarve para pormos em marcha esta simpática atividade, que ainda por cima nos permite descobrir os mais belos recantos escondidos na natureza?

Percursos organizados ou mais espontâneos vão proliferando um pouco por toda a região. Para ilustrar esta nova tendência para um estilo de vida mais saudável e ativo, escolhi um dos mais emblemáticos. Aquele que já se tornou num caso viral na capital algarvia: as caminhadas no Ludo.

LUDO 2_1De manhã muito cedinho até aos momentos em que o pôr-do-sol nos oferece fantásticos cenários sobre a Ria Formosa, é um corrupio de gente de todas as idades e formas. À parte ter-se tornado numa espécie de passarela para muitos aficionados das marcas conceituadas exibirem os últimos modelitos vocacionados para este novo universo desportivo, os percursos no Ludo concorrem com forte vantagem sobre os restantes.

A beleza das paisagens que rodeiam os diversos trilhos é o que mais impressiona, sobretudo onde as águas da ria nos trazem aquela sensação de apaziguamento que todos esperam encontrar aqui.LUDO 4_1

Classificada como uma das 7 Maravilhas de Portugal, este pedacinho de terra desdobra-se em múltiplos encantos naturais. Com uma flora sui generis e uma fauna que só peca pela diversidade e faz dele um dos locais privilegiados para os amantes de birdwatching, esta zona protegida ali na fronteira entre Faro e Loulé é, sem dúvida, o melhor lugar do mundo para caminhar a respirar ar puro.

Convencid@? Então mexa-se, vá experimentar mas não se esqueça do essencial: respeite a natureza!

*Fotos de Paula Cavaco

 

Despidos na praia: sim ou não!?

A quem anda vestido de preconceitos ou timidez desaconselha-se a ida a algumas praias do Algarve. Não sendo oficialmente vocacionados para o nudismo, muitos areais tornaram-se tradição para os naturistas e outros tantos começam a ser cada vez mais reclamados pelos adeptos desta prática permitida por lei.

São oito no País as praias oficialmente autorizadas para o nudismo. Estranho seria que, destas, pelo menos três não fossem algarvias: Ilha de Tavira (Tavira), Adegas (Aljezur) e Deserta (Faro). Mas há outras tidas como ‘toleradas’ por beneficiarem de características excecionais, como o isolamento e o acesso mais difícil, que resguardam a nudez e preservam em simultâneo quem não combina o amor pela praia com este estilo de vida.

Atenta a eventuais constrangimentos para ambas as partes, a Federação Portuguesa de Naturismo recomenda mais oito zonas balneares no Algarve onde é possível tirar a roupa sem riscos de maior. Cinco escondem-se nos belos recantos da Costa Vicentina: Bordeira (na zona da Carrapateira), Cabanas Velhas, Furnas e Zavial (Vila do Bispo) e Beliche (Sagres). Mais para Sul, as praias dos Pinheiros (Lagos), da Armona (Olhão) e das Quatro Águas (Tavira), entram na lista das tais ‘transigentes’.

Nudismo 3Curiosamente nenhuma delas é, por exemplo, a da Meia Praia, onde os nudistas se misturam sem problemas aos ‘outros’ turistas que já a frequentam também por tradição. E não é caso único numa região onde a tolerância é tão abundante como o sol, o mar e as dunas extensas que chegam para todos.

Que não restem é dúvidas quanto à legalidade de nos despirmos em local próprio. O nudismo é permitido em Portugal desde 1988 por uma lei refrescada em 2010 para pôr um ponto final à discussão: “O naturismo é um conjunto de práticas de vida ao ar livre em que é utilizado o nudismo como forma de desenvolvimento da saúde física e mental dos cidadãos, através da sua plena integração na natureza”.

Bons mergulhos saudáveis! Ao natural ou não…

Por esse Alentejo afora ou só até ali à Zambujeira do Mar

Odeie-se o Alentejo! A fronteira que nos remete ad aeternum para este rodapé de terra que, embora belo e há muito mais tempo mais internacional do que qualquer outro pedaço do País, há-de continuar a pecar pelo isolamento nas agendas públicas.

Mas como odiar o Alentejo? Seja qual for a rota escolhida, mal passamos a linha que nos separa destas terras bucólicas, parece que entrámos num cenário encantado.

Desanuviar, para muitos algarvios, significa ir dar uma volta ao Alentejo. Junto à costa ou pelos caminhos cercados de planícies que se mudam constantemente do verde para o dourado, há de quase tudo para se fazer: relaxar, comer, visitar o património, conhecer a história e os bons vinhos e…gostar dos alentejanos.

Zambujeira do Mar é uma daquelas terras por onde às vezes, até sem querer, acabamos por lá chegar. Aqui tudo se agiganta: o mar, a terra e o céu que nos parece sempre mais perto visto das falésias. Talvez por isso é destino irrecusável nos passeios pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.Zambujeira

Zambujeira2Há sempre uma desculpa para ir a Zambujeira do Mar. Come-se coisas apetitosas, apanha-se com o fresco das ondas assim que chegamos ao largo da capela Nossa Senhora do Mar e, embora muito semelhante ao que se encontra no resto do mundo, o artesanato à venda nas lojinhas da rua central tem um misticismo que nunca compreenderei. Apetece-me trazê-lo todo para casa. E era capaz de almoçar e jantar várias vezes seguidas nos restaurantes distribuídos pela zona pedonal, que nos seduzem com ementas gulosas e decorações já muito apelativas. Alguns são abrigados por paredes de vidro, tornando o calor quase insuportável, mas nem por isso nos desmoralizam.

De Inverno esta terra de Odemira é um caso sério de beleza, que esconde verdadeiros paraísos em praias como as de Alteirinhos, Nossa Senhora, Arquinha e Tonel. No verão, que entra hoje, empresta-nos a ideia de estarmos a conviver numa espécie de extensão de Cascais. Goste-se ou nem por isso, mesmo nos meses quentes é divertido.

E daqui a um mês e 11 dias começa o Festival do Sudoeste. O ambiente transforma-se e os arrabaldes da aldeia também. Não resisto. Gosto muito do Alentejo!

Como fazer um desodorizante caseiro que elimina odores e alergias

desnaturalO calor aperta. Como se já tivéssemos mergulhado no verão e nos seus belos dias de mar, de sol, de festas e de viagens que nos sabem sempre tão bem.

O verão desperta-nos esta vontade suplementar para viver, mas traz umas quantas coisinhas incómodas. Como a transpiração e às vezes um indisfarçável cheiro… a suor. Um problema? Sim, para quem tem a pele mais sensível e rejeita os desodorizantes à base de substâncias químicas, responsáveis por alergias nas axilas. Manchas vermelhas e ardor são os sintomas mais vulgares, que causam um sério desconforto. Mas é possível resolver.

A receita é simples e super económica. Para fazer o seu desodorizante natural só precisa de três ingredientes que provavelmente tem em casa: óleo de coco, bicarbonato de sódio e amido de milho (a nossa conhecida Maizena).

Tanto o óleo de coco como o bicarbonato de sódio são anti-bacterianos pelo que eliminam as bactérias responsáveis pelo odor desagradável, sem inibir a transpiração. Quanto ao amido de milho, ajuda a manter a pele menos húmida. O resultado é de uma permanente frescura e sem cheiro, já que o próprio aroma do óleo de coco desaparece ao fim de alguns minutos após a aplicação.

IMG_20170614_162415Junte 2 colheres de sopa de bicarbonato de sódio e 2 de amido de milho. Adicione 3 colheres de sopa de óleo de coco (não refinado) e misture bem até obter um creme. No início parece que não vai pegar, mas pega e em poucos minutos temos o nosso desodorizante natural. Pode juntar ainda três a cinco gotas de um óleo essencial. Coloque o creme num frasquinho de vidro com tampa e está pronto a usar. Aplique com os dedos. Nos dias mais quentes guarde no frigorífico, ou use um doseador, pois o óleo de coco derrete com o calor.

E agora faça-se ao verão. Sem complexos!

De barco até Ayamonte pelo doce rio Guadiana

O Algarve tem isto. Num saltinho deixa-nos ali em Espanha.

Desta vez o carro fica em Vila Real de Santo António e fazemos a travessia fluvial que, para além de rápida, oferece-nos a real sensação de estarmos a viajar para fora do nosso País.

Não podendo comparar-se a um verdadeiro cruzeiro, os 30 minutos de viagem até à outra margem do Guadiana são no entanto bastante aprazíveis e abrem-nos tempo e hipóteses ao convívio com passageiros de várias nacionalidades. Para além disso levam-nos a recordar a época em que os portugueses fintavam a guarda fronteiriça para salvar os caramelos, a fruta enlatada e muitas outras novidades que, embora por vezes de qualidade duvidosa, tinham rótulos diferentes e um sabor especial só porque vinham do estrangeiro e conferiam estatuto a quem conseguia trazê-los escondidas, sabe-se lá onde.

Ayamonte1Ir de carro é confortável, prático e de pouca inteligência se não aproveitarmos a oportunidade para atestar o depósito a preços que nos matam de inveja. Mas fazer a travessia até ao cais de Ayamonte e imaginar os tempos em que nenhum de nós pertencia à zona euro… bem, não é que crie uma emoção assim tão grande, mas tem um lado romântico nos nossos dias.

Nos tempos de agora, para quem não vai a Ayamonte fazer compras no Mercadona e gosta mesmo é de respirar os ares de Espanha e comer umas tapas valentes, a oferta está muito mais atraente. São várias as propostas desde a Plaza de La Laguna, passando pela rua Angustias (com a bonita Iglesia de Nuestra Senora de las Angustias) até à Plaza de la Coronácion. Aqui, de frente para a marina, encontramos a galardoada Casa Barberi, que celebra este ano um século de existência e destaca-se por dois requisitos essenciais a quem gosta de comer: a cozinha é excelente e a simpatia dos ‘velhos’ empregados também. As puntillitas e os boquerones são iguarias a experimentar e sabem sempre a fresco. Como a cerveja Cruz Campo: é boa quando geladinha.

AyamonteSe for ao dia de semana já sabe: tem de esperar pelas cinco da tarde até que o comércio tradicional volte a abrir. Mas pode aproveitar a siesta de nuestros hermanos para visitar o Museo de Munecas Antiguas ou o Ecomuseo Molino Mareal del Pintado.  Embora não integrem as maiores belezas da Andaluzia, são espaços culturalmente interessantes.

Por isso vão, divirtam-se e sintam-se bem nesta simpática cidade espanhola. Até porque, para além das lojas já muito mais modernas e inúmeras esplanadas soalheiras, Ayamonte deixa-nos à vontade para, lá mais para o fim do dia, querermos um bocadinho de silêncio nos ouvidos. É quando nos apetece voltar para casa. E temos sorte.  Portugal é logo ali.

Por que raio te amo com este perigoso amor?

Hoje tinha de falar sobre ti. Do amor que me prende às tuas cores, ao teu terrível provincianismo, à tua falta de dimensão planetária, à escassez de figuras influentes que te elevem até Lisboa e à ausência de uma dinâmica finalmente isenta dos complexos da periferia.

No dia da inauguração deste blog tinha de falar sobre esta paixão que ameaça explodir-me o coração, sempre que sinto o teu cheiro na maresia, sempre que me surpreendes com estes magníficos céus azuis, ou quando me provocas com o recorte das tuas rudes falésias e me atormentas com os ventos de Espanha.

Tinha de falar do amor e da paixão que sinto por ti, apesar de seres feito de quase nada. E no entanto, permaneço-te fiel.

Será por esta luz que não é igual em mais nenhuma parte da Terra? Por estas paisagens que irrompem das ondas, das serras e dos rios? Destas pessoas velhas que habitam o interior, numa serenidade que nos emociona até à alma? Do verão com cheiro a sorvete e a pele queimada? Dos invernos melancólicos junto ao mar, das culturas que atrais às vezes sem cultura nenhuma e deste poético pôr-do-sol que nos inspira?

Ou talvez pela ilusão de que, um dia, ainda irão tod@s perceber a nobreza que guardas e reconhecer a beleza destas gentes teimosas que te sustentam à força de braços, para te fazer menos pequenino e esquecido?!

Será razão para este amor, as saudades que sinto de ti, quando estou longe? Ou é por realmente me fazeres parecer que o Mundo começa mesmo aqui? Pois se por ti, só por ti, nunca parti…Algarve!