O homem que se faz ao mar…

Escrever sobre os amigos é difícil. Quem já passou por ‘isto’ sabe como é penoso evitarmos as palavras que nos atraem por serem aquelas que mais… nos traem. Por isso decidi fingir que João e eu não somos amigos. ‘Apenas’ o fotógrafo que expõe este mês no Mal Dito Algarve.

Em todo o caso, fosse não eu, mas o mar a contar esta estória, e ela sairia muito mais bela e inspirada. É que, por muitas voltas que se tente dar às voltas que o João dá à vida, o mar lá está, a servir quase sempre de horizonte.

Foi aliás por ele (o mar), que João Tata Regala chegou ao Algarve. Para estudar Biologia Marinha e Pescas na universidade e “construir-se como pessoa”. Numa altura em que já o oceano lhe ouvia confidências. É sua, esta também:

“A minha ligação ao mar é antiga. Aprendi a nadar só aos 14 anos e no entanto vejo-o como confidente. O mar representa, para mim, muito mais do que profissão. Nele residem um conjunto de ambiguidades filosoficamente interessantes. É onde todos os sentidos se encontram estimulados, a cadência das ondas induz à meditação, a aparente monotonia da paisagem me traz a sensação de aventura… Interior? Exterior? Qual das duas a mais profunda…”

Questão tão profunda quanto os oceanos que cruza há já duas décadas, embarcado em navios de grande porte. Vertente que ainda não esgotou, pela vontade de chegar sempre ao âmago das experiências que chama para si. O apelo, assume, são as embarcações industriais e à vela porque se revelam “no paradoxo de ambientes humanamente frios e extenuantes, por contraponto a momentos românticos de lazer disciplinado”.Ta foto

E é assim, neste incessante mergulho nas essências que o constroem, que Tata Regala se envolve com a fotografia. Encarada como forma de expressão artística para se relacionar com o mundo, esta é uma arte abandonada como profissão porque quis atribuir-lhe papel de catarse. Tata fotografa para auscultar o mundo e as pessoas enquanto espelhos de si próprio, já que se vê com maior lucidez através das rugas da pele alheia.

Não que se considere retratista. Confrontado por ser mais “foto-artista plástico” do que fotógrafo, sente-se confortável nessa condição e serve-se dela para procurar um género que o defina. Embora de antemão certos ensaios fotográficos se revelem em imagens que falam no seu todo. Ou não! Porque a verdade é que permanece num estado de paixão por muitas composições do passado.

“Creio que estes projetos continuam presentes porque sinto-os incompletos. A motivação de cada projecto é alguma inquietação e estas inquietações persistem amadurecidas à luz dos ditos trabalhos. Projectos como ‘7 décadas up’, ‘Rotinas da Morte’ e ‘Descortinar’, marcaram-me de sobremaneira. São muito maiores do que eu…”

Maiores até do que o teu sonho, não é Tata Regala? Porque, perto poderá estar o espaço onde irás “modelar a luz a convite das emoções” de quem fotografas. Este é um sonho bonito, amigo!

Por esse Alentejo afora ou só até ali à Zambujeira do Mar

Odeie-se o Alentejo! A fronteira que nos remete ad aeternum para este rodapé de terra que, embora belo e há muito mais tempo mais internacional do que qualquer outro pedaço do País, há-de continuar a pecar pelo isolamento nas agendas públicas.

Mas como odiar o Alentejo? Seja qual for a rota escolhida, mal passamos a linha que nos separa destas terras bucólicas, parece que entrámos num cenário encantado.

Desanuviar, para muitos algarvios, significa ir dar uma volta ao Alentejo. Junto à costa ou pelos caminhos cercados de planícies que se mudam constantemente do verde para o dourado, há de quase tudo para se fazer: relaxar, comer, visitar o património, conhecer a história e os bons vinhos e…gostar dos alentejanos.

Zambujeira do Mar é uma daquelas terras por onde às vezes, até sem querer, acabamos por lá chegar. Aqui tudo se agiganta: o mar, a terra e o céu que nos parece sempre mais perto visto das falésias. Talvez por isso é destino irrecusável nos passeios pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.Zambujeira

Zambujeira2Há sempre uma desculpa para ir a Zambujeira do Mar. Come-se coisas apetitosas, apanha-se com o fresco das ondas assim que chegamos ao largo da capela Nossa Senhora do Mar e, embora muito semelhante ao que se encontra no resto do mundo, o artesanato à venda nas lojinhas da rua central tem um misticismo que nunca compreenderei. Apetece-me trazê-lo todo para casa. E era capaz de almoçar e jantar várias vezes seguidas nos restaurantes distribuídos pela zona pedonal, que nos seduzem com ementas gulosas e decorações já muito apelativas. Alguns são abrigados por paredes de vidro, tornando o calor quase insuportável, mas nem por isso nos desmoralizam.

De Inverno esta terra de Odemira é um caso sério de beleza, que esconde verdadeiros paraísos em praias como as de Alteirinhos, Nossa Senhora, Arquinha e Tonel. No verão, que entra hoje, empresta-nos a ideia de estarmos a conviver numa espécie de extensão de Cascais. Goste-se ou nem por isso, mesmo nos meses quentes é divertido.

E daqui a um mês e 11 dias começa o Festival do Sudoeste. O ambiente transforma-se e os arrabaldes da aldeia também. Não resisto. Gosto muito do Alentejo!

Como fazer um desodorizante caseiro que elimina odores e alergias

desnaturalO calor aperta. Como se já tivéssemos mergulhado no verão e nos seus belos dias de mar, de sol, de festas e de viagens que nos sabem sempre tão bem.

O verão desperta-nos esta vontade suplementar para viver, mas traz umas quantas coisinhas incómodas. Como a transpiração e às vezes um indisfarçável cheiro… a suor. Um problema? Sim, para quem tem a pele mais sensível e rejeita os desodorizantes à base de substâncias químicas, responsáveis por alergias nas axilas. Manchas vermelhas e ardor são os sintomas mais vulgares, que causam um sério desconforto. Mas é possível resolver.

A receita é simples e super económica. Para fazer o seu desodorizante natural só precisa de três ingredientes que provavelmente tem em casa: óleo de coco, bicarbonato de sódio e amido de milho (a nossa conhecida Maizena).

Tanto o óleo de coco como o bicarbonato de sódio são anti-bacterianos pelo que eliminam as bactérias responsáveis pelo odor desagradável, sem inibir a transpiração. Quanto ao amido de milho, ajuda a manter a pele menos húmida. O resultado é de uma permanente frescura e sem cheiro, já que o próprio aroma do óleo de coco desaparece ao fim de alguns minutos após a aplicação.

IMG_20170614_162415Junte 2 colheres de sopa de bicarbonato de sódio e 2 de amido de milho. Adicione 3 colheres de sopa de óleo de coco (não refinado) e misture bem até obter um creme. No início parece que não vai pegar, mas pega e em poucos minutos temos o nosso desodorizante natural. Pode juntar ainda três a cinco gotas de um óleo essencial. Coloque o creme num frasquinho de vidro com tampa e está pronto a usar. Aplique com os dedos. Nos dias mais quentes guarde no frigorífico, ou use um doseador, pois o óleo de coco derrete com o calor.

E agora faça-se ao verão. Sem complexos!

Por que raio te amo com este perigoso amor?

Hoje tinha de falar sobre ti. Do amor que me prende às tuas cores, ao teu terrível provincianismo, à tua falta de dimensão planetária, à escassez de figuras influentes que te elevem até Lisboa e à ausência de uma dinâmica finalmente isenta dos complexos da periferia.

No dia da inauguração deste blog tinha de falar sobre esta paixão que ameaça explodir-me o coração, sempre que sinto o teu cheiro na maresia, sempre que me surpreendes com estes magníficos céus azuis, ou quando me provocas com o recorte das tuas rudes falésias e me atormentas com os ventos de Espanha.

Tinha de falar do amor e da paixão que sinto por ti, apesar de seres feito de quase nada. E no entanto, permaneço-te fiel.

Será por esta luz que não é igual em mais nenhuma parte da Terra? Por estas paisagens que irrompem das ondas, das serras e dos rios? Destas pessoas velhas que habitam o interior, numa serenidade que nos emociona até à alma? Do verão com cheiro a sorvete e a pele queimada? Dos invernos melancólicos junto ao mar, das culturas que atrais às vezes sem cultura nenhuma e deste poético pôr-do-sol que nos inspira?

Ou talvez pela ilusão de que, um dia, ainda irão tod@s perceber a nobreza que guardas e reconhecer a beleza destas gentes teimosas que te sustentam à força de braços, para te fazer menos pequenino e esquecido?!

Será razão para este amor, as saudades que sinto de ti, quando estou longe? Ou é por realmente me fazeres parecer que o Mundo começa mesmo aqui? Pois se por ti, só por ti, nunca parti…Algarve!