Um jantar inesquecível na melhor tasca da capital algarvia

Este é um daqueles casos em que, por muito que se queira encontrar um defeito, não conseguimos. E não é o calor que nos faz andar mais desvairados e condescendentes que torna o elogio a melhor expressão para definir um espaço perfeito.

Cumprindo o hábito de deixar o melhor para o fim, começo já por dizer que ir comer à tasca do joão é viver uma experiência invulgar. Assim que chegamos, satisfaz-nos a certeza absoluta de não nos termos enganado na escolha. Depois, lá mais adiante, logo se verá.

Aqui todos os elementos são os mais certos no lugar certo. As madeiras escoriadas das Tasca 6

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janelas e dos armários, as cadeiras revivalistas, os bancos aconchegados em almofadas bonitas, a luz fraca na esplanada, o azul que impera no ambiente e as mesas sem toalhas que tanto aprecio. E assim, logo à primeira, gosta-se imediatamente do João, dono de um profissionalismo extraordinário que merece ser copiado.

Tudo corre bem até chegarmos ao menu de tapas e carta de vinhos. Quando esta estória passa a um capítulo praticamente indescritível. Alinhados em sabores verdadeiramente desconcertantes, os petiscos que saem da cozinha trazem vestígios de um mistério, adensado à medida que a mesa começa a ficar curta para acolher as tantas prevaricações do apetite.

A acompanhar o ritmo da água que canta na fonte luminosa ali ao centro do largo Pé da Cruz, desfilam petiscos tão ‘banais’ como chouriço salteado com mel e tomilho, filete de biqueirão, lingueirão ao alho, tosta de cavala, tiras de porco preto com alho… A banalidade fica-se, claro, pela denominação de cada um destes pitéus profundamente divinais, que nos induzem à convicção de estarmos a comer pela primeira vez na vida.

Tasca 4As temperaturas altas nestas noites de verão exigem um branco e até nisso temos sorte, porque como o João pensa em tudo, o vinho permanece fresquinho até à última gota.

E agora o epílogo. Aquela parte em que a indiscrição chama à nossa presença o grande culpado disto tudo. E esta é a única vez em que engolimos em seco. Gonçalo, um dos futuros melhores cozinheiros do Mundo, tem apenas 21 anos. E por hoje dele não digo mais nada. O dom deste jovem com um sorriso melodioso merece um dia só para ele. Ah se merece!

E porque não me canso de dizê-lo, repito: gosto muito d’a tasca do joão. E gostava que continuasse a fazer parte da nossa vida durante muito tempo. Até nos aborrecermos de gostar de estar aqui. Ou seja…

Se eu mandasse acabava com o Baixa Street Fest em dois meses

Juro que tinha jurado não falar sobre isto! Por uma razão apenas: não há nada de novo para se dizer. Mas, como juras leva-as o vento e quem conta um conto pode acrescentar um ponto ou outro, não resisti a deixar uma nota, apenas uma breve nota, sobre o Baixa Street Fest.

Não gosto! E ai de mim se ficasse por aqui. Porque o que realmente não gosto é do tamanho do calendário que permite à cidade de Faro transbordar tantas emoções nas noites de sexta. Era bom que fosse o verão todo, mas como de um ano para o outro a iniciativa pulou de um, para dois meses, pode ser que nas próximas estações… Três meses era o ideal. Para o calor não vir em vão.BAIXA 3

Do que eu gosto realmente é de ver tanta gente junta na mesma rua. Os apontamentos musicais, os espetáculos circenses e até mesmo os momentos de diversão espontânea, são pérolas insubstituíveis na animação noturna. Depois temos as lojas abertas até às tantas, com uma atraente redução de preços e os restaurantes da baixa a oferecerem-nos propostas mais do que tentadoras, que nos levam a irremediáveis estragos, próprios do fim de semana. E tudo isto é importante. Mas do que eu realmente mais gosto é de ver tanta gente lado a lado, unida numa tão desafetada intenção: aproveitar a oportunidade de agarrar a alegria e aliviar o outro lado menos leve da vida.BAIXA 1

Se para espevitar uma cidade que durante tanto tempo andou tão cabisbaixa é preciso reinventar a ‘baixa’, mais vale que assim seja. Porque quando se trata de revitalizar economias e o espírito participativo, qualquer pretexto despido de maus propósitos é, na minha opinião, muito válido.

Aceito quem está contra a ideia ao abrigo de preceitos políticos. Ou quem se sustenta no argumento de ser este mais um plano ilusório de quem quer ser feliz e que a vida não pode ser sempre festa. Pois não pode! Por isso é que só acontece uma vez por semana, durante dois magros meses do ano. E bem podiam ser três, que não nos fazia mal nenhum… Por isso hoje à noite vou passar por lá. Porque só nos sobram mais quatro sextas-feiras. Pura maldade, já que setembro é um mês tão bom…!

Fotos gentilmente cedidas pelo Baixa Street Fest

Saudade, saudade…é comer em português

Primeiro temos uma janela com cheiro a manjerico. Depois uma porta que se abre para uma casa portuguesa cheia de outros cheiros e sabores que nos mergulham em carinhosas recordações. Tudo a transbordar de sentimento. Muito português aliás, por estar todo ele concentrado numa única palavra: Saudade.

É de ‘saudade’ e em ‘português’ que vos quero falar hoje. E há tanto para dizer. Podia começar pelas Catarinas, mas vou deixá-las para o fim. Assim, comecemos pela janela por onde nos apetece espreitar mal entramos na rua Filipe Alistão.

Debruçados no parapeito deixamo-nos surpreender por um cenário luminoso, muito arejado e arranjado. Recuar agora? Nem pensar! Vamos mas é entrar no nº 43, para uma verdadeira incursão pelo que há de mais genuíno em matéria de gastronomia e de ambiente na capital algarvia.

Saudade10A acompanhar a imensa diversidade de produtos nacionais, o Saudade em Português oferece várias opções, todas elas irresistíveis e com um toque de terrível inovação: cafetaria a partir das oito da manhã, quando o cheio a café invade a rua; mercearia gourmet com produtos da região e do País, que também sustentam a cozinha do restaurante; petiscaria mais lá para a noitinha. É nesta que nos sentamos, desta vez, para vos apresentar um menu de degustação que nos arregala os olhos. Depois de saborear o xarém de ostras, as endívias recheadas com sapateira, as tibornas ou os croquetes de alheira, entre outros, voltamos a encher a boca mas agora para enaltecer a criatividade do Chef Bruno Amaro.

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E nisto sentimo-nos em casa. Também por causa dos recantos acolhedores como a pequenina sala docemente iluminada pelo aquário de água salgada, a dupla de sofás coloridos junto à tal janela onde podemos saborear um branco fresquinho, ou a mesa junto à máquina da ‘singer’ que faz parte de uma decoração feita de afagos, sentidos nas rendas que abraçam jarrinhas de flores e nas prateleiras onde desfilam deliciosas tradições como as compotas, o mel, os licores… Não podemos sair sem vos falar dos menus de almoço. A 7,90€, variam ao sabor das estações do ano e propõem-nos sempre entrada, prato de carne ou peixe, bebida, sobremesa e digestivo.  

SaudadeEsperem, ainda não vos falei delas: Catarina Evaristo e Catarina Estevens. Ambas possuídas por um espírito empreendedor que ameaça não ter fim e que as trouxe até Faro para criarem um conceito fora de série e do vulgar. Foi por orgulho que se rodearam de tudo o que fala, sabe e nos faz sentir Portugal, para nos deixarem nesta saudade.

E a música. Podia lá não falar da música, sempre presente, sempre terna, sempre portuguesa! Se acabasse este texto a cantar “esta é uma casa portuguesa, com certeza”, seria um bocadinho vulgar. Por isso não acabo! Mas…não duvidem, esta é mesmo uma casa portuguesa. Já está!

Um copo ao fim do dia by the Ria Formosa

Um bom vinho ao pôr-do-sol. O que é que se quer mais num final de dia junto à Ria Formosa? A proposta do LAB Lounge Terrace é tão cativante que nos esquecemos de haver, para além desta linha de água, outros elementos que não respirem apenas prazer e uma infinita calmaria.

As almofadas confortáveis, a música acolhedora e o espaço amplo onde o branco se oferece a uma decoração minimalista, preparam-nos para um cenário deslumbrante onde não é preciso acrescentar mais nada para além do tal vinho. Mais suave como os do Tejo, ou mais arrojado para os dias em que nos queremos próximos dos talentos alentejanos.

LAB1Mas a descontração neste verão debruçado sobre o espelho da ria, não se esgota no néctar dos deuses. Instalado no terraço do Centro de Ciência Viva do Algarve, o LAB tem uma ‘carta’ a condizer com as tonalidades do céu, com o canto dos pássaros noturnos e até com as breves sonoridades do vento que nos transporta para ambientes muito calientes.

A decisão oscila entre a variedade de cocktails como o mojito, o daiquiri, a margarita e a caipiroska, ou o gin, a vodka, a tequila, o porto e a sangria de champanhe, que sabe sempre tão bem em qualquer momento do dia ou da noite, que chegam mais devagar durante o verão.

 É bom que saiba outra coisa: podemos acompanhar tudo isto com umas tapas bem elaboradas, que vão mudando de gosto para preservar a curiosidade e a qualidade que, em apenas dois meses de existência, já diferencia o novo bar encostado às muralhas do centro histórico de Faro.

FREDFrederico Lopez é quem manda aqui, mas como o próprio diz, o espaço é público. Por isso no conceito que fez nascer mais uma proposta irrepreensível na animação farense, cabem coisas tão distintas como o concerto meditativo com taças tibetanas e gongos pela Jasmim Art, na próxima terça (4), a partir das 20h.

O LAB tem encerramento previsto para setembro, mas é provável que se estenda até outubro, porque este verão promete. Quanto à minha promessa é a de lá voltar. Muitas e muitas vezes, antes que se acabe.

Moda portuguesa é aposta de empresária corajosa

Ela reinventa-se para nos surpreender. Chama-se Carla Farias e já faz parte da história de Faro. Pela presença e pela coragem de apostar em marcas portuguesas numa cidade onde, exclusividade e elegância, são virtudes às vezes ignoradas por uma maioria que parece andar distraída.Coleção Cafofo

Na rua Vasco da Gama há já três anos, Carla virou o ‘Bichinho de Conta’ para a moda portuguesa e trouxe para Faro várias marcas nacionais de vestuário. A maioria fabricada em Portugal como é o caso da Foursoul, da Guimanos, da Scusi, da Mafalda Leitão e da Cafofo. Ou aquelas que, sendo parcialmente nossas, são feitas fora de portas como a Nafta e a Tropical Brasil.

Consciente do que a mulher moderna procura, ela juntou aos trapinhos de alta qualidade bonitos acessórios também muito portugueses, como as malas Beneditas.

 

Beneditas

Pelo amor à arte que a fez abrir a primeira loja de materiais para artesanato na travessa Rebelo da Silva, já lá vão dez anos, Carla mantém uma linha de bijutaria personalizada. O stock de materiais para venda aos amantes do conceito DIY (Do It Yourself) já é muito reduzido, mas a empresária preservou uma linha de joalharia com a sua etiqueta que inclui, entre outras peças, pulseiras, brincos, colares e gargantilhas. Tudo muito sofisticado e feito à mão, com a habitual originalidade que tem marcado o seu percurso.

Bijuteria

Bem localizada na ‘baixa’ de Faro, a loja já fidelizou clientes, a maioria mulheres na casa dos 30 e portadoras de um gosto requintado que lhes permite apreciar e valorizar as marcas portuguesas. Mas a faixa mais jovem está na mira da empresária algarvia, ciente de que as propostas nacionais estão em plena sintonia com as tendências ditadas pelos principais centros mundiais da moda.

E tão bem anda o negócio que o ‘Bichinho de Conta’ já se prepara para novo desafio. Desta vez em Olhão, onde está por dias a abertura da nova loja na Rua do Comércio. A prova de que a inteligência serve para muito, sobretudo a ambição de quem sabe gerir o êxito, mesmo com a crise ainda a morde-nos as canelas.

Carla é assim: com uma atitude vencedora e um bom gosto irreparável, vai conquistando o mercado e conquista-nos a nós. Perseverança é uma das suas qualidades maiores. Um exemplo a seguir por muitas mulheres empresárias com receio de arriscar. Sigam-na!

Sabores à solta na ‘baixa’ de Faro

Quem não anda por Faro, desconhece as coisas boas que andam a acontecer por aqui.

De uma ‘baixa’ quase despovoada especialmente ao fim de semana, as ruas abençoadas pela proximidade à bonita doca de recreio passaram a centro de intensa animação, para fazerem desta uma cidade de eleição por variadíssimas razões. Uma delas é a gastronomia, apostada em acompanhar os gostos e as tendências de uma vida mais moderna.

A capital do Algarve está cada vez mais cosmopolita e começa a mostrar ambições num setor que nos abre sempre o apetite. Do dia para a noite têm surgido vários e simpáticos spots para comer e brindar a esta nova energia urbana. Alguns, sem medo, instalados em ruas e casas recuperadas a um passado menos recomendável.

A rua Conselheiro Bívar e a Avenida da República estão entre as que rivalizam este verão no que toca à multiplicidade de experiências à mesa. Mas são vários e diferentes os ambientes da ‘baixa’ onde apetece almoçar e jantar, ou ficar à conversa enquanto petiscamos sabores muito portugueses acompanhados por um bom copo, antes de o dia acabar. Os espaços personalizados que abriram sobretudo nos últimos dois anos só nos provocam um problema: qual deles escolher? Falar de todos, um por um, é exercício para muitos dias, mas tempo não nos falta para celebrar as coisas boas da vida.

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Faro está diferente e isso nota-se também em quem cá vive. Os farenses regressaram à baixa e são os primeiros a ocupar lugar para provar as novidades na imensa variedade de tapinhas tradicionais, matar saudades da nossa comida regional e conhecer as cozinhas de fusão ou de autor, quase sempre temperadas com muita criatividade e alguns apontamentos gourmet.

Todos juntos vão fazendo desta uma cidade com uma dinâmica muito prometedora. Haja vontades (entre elas a política) e também iniciativa (sobretudo empresarial) e um dia destes temos uma capital capaz de competir a uma escala maiorzinha.

O melhor lugar de Faro para enchermos a barriga de mimos

É muito bom podermos escolher um restaurante sem ser apenas pela comida. Mesmo que à saída sejamos assaltad@s pelo arrependimento. Não por lá termos ido, mas por termos mais olhos do que barriga.

Tirando este inocente senão, tudo o resto são verdadeiros mimos que nos vão chegando à mesa. Nem todos empratados. Do casal Rosa e João recebemos mais do que tapas servidas à moda do Alentejo no que toca à quantidade. Só uma das variadas iguarias que nos chegam da cozinha serve perfeitamente de refeição, mas isto só é verdade para quem consegue sair sem encher aquele vazio de curiosidade mal satisfeita e experimentar mais das muitas propostas que nos estimulam o apetite.

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O ambiente descontraído, a simpatia oferecida nos sorrisos do João e da Rosa, o humor mal disfarçado do Rui, o teto acolhedor, as galinhas que nos espreitam dos quadros e a música em tom q.b., são suficientes para ignorarmos a dureza das cadeiras de madeira, as paredes um pouco despidas e a luz fria que até não cai tão mal assim quando estamos no verão. Meros pormenores quando o assunto é a comida do ‘Miminhos Caseiros’.

Podia falar muito dela, da comidinha, que sabe mesmo a caseira, mas deixo apenas uma espécie de couvert: choquinhos, bacalhau, carapaus e camarão são alguns dos protagonistas de um jantar bem animado no nº 6 da travessa Castilho. E uma dica importante: vão de barriga vazia e comecem pela tapa mais leve. Para poderem pedir mais, sem sentimentos de culpa.MC 1_1

Até setembro só abre à noite porque a isso o verão obriga. Mas com os dias frios chegam os almoços com sopas de grão e outras delícias de panela que nos fazem sentir realmente em casa. Os grupos são bem-vindos e quem vem de longe também. Até há quem abale de Lisboa já com mesa reservada, o que é ‘obrigatório’ entre quinta-feira e domingo. Ah, e não saia sem deixar um miminho. Pode ser só um sincero e merecido obrigad@.