Sabores à solta na ‘baixa’ de Faro

Quem não anda por Faro, desconhece as coisas boas que andam a acontecer por aqui.

De uma ‘baixa’ quase despovoada especialmente ao fim de semana, as ruas abençoadas pela proximidade à bonita doca de recreio passaram a centro de intensa animação, para fazerem desta uma cidade de eleição por variadíssimas razões. Uma delas é a gastronomia, apostada em acompanhar os gostos e as tendências de uma vida mais moderna.

A capital do Algarve está cada vez mais cosmopolita e começa a mostrar ambições num setor que nos abre sempre o apetite. Do dia para a noite têm surgido vários e simpáticos spots para comer e brindar a esta nova energia urbana. Alguns, sem medo, instalados em ruas e casas recuperadas a um passado menos recomendável.

A rua Conselheiro Bívar e a Avenida da República estão entre as que rivalizam este verão no que toca à multiplicidade de experiências à mesa. Mas são vários e diferentes os ambientes da ‘baixa’ onde apetece almoçar e jantar, ou ficar à conversa enquanto petiscamos sabores muito portugueses acompanhados por um bom copo, antes de o dia acabar. Os espaços personalizados que abriram sobretudo nos últimos dois anos só nos provocam um problema: qual deles escolher? Falar de todos, um por um, é exercício para muitos dias, mas tempo não nos falta para celebrar as coisas boas da vida.

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Faro está diferente e isso nota-se também em quem cá vive. Os farenses regressaram à baixa e são os primeiros a ocupar lugar para provar as novidades na imensa variedade de tapinhas tradicionais, matar saudades da nossa comida regional e conhecer as cozinhas de fusão ou de autor, quase sempre temperadas com muita criatividade e alguns apontamentos gourmet.

Todos juntos vão fazendo desta uma cidade com uma dinâmica muito prometedora. Haja vontades (entre elas a política) e também iniciativa (sobretudo empresarial) e um dia destes temos uma capital capaz de competir a uma escala maiorzinha.

Quando todos os caminhos vão dar à mesma RUA o melhor é ouvi-los

Há uma rua por onde todos gostam de andar. Que se escreve com letra maiúscula e é feita por gente grande.

É de mérito que falamos quando a conversa é sobre a Rádio Universitária do Algarve. E falar da RUA sem falar primeiro de Fúlvia Almeida é incontornável. A diretora da antena deu uma volta de 180 graus a um projeto com mais de 14 anos, para reinventá-lo com inteligência e criatividade. De 2016 para cá, a rádio tem uma imagem moderna e hiper atual. Trabalho fácil? Nem por isso. Limpar a casa, desinstalar rotinas e alterar quase tudo, pode causar amuos e outras mágoas. A coragem é por isso critério exigido a quem assume desafios que impliquem mudança.

Mas se há coisa que Fúlvia Almeida tem para dar e vender é humildade. Sem querer levar os louros para casa, faz a sua justa distribuição pelos que a acompanham à frente e atrás dos microfones. Sónia Rosa é o outro elemento forte desta equipa que conta com Filipe Cabeçadas na construção de uma playlist seletiva e extremamente cuidada. Por isso dá gosto ouvir a RUA entre as 06h e as 20h.

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São no entanto 24 as horas de emissão diária em que podemos sintonizar os 102.7 MHz. Os programas de autor ocupam a grelha a partir das oito da noite para nos acompanharem até às seis da manhã, altura em que a RUA começa a desafiar em direto os ouvintes.

Das 08h às 10h é obrigatório pararmos para um ‘café duplo’ e à tarde há um ‘sentido obrigatório’ numa estação por onde passam todos os dias entrevistas, tertúlias, reportagens, conferências e outros géneros que nos vão ensinando coisas, ao mesmo tempo que nos divertem a sério.

Tudo feito por mais de 20 voluntários. Há os que vestem a camisola da Universidade do Algarve e querem ganhar balanço nas ondas hertzianas, mas também muitos colaboradores. Uns vêm desde a inauguração do projeto, outros foram chegando para ficar.

Agora, vamos lá saber a verdade: ainda não é ouvinte assíduo? Então tem perdido muito do bom que se faz numa rádio onde profissionalismo e jovialidade, só não são sinónimos, porque nenhum dos dois é dispensável. Por isso, sintonize de vez a RUA e faça-se fã. Eu já sou!RUA 3

*Foto de Fúlvia Almeida gentilmente cedida por Bruno Filipe Pires

O melhor lugar de Faro para enchermos a barriga de mimos

É muito bom podermos escolher um restaurante sem ser apenas pela comida. Mesmo que à saída sejamos assaltad@s pelo arrependimento. Não por lá termos ido, mas por termos mais olhos do que barriga.

Tirando este inocente senão, tudo o resto são verdadeiros mimos que nos vão chegando à mesa. Nem todos empratados. Do casal Rosa e João recebemos mais do que tapas servidas à moda do Alentejo no que toca à quantidade. Só uma das variadas iguarias que nos chegam da cozinha serve perfeitamente de refeição, mas isto só é verdade para quem consegue sair sem encher aquele vazio de curiosidade mal satisfeita e experimentar mais das muitas propostas que nos estimulam o apetite.

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O ambiente descontraído, a simpatia oferecida nos sorrisos do João e da Rosa, o humor mal disfarçado do Rui, o teto acolhedor, as galinhas que nos espreitam dos quadros e a música em tom q.b., são suficientes para ignorarmos a dureza das cadeiras de madeira, as paredes um pouco despidas e a luz fria que até não cai tão mal assim quando estamos no verão. Meros pormenores quando o assunto é a comida do ‘Miminhos Caseiros’.

Podia falar muito dela, da comidinha, que sabe mesmo a caseira, mas deixo apenas uma espécie de couvert: choquinhos, bacalhau, carapaus e camarão são alguns dos protagonistas de um jantar bem animado no nº 6 da travessa Castilho. E uma dica importante: vão de barriga vazia e comecem pela tapa mais leve. Para poderem pedir mais, sem sentimentos de culpa.MC 1_1

Até setembro só abre à noite porque a isso o verão obriga. Mas com os dias frios chegam os almoços com sopas de grão e outras delícias de panela que nos fazem sentir realmente em casa. Os grupos são bem-vindos e quem vem de longe também. Até há quem abale de Lisboa já com mesa reservada, o que é ‘obrigatório’ entre quinta-feira e domingo. Ah, e não saia sem deixar um miminho. Pode ser só um sincero e merecido obrigad@.