A mais cara das belas praias que nos encantam no Sotavento algarvio

Não têm falésias por isso não favorecem por aí além engenhosos enquadramentos fotográficos, mas as praias do Sotavento não deixam nada a desejar quando comparadas com as do outro lado do Algarve.

As águas mais mornas, as ondas quase sempre menos tempestivas, os areais planos que se perdem de vista e aquele eterno abraço que promovem entre o oceano e a Ria Formosa, dão-nos uma sensação de afago que não encontramos em mais sítio nenhum. Talvez pela atmosfera que nos chega no assobio dos ventos nascidos nos desertos ondulantes, logo ali no norte de África, não sei. Sei que, de Loulé a Vila Real de Santo António, as praias são mais lânguidas, mais doces e chamam-nos para momentos de verdadeira comunhão com tudo o que é natureza.

Passear junto ao mar, ficar de costas nas dunas a olhar para o céu, esperar que o sol se deite silencioso no horizonte, enfim, há tanta poesia para fazer nestes longos quilómetros de costa que apetece ter verão o ano inteiro.

Não tenho espaço para falar de todas, por isso escolho a que fica quase no extremo da zona este, para ilustrar um breve postalzinho deste lado do paraíso: Manta Rota.

Escolho-a também porque, segundo o maior motor de busca e comparador de preços de hotéis do mundo (Trivago), esta nossa praia algarvia foi das mais procuradas nos últimos dois anos, pelos turistas que escolhem destinos nacionais à beira-mar. Entrou aliás para o TOP 10 das praias emergentes em Portugal, durante este ano. Mesmo sabendo-se que, acredite-se ou não, esta também é, segundo um estudo divulgado pela agência de viagens online Travel Bird, a segunda praia portuguesa mais cara entre as mais caras do planeta.

Cara? Só se for porque é uma das que mais nos custam a esquecer…

De pés descalços sobre a areia macia, quem é que quer saber de outra coisa que não seja mergulhar no sonho de viver para sempre junto a este imenso mar azul?!

Quando puderes, vem!

Moda portuguesa é aposta de empresária corajosa

Ela reinventa-se para nos surpreender. Chama-se Carla Farias e já faz parte da história de Faro. Pela presença e pela coragem de apostar em marcas portuguesas numa cidade onde, exclusividade e elegância, são virtudes às vezes ignoradas por uma maioria que parece andar distraída.Coleção Cafofo

Na rua Vasco da Gama há já três anos, Carla virou o ‘Bichinho de Conta’ para a moda portuguesa e trouxe para Faro várias marcas nacionais de vestuário. A maioria fabricada em Portugal como é o caso da Foursoul, da Guimanos, da Scusi, da Mafalda Leitão e da Cafofo. Ou aquelas que, sendo parcialmente nossas, são feitas fora de portas como a Nafta e a Tropical Brasil.

Consciente do que a mulher moderna procura, ela juntou aos trapinhos de alta qualidade bonitos acessórios também muito portugueses, como as malas Beneditas.

 

Beneditas

Pelo amor à arte que a fez abrir a primeira loja de materiais para artesanato na travessa Rebelo da Silva, já lá vão dez anos, Carla mantém uma linha de bijutaria personalizada. O stock de materiais para venda aos amantes do conceito DIY (Do It Yourself) já é muito reduzido, mas a empresária preservou uma linha de joalharia com a sua etiqueta que inclui, entre outras peças, pulseiras, brincos, colares e gargantilhas. Tudo muito sofisticado e feito à mão, com a habitual originalidade que tem marcado o seu percurso.

Bijuteria

Bem localizada na ‘baixa’ de Faro, a loja já fidelizou clientes, a maioria mulheres na casa dos 30 e portadoras de um gosto requintado que lhes permite apreciar e valorizar as marcas portuguesas. Mas a faixa mais jovem está na mira da empresária algarvia, ciente de que as propostas nacionais estão em plena sintonia com as tendências ditadas pelos principais centros mundiais da moda.

E tão bem anda o negócio que o ‘Bichinho de Conta’ já se prepara para novo desafio. Desta vez em Olhão, onde está por dias a abertura da nova loja na Rua do Comércio. A prova de que a inteligência serve para muito, sobretudo a ambição de quem sabe gerir o êxito, mesmo com a crise ainda a morde-nos as canelas.

Carla é assim: com uma atitude vencedora e um bom gosto irreparável, vai conquistando o mercado e conquista-nos a nós. Perseverança é uma das suas qualidades maiores. Um exemplo a seguir por muitas mulheres empresárias com receio de arriscar. Sigam-na!

O meu amigo Carlos Almeida

É um daqueles lisboetas sem peneiras de quem é tão fácil gostar. Mesmo sabendo que de vez em quando lhe assalta a mania de fotografar aviões. Paixões não se discutem, já se sabe, e por essa razão ficamos também nós presos a este homem com uns olhos esverdeados, que conseguem capturar beleza quando espreitam por uma lente.

Carlos Almeida já é nosso. Por sua culpa. Foi ele quem quis fugir da cidade grande para virar uma página de vida e instalar-se no Algarve. Por cá tem feito amigos e registado milhares de momentos, a maioria em cenários desportivos (de preferência competições motorizadas), como repórter fotográfico para vários títulos de informação. É no entanto um trágico capítulo da história nacional, aquele que guarda como momento inesquecível da carreira:

“A experiência fotográfica que mais me marcou foi o incêndio do Chiado, em Lisboa, no dia 25 de agosto de 1988, ao serviço do Correio da Manhã, jornal onde trabalhei durante oito anos. Foram mais de nove horas a fotografar uma parte da minha cidade a ser destruída pelas chamas. Jamais esquecerei aquele dia”.

Tenho o privilégio de partilhar com o Carlos duas partes da sua existência. A amizade e o trabalho jornalístico. Mas não é por isso que o convidei para inaugurar, com a mostra ‘Momentos’, a galeria de exposições mensais no Mal Dito Algarve.

A verdade é que, por detrás de uma personalidade vincada em parte pela teimosia, descobrimos um ser humano capaz de nos corromper as emoções. Por gostar do mar, que o atraiu até ao Sul. Ou pelo sonho que acalenta. Belo como todos os sonhos: viajar de moto pelos quatro cantos do mundo, registando em biliões de píxeis as aventuras fotográficas que há-de reproduzir em livro um dia mais tarde.

O Carlos Almeida prega-nos estas partidas: humedece-nos os olhos com uma certa inocência de menino em corpo de homem, quando nos faz acreditar que o impossível é possível.

Acredito em ti amigo. E muito obrigada por estares aqui comigo, nestas nove belas fotos que animam o Mal Dito Algarve enquanto, vamos lá ser poéticos, “o mundo pula e avança/como bola colorida/entre as mãos de uma criança”. Seremos sempre assim, tu e eu: deux enfants terribles. Até ao fim!

Sabores à solta na ‘baixa’ de Faro

Quem não anda por Faro, desconhece as coisas boas que andam a acontecer por aqui.

De uma ‘baixa’ quase despovoada especialmente ao fim de semana, as ruas abençoadas pela proximidade à bonita doca de recreio passaram a centro de intensa animação, para fazerem desta uma cidade de eleição por variadíssimas razões. Uma delas é a gastronomia, apostada em acompanhar os gostos e as tendências de uma vida mais moderna.

A capital do Algarve está cada vez mais cosmopolita e começa a mostrar ambições num setor que nos abre sempre o apetite. Do dia para a noite têm surgido vários e simpáticos spots para comer e brindar a esta nova energia urbana. Alguns, sem medo, instalados em ruas e casas recuperadas a um passado menos recomendável.

A rua Conselheiro Bívar e a Avenida da República estão entre as que rivalizam este verão no que toca à multiplicidade de experiências à mesa. Mas são vários e diferentes os ambientes da ‘baixa’ onde apetece almoçar e jantar, ou ficar à conversa enquanto petiscamos sabores muito portugueses acompanhados por um bom copo, antes de o dia acabar. Os espaços personalizados que abriram sobretudo nos últimos dois anos só nos provocam um problema: qual deles escolher? Falar de todos, um por um, é exercício para muitos dias, mas tempo não nos falta para celebrar as coisas boas da vida.

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Faro está diferente e isso nota-se também em quem cá vive. Os farenses regressaram à baixa e são os primeiros a ocupar lugar para provar as novidades na imensa variedade de tapinhas tradicionais, matar saudades da nossa comida regional e conhecer as cozinhas de fusão ou de autor, quase sempre temperadas com muita criatividade e alguns apontamentos gourmet.

Todos juntos vão fazendo desta uma cidade com uma dinâmica muito prometedora. Haja vontades (entre elas a política) e também iniciativa (sobretudo empresarial) e um dia destes temos uma capital capaz de competir a uma escala maiorzinha.

Despidos na praia: sim ou não!?

A quem anda vestido de preconceitos ou timidez desaconselha-se a ida a algumas praias do Algarve. Não sendo oficialmente vocacionados para o nudismo, muitos areais tornaram-se tradição para os naturistas e outros tantos começam a ser cada vez mais reclamados pelos adeptos desta prática permitida por lei.

São oito no País as praias oficialmente autorizadas para o nudismo. Estranho seria que, destas, pelo menos três não fossem algarvias: Ilha de Tavira (Tavira), Adegas (Aljezur) e Deserta (Faro). Mas há outras tidas como ‘toleradas’ por beneficiarem de características excecionais, como o isolamento e o acesso mais difícil, que resguardam a nudez e preservam em simultâneo quem não combina o amor pela praia com este estilo de vida.

Atenta a eventuais constrangimentos para ambas as partes, a Federação Portuguesa de Naturismo recomenda mais oito zonas balneares no Algarve onde é possível tirar a roupa sem riscos de maior. Cinco escondem-se nos belos recantos da Costa Vicentina: Bordeira (na zona da Carrapateira), Cabanas Velhas, Furnas e Zavial (Vila do Bispo) e Beliche (Sagres). Mais para Sul, as praias dos Pinheiros (Lagos), da Armona (Olhão) e das Quatro Águas (Tavira), entram na lista das tais ‘transigentes’.

Nudismo 3Curiosamente nenhuma delas é, por exemplo, a da Meia Praia, onde os nudistas se misturam sem problemas aos ‘outros’ turistas que já a frequentam também por tradição. E não é caso único numa região onde a tolerância é tão abundante como o sol, o mar e as dunas extensas que chegam para todos.

Que não restem é dúvidas quanto à legalidade de nos despirmos em local próprio. O nudismo é permitido em Portugal desde 1988 por uma lei refrescada em 2010 para pôr um ponto final à discussão: “O naturismo é um conjunto de práticas de vida ao ar livre em que é utilizado o nudismo como forma de desenvolvimento da saúde física e mental dos cidadãos, através da sua plena integração na natureza”.

Bons mergulhos saudáveis! Ao natural ou não…

Por esse Alentejo afora ou só até ali à Zambujeira do Mar

Odeie-se o Alentejo! A fronteira que nos remete ad aeternum para este rodapé de terra que, embora belo e há muito mais tempo mais internacional do que qualquer outro pedaço do País, há-de continuar a pecar pelo isolamento nas agendas públicas.

Mas como odiar o Alentejo? Seja qual for a rota escolhida, mal passamos a linha que nos separa destas terras bucólicas, parece que entrámos num cenário encantado.

Desanuviar, para muitos algarvios, significa ir dar uma volta ao Alentejo. Junto à costa ou pelos caminhos cercados de planícies que se mudam constantemente do verde para o dourado, há de quase tudo para se fazer: relaxar, comer, visitar o património, conhecer a história e os bons vinhos e…gostar dos alentejanos.

Zambujeira do Mar é uma daquelas terras por onde às vezes, até sem querer, acabamos por lá chegar. Aqui tudo se agiganta: o mar, a terra e o céu que nos parece sempre mais perto visto das falésias. Talvez por isso é destino irrecusável nos passeios pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.Zambujeira

Zambujeira2Há sempre uma desculpa para ir a Zambujeira do Mar. Come-se coisas apetitosas, apanha-se com o fresco das ondas assim que chegamos ao largo da capela Nossa Senhora do Mar e, embora muito semelhante ao que se encontra no resto do mundo, o artesanato à venda nas lojinhas da rua central tem um misticismo que nunca compreenderei. Apetece-me trazê-lo todo para casa. E era capaz de almoçar e jantar várias vezes seguidas nos restaurantes distribuídos pela zona pedonal, que nos seduzem com ementas gulosas e decorações já muito apelativas. Alguns são abrigados por paredes de vidro, tornando o calor quase insuportável, mas nem por isso nos desmoralizam.

De Inverno esta terra de Odemira é um caso sério de beleza, que esconde verdadeiros paraísos em praias como as de Alteirinhos, Nossa Senhora, Arquinha e Tonel. No verão, que entra hoje, empresta-nos a ideia de estarmos a conviver numa espécie de extensão de Cascais. Goste-se ou nem por isso, mesmo nos meses quentes é divertido.

E daqui a um mês e 11 dias começa o Festival do Sudoeste. O ambiente transforma-se e os arrabaldes da aldeia também. Não resisto. Gosto muito do Alentejo!

Os mundos fantásticos da escritora Gorette Jardim

Não parece mas ela é tímida. Se calhar por isso é que escreve. E se calhar também é por isso que pinta. Num destes dias reuniu as duas coisas numa só, acreditou em si própria e surpreendeu quem dela já muito sabia e os outros que começam a querer saber mais.

Dá pelo título de ‘Uma Aventura no Mundo de Graian’ o primeiro livro de Gorette Jardim que, apesar de escondida no pseudónimo Valentina d’Espirais, mostra a cara e um cativante sorriso quando lhe pedimos para falar deste desafio. Já conquistado diga-se, pela coragem que merecem reconhecida todos os autores decididos a publicar no Algarve.

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Pela mão da Arandis ganhámos uma nova escritora e uma obra que nos derrete o coração. Esta ‘aventura’ começou por ser um conto levado ao concurso Agostinho de Cultura, da editora Adonis, no Brasil, onde obteve o segundo lugar. Depois cresceu para um formato ilustrado pela própria autora que, há cinco anos, trocou a agitação de Faro pela tranquilidade de uma quinta no interior do concelho de Silves.

Foi aqui que se inspirou para escrever a estória de Mateus, o menino brasileiro e disléxico que vive no barrocal algarvio onde conhece Grifalda, uma menina-árvore. Os dois partem à aventura pelo mundo de Graian. Durante a viagem pelos elementos terra, fogo, água e ar, Mateus vai descobrindo novas realidades e seres fantásticos, confronta-se com os seus medos mais profundos e sendo obrigado a tomar decisões sobre o seu e o futuro de Graian.

“Apesar de ter sido escrito para um público infanto-juvenil, a estória aborda a superação de dificuldades e a necessidade de fazermos escolhas para resolvermos os problemas que nos vão surgindo. Isto, a meu ver, adequa-se a qualquer idade”, sublinha a escritora que, na forja, já tem mais duas estórias. Em ambas, é da fantasia que emergem questões tão pertinentes e atuais como o bullying e a amizade. Aguardamos com expetativa.

Para já deixemo-nos envolver por ‘Uma Aventura no Mundo de Graian’. À venda por 12 euros, o livro pode ser adquirido através da editora Arandis ou em diversas livrarias, hipermercados e quiosques, entre outras lojas.

De Gorette convém dizer ainda que viveu no Brasil e, a par de muitas atividades como instrutora de Hatha Yoga e terapeuta de Massagem de Som, é professora do ensino básico, tem formação em Língua Gestual Portuguesa e especialização em Educação Especial no Domínio da Comunicação e Fala. É mestre em Comunicação, Cultura e Artes com Especialização em Teatro e Intervenção Social e Cultural.

Uma mulher de quem nos orgulhamos de conhecer e de gostar dela!

Quando todos os caminhos vão dar à mesma RUA o melhor é ouvi-los

Há uma rua por onde todos gostam de andar. Que se escreve com letra maiúscula e é feita por gente grande.

É de mérito que falamos quando a conversa é sobre a Rádio Universitária do Algarve. E falar da RUA sem falar primeiro de Fúlvia Almeida é incontornável. A diretora da antena deu uma volta de 180 graus a um projeto com mais de 14 anos, para reinventá-lo com inteligência e criatividade. De 2016 para cá, a rádio tem uma imagem moderna e hiper atual. Trabalho fácil? Nem por isso. Limpar a casa, desinstalar rotinas e alterar quase tudo, pode causar amuos e outras mágoas. A coragem é por isso critério exigido a quem assume desafios que impliquem mudança.

Mas se há coisa que Fúlvia Almeida tem para dar e vender é humildade. Sem querer levar os louros para casa, faz a sua justa distribuição pelos que a acompanham à frente e atrás dos microfones. Sónia Rosa é o outro elemento forte desta equipa que conta com Filipe Cabeçadas na construção de uma playlist seletiva e extremamente cuidada. Por isso dá gosto ouvir a RUA entre as 06h e as 20h.

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São no entanto 24 as horas de emissão diária em que podemos sintonizar os 102.7 MHz. Os programas de autor ocupam a grelha a partir das oito da noite para nos acompanharem até às seis da manhã, altura em que a RUA começa a desafiar em direto os ouvintes.

Das 08h às 10h é obrigatório pararmos para um ‘café duplo’ e à tarde há um ‘sentido obrigatório’ numa estação por onde passam todos os dias entrevistas, tertúlias, reportagens, conferências e outros géneros que nos vão ensinando coisas, ao mesmo tempo que nos divertem a sério.

Tudo feito por mais de 20 voluntários. Há os que vestem a camisola da Universidade do Algarve e querem ganhar balanço nas ondas hertzianas, mas também muitos colaboradores. Uns vêm desde a inauguração do projeto, outros foram chegando para ficar.

Agora, vamos lá saber a verdade: ainda não é ouvinte assíduo? Então tem perdido muito do bom que se faz numa rádio onde profissionalismo e jovialidade, só não são sinónimos, porque nenhum dos dois é dispensável. Por isso, sintonize de vez a RUA e faça-se fã. Eu já sou!RUA 3

*Foto de Fúlvia Almeida gentilmente cedida por Bruno Filipe Pires

O melhor lugar de Faro para enchermos a barriga de mimos

É muito bom podermos escolher um restaurante sem ser apenas pela comida. Mesmo que à saída sejamos assaltad@s pelo arrependimento. Não por lá termos ido, mas por termos mais olhos do que barriga.

Tirando este inocente senão, tudo o resto são verdadeiros mimos que nos vão chegando à mesa. Nem todos empratados. Do casal Rosa e João recebemos mais do que tapas servidas à moda do Alentejo no que toca à quantidade. Só uma das variadas iguarias que nos chegam da cozinha serve perfeitamente de refeição, mas isto só é verdade para quem consegue sair sem encher aquele vazio de curiosidade mal satisfeita e experimentar mais das muitas propostas que nos estimulam o apetite.

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O ambiente descontraído, a simpatia oferecida nos sorrisos do João e da Rosa, o humor mal disfarçado do Rui, o teto acolhedor, as galinhas que nos espreitam dos quadros e a música em tom q.b., são suficientes para ignorarmos a dureza das cadeiras de madeira, as paredes um pouco despidas e a luz fria que até não cai tão mal assim quando estamos no verão. Meros pormenores quando o assunto é a comida do ‘Miminhos Caseiros’.

Podia falar muito dela, da comidinha, que sabe mesmo a caseira, mas deixo apenas uma espécie de couvert: choquinhos, bacalhau, carapaus e camarão são alguns dos protagonistas de um jantar bem animado no nº 6 da travessa Castilho. E uma dica importante: vão de barriga vazia e comecem pela tapa mais leve. Para poderem pedir mais, sem sentimentos de culpa.MC 1_1

Até setembro só abre à noite porque a isso o verão obriga. Mas com os dias frios chegam os almoços com sopas de grão e outras delícias de panela que nos fazem sentir realmente em casa. Os grupos são bem-vindos e quem vem de longe também. Até há quem abale de Lisboa já com mesa reservada, o que é ‘obrigatório’ entre quinta-feira e domingo. Ah, e não saia sem deixar um miminho. Pode ser só um sincero e merecido obrigad@.

De barco até Ayamonte pelo doce rio Guadiana

O Algarve tem isto. Num saltinho deixa-nos ali em Espanha.

Desta vez o carro fica em Vila Real de Santo António e fazemos a travessia fluvial que, para além de rápida, oferece-nos a real sensação de estarmos a viajar para fora do nosso País.

Não podendo comparar-se a um verdadeiro cruzeiro, os 30 minutos de viagem até à outra margem do Guadiana são no entanto bastante aprazíveis e abrem-nos tempo e hipóteses ao convívio com passageiros de várias nacionalidades. Para além disso levam-nos a recordar a época em que os portugueses fintavam a guarda fronteiriça para salvar os caramelos, a fruta enlatada e muitas outras novidades que, embora por vezes de qualidade duvidosa, tinham rótulos diferentes e um sabor especial só porque vinham do estrangeiro e conferiam estatuto a quem conseguia trazê-los escondidas, sabe-se lá onde.

Ayamonte1Ir de carro é confortável, prático e de pouca inteligência se não aproveitarmos a oportunidade para atestar o depósito a preços que nos matam de inveja. Mas fazer a travessia até ao cais de Ayamonte e imaginar os tempos em que nenhum de nós pertencia à zona euro… bem, não é que crie uma emoção assim tão grande, mas tem um lado romântico nos nossos dias.

Nos tempos de agora, para quem não vai a Ayamonte fazer compras no Mercadona e gosta mesmo é de respirar os ares de Espanha e comer umas tapas valentes, a oferta está muito mais atraente. São várias as propostas desde a Plaza de La Laguna, passando pela rua Angustias (com a bonita Iglesia de Nuestra Senora de las Angustias) até à Plaza de la Coronácion. Aqui, de frente para a marina, encontramos a galardoada Casa Barberi, que celebra este ano um século de existência e destaca-se por dois requisitos essenciais a quem gosta de comer: a cozinha é excelente e a simpatia dos ‘velhos’ empregados também. As puntillitas e os boquerones são iguarias a experimentar e sabem sempre a fresco. Como a cerveja Cruz Campo: é boa quando geladinha.

AyamonteSe for ao dia de semana já sabe: tem de esperar pelas cinco da tarde até que o comércio tradicional volte a abrir. Mas pode aproveitar a siesta de nuestros hermanos para visitar o Museo de Munecas Antiguas ou o Ecomuseo Molino Mareal del Pintado.  Embora não integrem as maiores belezas da Andaluzia, são espaços culturalmente interessantes.

Por isso vão, divirtam-se e sintam-se bem nesta simpática cidade espanhola. Até porque, para além das lojas já muito mais modernas e inúmeras esplanadas soalheiras, Ayamonte deixa-nos à vontade para, lá mais para o fim do dia, querermos um bocadinho de silêncio nos ouvidos. É quando nos apetece voltar para casa. E temos sorte.  Portugal é logo ali.