Caminhar no Ludo: a moda que se tornou viral

Tornou-se moda e é uma moda boa. Caminhar faz bem à saúde, porque melhora as funções do corpo e estabiliza as nossas emoções. E que melhor lugar do que o Algarve para pormos em marcha esta simpática atividade, que ainda por cima nos permite descobrir os mais belos recantos escondidos na natureza?

Percursos organizados ou mais espontâneos vão proliferando um pouco por toda a região. Para ilustrar esta nova tendência para um estilo de vida mais saudável e ativo, escolhi um dos mais emblemáticos. Aquele que já se tornou num caso viral na capital algarvia: as caminhadas no Ludo.

LUDO 2_1De manhã muito cedinho até aos momentos em que o pôr-do-sol nos oferece fantásticos cenários sobre a Ria Formosa, é um corrupio de gente de todas as idades e formas. À parte ter-se tornado numa espécie de passarela para muitos aficionados das marcas conceituadas exibirem os últimos modelitos vocacionados para este novo universo desportivo, os percursos no Ludo concorrem com forte vantagem sobre os restantes.

A beleza das paisagens que rodeiam os diversos trilhos é o que mais impressiona, sobretudo onde as águas da ria nos trazem aquela sensação de apaziguamento que todos esperam encontrar aqui.LUDO 4_1

Classificada como uma das 7 Maravilhas de Portugal, este pedacinho de terra desdobra-se em múltiplos encantos naturais. Com uma flora sui generis e uma fauna que só peca pela diversidade e faz dele um dos locais privilegiados para os amantes de birdwatching, esta zona protegida ali na fronteira entre Faro e Loulé é, sem dúvida, o melhor lugar do mundo para caminhar a respirar ar puro.

Convencid@? Então mexa-se, vá experimentar mas não se esqueça do essencial: respeite a natureza!

*Fotos de Paula Cavaco

 

O meu amigo Carlos Almeida

É um daqueles lisboetas sem peneiras de quem é tão fácil gostar. Mesmo sabendo que de vez em quando lhe assalta a mania de fotografar aviões. Paixões não se discutem, já se sabe, e por essa razão ficamos também nós presos a este homem com uns olhos esverdeados, que conseguem capturar beleza quando espreitam por uma lente.

Carlos Almeida já é nosso. Por sua culpa. Foi ele quem quis fugir da cidade grande para virar uma página de vida e instalar-se no Algarve. Por cá tem feito amigos e registado milhares de momentos, a maioria em cenários desportivos (de preferência competições motorizadas), como repórter fotográfico para vários títulos de informação. É no entanto um trágico capítulo da história nacional, aquele que guarda como momento inesquecível da carreira:

“A experiência fotográfica que mais me marcou foi o incêndio do Chiado, em Lisboa, no dia 25 de agosto de 1988, ao serviço do Correio da Manhã, jornal onde trabalhei durante oito anos. Foram mais de nove horas a fotografar uma parte da minha cidade a ser destruída pelas chamas. Jamais esquecerei aquele dia”.

Tenho o privilégio de partilhar com o Carlos duas partes da sua existência. A amizade e o trabalho jornalístico. Mas não é por isso que o convidei para inaugurar, com a mostra ‘Momentos’, a galeria de exposições mensais no Mal Dito Algarve.

A verdade é que, por detrás de uma personalidade vincada em parte pela teimosia, descobrimos um ser humano capaz de nos corromper as emoções. Por gostar do mar, que o atraiu até ao Sul. Ou pelo sonho que acalenta. Belo como todos os sonhos: viajar de moto pelos quatro cantos do mundo, registando em biliões de píxeis as aventuras fotográficas que há-de reproduzir em livro um dia mais tarde.

O Carlos Almeida prega-nos estas partidas: humedece-nos os olhos com uma certa inocência de menino em corpo de homem, quando nos faz acreditar que o impossível é possível.

Acredito em ti amigo. E muito obrigada por estares aqui comigo, nestas nove belas fotos que animam o Mal Dito Algarve enquanto, vamos lá ser poéticos, “o mundo pula e avança/como bola colorida/entre as mãos de uma criança”. Seremos sempre assim, tu e eu: deux enfants terribles. Até ao fim!