Se este presidente estivesse à venda muitos países o comprariam

Marcelo passa férias na região mais marcada pelos incêndios de 2017. Umas férias solitárias se sozinho se pode estar, quando se é Marcelo. Aliás, nem há prova que nos faça crer ser intenção do Presidente da República (PR) andar sozinho por estes dias. Não só o acompanha uma comitiva de flashes e microfones, como o próprio desafiou os principais dirigentes políticos a pactuarem nesta oportuna campanha solidária no centro do País.

Sem desdenhar o espírito altruísta do PR, admito ter algumas dúvidas quanto a esta quase missão de Estado. Tanto em relação a Marcelo, como às figuras atingidas pelo repto. Sobre o que me perturba relativamente aos tais líderes -a maioria com assento parlamentar, consegui equacionar várias hipóteses para terem assobiado para o lado enquanto se punham ao fresco noutras zonas do País mas, porque estas são razões recorrentes na atuação dos nossos alegres deputados, falarei delas noutra oportunidade.

Importante é que Marcelo Rebelo de Sousa anda a banhos no interior e como lhe é hábito despiu-se. De roupas, mas não só. Ao contrário de Mário Soares (o outro pê erre a quem vi a barriga), seja longe ou perto do povo, este chefe de Estado nunca põe coroa e usa mais a cabeça para proveito do que tem lá dentro. Dá a impressão que toda a vida do homem é feita a partir de um software de marketing muito bem elaborado e extremamente eficaz. E no seu atual papel esta é, claro, uma ótima estratégia. Com resultados tão bons, que dá vontade de pensar: se este presidente estivesse à venda, muitos seriam os países interessados na compra.

É portanto esta a minha dúvida quanto a Marcelo, que já antes usou o tema ‘incêndios’ para ameaçar voltar costas a Belém. Estará ele assim tão despido de propostas, que não sejam só as de influenciar a economia local? É que estes mergulhos em água doce parecem mais uma achega à bem estruturada (embora por vezes insólita), campanha de charme com que o PR já anima a agenda para 2021! Às tantas, consegue ser as duas coisas. Porque Marcelo, antes de ser Presidente, já era Marcelo. O professor Marcelo.

O doloroso regresso das férias

O regresso das férias de verão é uma experiência anual verdadeiramente intransponível na vida de qualquer pessoa. Pelo menos das que gostam de férias. A mim custa-me. É como se as palavras também tivessem ido descansar para longe de mim e resistissem ao dever de voltar para me servir a inspiração. Tenho de fazer um esforço herculano para resgatar cada uma delas e arrumá-las de forma a conseguir alinhar umas quantas ideias para o arranque da nova época. Como se fosse eu a pertencer-lhes e não elas a mim.

Estou a usar a meia dúzia que consegui trazer de volta à rotina para desejar a todos um bom regresso à vidinha normal, de preferência sempre na companhia do Mal Dito Algarve. Não prometo nada de especial porque tenho por hábito não cumprir as promessas, mas é provável que continue a escrever sobre o que gosto e às vezes sobre o que nem por isso.

Agora que já espantei a preguiça e dei ordem de regresso às palavras…

Sinceramente, a quem é que eu estou a tentar enganar? Como é que se tira esta estúpida angústia da garganta por terem acabado as férias? Como é que se consegue passar um dia inteiro a levar a vida a sério sem pensar no mar a espraiar-se ali mesmo ao lado nas areias agora quase desertas? Quem é que tem energia para organizar a agenda, quando esta brisa morna nos empurra para as esplanadas ainda apinhadas de gente, quando estas manhãs luminosas teimam em chamar-nos para um belo passeio ao ar livre, quando o entardecer parece prolongar-se mais um bocadinho para nos dar tempo a um último mergulho nas ondas de setembro…?

Por que tinham de acabar as férias?  Porquê, se o verão ainda não acabou?!image