O jornalista que brinca à ‘bola branca’

O meu amigo Rui Viegas é das melhores pessoas que existem no mundo. E quem discordar disto, das duas, uma: não o conhece, ou conhece-o mal! Em ambos os casos não há rancor a guardar, mas sim um convite a fazer. Já lá vou.

Se alguém gostasse de ter um amigo para todos os momentos da vida, escolhia o Rui. Eu por acaso não o escolhi. Nem ele a mim. Acho que nem reparámos que éramos amigos até darmos conta da alegria que sentíamos quando nos encontrávamos. Agora essas vezes são raras, porque os amigos fazem-nos coisas como esta: vão-se embora. Restam-nos as muitas recordações e ficarmos a acenar de longe, como quem os chama de volta.

Rui 2

No caso do Rui, a vantagem é encontrá-lo quase todos os dias a surfar nas ondas hertzianas da Renascença. Mesmo sem nunca me ter habituado a gostar de futebol, lá vou ouvindo o Bola Branca para fazer de conta que ele está aqui. A outra vantagem é termos sempre uma vontade quase frenética de contarmos as novidades e as coscuvilhices que se vão passando nas nossas vidas e isso obriga-nos a uma agenda rigorosa de encontros anuais. Uma espécie de cimeira que nos leva quase sempre a derivar para algumas das delirantes memórias dos tempos que nos colocaram no mesmo caminho, há uns anos atrás. No século em que apareceram os canais privados e as reportagens eram feitas em contra-mão para não perdermos o lugar no alinhamento dos noticiários.

Porque, apesar do ar bonacheirão e cara de miúdo, o Rui Viegas é um homem grande que se fez um profissional a sério. Razão para, nós algarvios, nos orgulhamos dele, apesar de São Brás de Alportel e Faro terem perdido para Lisboa um dos jornalistas mais válidos da sua geração.

Não queria com isto escrever a biografia do Rui. O que realmente quero é falar de um amigo, sem outro pretexto que não seja o de gostar mesmo muito dele e querer homenageá-lo. A ele, o puto que se fez homem, pai e senhor de uma voz maliciosa que não consegue esconder a diversão com que vive a vida. Razão talvez do seu receio de morrer sem ter tido tempo para tocar e amar suficientemente as pessoas!

O convite era este: mesmo sem conhecê-lo, vão à bola com ele.

 

Um jantar inesquecível na melhor tasca da capital algarvia

Este é um daqueles casos em que, por muito que se queira encontrar um defeito, não conseguimos. E não é o calor que nos faz andar mais desvairados e condescendentes que torna o elogio a melhor expressão para definir um espaço perfeito.

Cumprindo o hábito de deixar o melhor para o fim, começo já por dizer que ir comer à tasca do joão é viver uma experiência invulgar. Assim que chegamos, satisfaz-nos a certeza absoluta de não nos termos enganado na escolha. Depois, lá mais adiante, logo se verá.

Aqui todos os elementos são os mais certos no lugar certo. As madeiras escoriadas das Tasca 6

tasca

janelas e dos armários, as cadeiras revivalistas, os bancos aconchegados em almofadas bonitas, a luz fraca na esplanada, o azul que impera no ambiente e as mesas sem toalhas que tanto aprecio. E assim, logo à primeira, gosta-se imediatamente do João, dono de um profissionalismo extraordinário que merece ser copiado.

Tudo corre bem até chegarmos ao menu de tapas e carta de vinhos. Quando esta estória passa a um capítulo praticamente indescritível. Alinhados em sabores verdadeiramente desconcertantes, os petiscos que saem da cozinha trazem vestígios de um mistério, adensado à medida que a mesa começa a ficar curta para acolher as tantas prevaricações do apetite.

A acompanhar o ritmo da água que canta na fonte luminosa ali ao centro do largo Pé da Cruz, desfilam petiscos tão ‘banais’ como chouriço salteado com mel e tomilho, filete de biqueirão, lingueirão ao alho, tosta de cavala, tiras de porco preto com alho… A banalidade fica-se, claro, pela denominação de cada um destes pitéus profundamente divinais, que nos induzem à convicção de estarmos a comer pela primeira vez na vida.

Tasca 4As temperaturas altas nestas noites de verão exigem um branco e até nisso temos sorte, porque como o João pensa em tudo, o vinho permanece fresquinho até à última gota.

E agora o epílogo. Aquela parte em que a indiscrição chama à nossa presença o grande culpado disto tudo. E esta é a única vez em que engolimos em seco. Gonçalo, um dos futuros melhores cozinheiros do Mundo, tem apenas 21 anos. E por hoje dele não digo mais nada. O dom deste jovem com um sorriso melodioso merece um dia só para ele. Ah se merece!

E porque não me canso de dizê-lo, repito: gosto muito d’a tasca do joão. E gostava que continuasse a fazer parte da nossa vida durante muito tempo. Até nos aborrecermos de gostar de estar aqui. Ou seja…

Entre ilhas e falésias o que eu quero é o Algarve

Aposto que não há no mundo outra região que, em menos de cinco mil quilómetros quadrados, consiga suportar tantas coisas belas assim: uma costa arrebatadora, a serra carregada de verde, cidades com um tremendo peso histórico, aldeias que se preferem sempre sossegadas e um sol que incendeia isto tudo com uma luz inigualável.

Falar de todos estes tesouros de uma vez só não cabe aqui. Por isso, e porque é verão, fiquemos pela zona do litoral e pela sua extravagância de se arquitetar em dois planos tão sublimes: num lado, as nossas românticas ilhas mergulhadas neste mimo da natureza que é a Ria Formosa e, no outro, as majestosas falésias que parecem querer reinar no resto da terra. Se tivéssemos de inventar uma região tão pequenina como esta, nunca nos lembraríamos de juntar duas virtudes tão grandiosas. Mas é o que temos….

E se tivesse de escolher hoje qual dos dois lados do Algarve gosto mais, afundava-me num sério dilema. Por isso, não será hoje!

Ria FormosaPara aqueles dias em que a única coisa boa da vida é virarmos costas a tudo para descansar o espírito e o corpo, adivinha-se o destino certo: o Sotavento. Ele é feito de praias lisas, aguinha morna, brisas carinhosas e esta corrente salgada que sai do mar para se balançar de mansinho entre as ilhas até chegar a terra. Ninguém tem uma ria como esta e só esta podia ser formosa.

Depois temos aqueles dias em que só nos apetece deixar que o coração se agite e corremos ao encontro do vento, porque nenhuma outra coisa nos satisfaz mais do que fazer parte da energia que anda sempre solta de Sagres para cá. O oeste é ao mesmo tempo bravio e terno, porque as suas ondas furiosas constroem castelos de rocha e areia onde nos reconciliamos com a sina de viver aqui. O Barlavento é soberbo.

Mesmo à noite, quando já as sombras nos escondem o azul do mar, quando o sol deixa cordialmente entrar a lua e o mundo parece estar em paz, o litoral do Algarve é único. Sabe a-mar.

As (muitas) mulheres de Milai Miu despem-se na Casa do Jardim

Para mim faz mais sentido se começar por falar do ‘amor-próprio’. O vídeo performance em que Milai Miu se liberta de velhos estereótipos, despe a roupagem de mulher- modelo/mulher- vítima e solta-se para partir em direção a um caminho novo.

Assim, também é mais fácil começar, porque posso fazê-lo exatamente neste ponto crucial: o caminho novo. Para já porque, falar de Milai Miu e falar de SUMMA, a sua primeira exposição a solo, são dois exercícios tão intrinsecamente ligados que não consigo desprender-me de um para pegar no outro.

Este caminho novo, um dos muitos que já lhe pertencem há quatro décadas, começa a ganhar vida mais precisamente em e com SUMMA, quando decide revelar-se e revelar-se-nos em múltiplas facetas, todas no feminino. Na palavra roubada ao grego antigo (summa=soma) a artista encontra o espaço ideal para desmontar cada uma delas e mostrá-las num processo tão espontâneo, que atinge uma simbiose quase perfeita. Quase, porque se fosse perfeita, estaria esgotada e Milai não se esgota. Ela explica-se e explica-nos a homenagem às “muitas mulheres antigas que nela habitam”, mas também às outras.

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“Nesta minha viagem, encontro, passagem, consciencialização do feminino, apercebi-me das suas várias facetas, bem como da influência que várias mulheres amigas têm sobre mim. Por isso, sou a SUMMA de todas essas mulheres interiores e exteriores”, assume Milai que, nesta exposição, preferiu por isso não estar só, embora a quem nasce para fazer arte não reste outra condição que não essa.

No vídeo “saia rodada” surgem várias mulheres, unidas pelo ritmo (ou pelo abraço?) da dança e depois mais mulheres convidadas a definir (ou a definir-se), o conjunto de obras expostas na casa às riscas da Alameda.

Tudo interior, tudo sensações, tudo sentimentos, que se somam na versão plástica de uma artista pronta a deixar-se esculpir por um fremente desejo de transgressão. Umas vezes muito subtilmente, noutras com um despudor intenso. Mas sempre dramático.

Não vos disse? Falar de SUMMA é falar de Milai Miu. Mas este registo é apenas um ínfimo detalhe numa metamorfose que já não se contém, que não quer nem pode ficar contida. Esperamos que sim. De uma artista multifacetada espera-se tudo!

Entrem na Casa do Jardim (Jardim da Alameda), em Faro e comecem pelo ‘amor-próprio’, porque é melhor começar com um arrepio a atravessar-nos a pele.

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Milai Miu (Maria Adelaide Fonseca) nasceu nas Caldas das Taipas e reside no Algarve desde 1993, altura em que começou a trabalhar em teatro, performance, cinema, artes plásticas e visuais e em fotografia. SUMMA-Exposição de Instalação e Vídeo, pode ser visitada até 12 de agosto, de 3ª a sábado, das 16h30 às 18h30.

Se eu mandasse acabava com o Baixa Street Fest em dois meses

Juro que tinha jurado não falar sobre isto! Por uma razão apenas: não há nada de novo para se dizer. Mas, como juras leva-as o vento e quem conta um conto pode acrescentar um ponto ou outro, não resisti a deixar uma nota, apenas uma breve nota, sobre o Baixa Street Fest.

Não gosto! E ai de mim se ficasse por aqui. Porque o que realmente não gosto é do tamanho do calendário que permite à cidade de Faro transbordar tantas emoções nas noites de sexta. Era bom que fosse o verão todo, mas como de um ano para o outro a iniciativa pulou de um, para dois meses, pode ser que nas próximas estações… Três meses era o ideal. Para o calor não vir em vão.BAIXA 3

Do que eu gosto realmente é de ver tanta gente junta na mesma rua. Os apontamentos musicais, os espetáculos circenses e até mesmo os momentos de diversão espontânea, são pérolas insubstituíveis na animação noturna. Depois temos as lojas abertas até às tantas, com uma atraente redução de preços e os restaurantes da baixa a oferecerem-nos propostas mais do que tentadoras, que nos levam a irremediáveis estragos, próprios do fim de semana. E tudo isto é importante. Mas do que eu realmente mais gosto é de ver tanta gente lado a lado, unida numa tão desafetada intenção: aproveitar a oportunidade de agarrar a alegria e aliviar o outro lado menos leve da vida.BAIXA 1

Se para espevitar uma cidade que durante tanto tempo andou tão cabisbaixa é preciso reinventar a ‘baixa’, mais vale que assim seja. Porque quando se trata de revitalizar economias e o espírito participativo, qualquer pretexto despido de maus propósitos é, na minha opinião, muito válido.

Aceito quem está contra a ideia ao abrigo de preceitos políticos. Ou quem se sustenta no argumento de ser este mais um plano ilusório de quem quer ser feliz e que a vida não pode ser sempre festa. Pois não pode! Por isso é que só acontece uma vez por semana, durante dois magros meses do ano. E bem podiam ser três, que não nos fazia mal nenhum… Por isso hoje à noite vou passar por lá. Porque só nos sobram mais quatro sextas-feiras. Pura maldade, já que setembro é um mês tão bom…!

Fotos gentilmente cedidas pelo Baixa Street Fest

Quatro razões para ir à praia

Serão mais saudáveis as pessoas que vivem junto ao mar? A ciência garante que sim! Seguindo à risca esta premissa mundial, podemos concluir sem risco de dar lugar à insolência que nós, os algarvios verdadeiros e os ‘emprestados’, andamos todos de corpo e alma em forma.

Saber isto já seria suficiente para sustentarmos o mais pobre que fosse dos argumentos para justificarmos o vício de ir à praia. Faça verão ou inverno. Mas como às vezes gostamos de saber o porquê das coisas, podemos acrescentar um pouco de sabedoria à nossa vidinha maravilhosa passada aqui na orla do oceano.

Os benefícios da praia para a nossa saúde são inúmeros, mas quatro deles chegam para nos empurrarem para as ondas do mar o mais depressa possível. Por palavras simples, aqui fica a explicação do que acontece quando estamos em qualquer um dos dourados areais do Algarve:

1-As ondas do mar produzem íons negativos que aceleram a capacidade do nosso corpo para absorver oxigénio e estabilizar os níveis de serotonina (aquele hormónio fundamental para andarmos mais contentes). Só por isto já valia a pena…!Benefícios da praia

2– Os murmúrios do mar ativam uma parte do nosso cérebro, o córtex pré-frontal, onde estão ‘alojadas’ as nossas emoções. Daí sentirmos que o mundo nos saiu de cima dos ombros quando chegamos à praia. Porque somos invadidos por uma sensação de paz e de relaxamento, propícios à reflexão. Será por isso que vamos passear junto às ondas quando queremos pensar num assunto importante?

3– O som cadenciado do mar, mesmo quando está agitado, é um calmante natural e tem ainda um outro efeito positivo na nossa saúde física e mental: baixa os níveis de cortisol (mais um hormónio), responsável por despoletar doenças associadas ao stress. Assim sendo, funciona como uma excelente terapia de prevenção.

4– A imagem que o oceano nos oferece também contribui para o nosso bem-estar, proporcionando-nos uma sensação de segurança. Os neurocientistas explicam que este fenómeno ocorre porque os seres humanos gostam de ambientes estáveis e previsíveis. Ora bem, chegados aqui não vamos pensar em coisas ruins, do género tsunamis ou tubarões martelo (que não fazem mal a ninguém)…Vamos mas é mergulhar de olhos abertos e deixar que se roa de inveja quem não teve este privilégio de nascer junto ao MAR! E há coisa melhor?

Pedalar também serve para conhecer o Algarve inteiro

Conhecer o Algarve de uma ponta à outra é um sonho concretizável…de bicicleta. Assim à primeira vista a ideia pode parecer arrojada, mas a verdade é que já anda por aí muita gente a desbravar estradas, caminhos e trilhos entre o litoral e a serra, em cima de duas rodas.

Dizem os peritos na modalidade que esta é a melhor opção para usufruir das nossas imensas belezas naturais, conhecer caminhos e povoados antigos e chegar aos mais intrépidos lugares da região, onde raros são os que tiveram a oportunidade de pisar.

Para dar uma ajuda a quem quer levar isto a sério, a Região de Turismo do Algarve até lançou um guia de percursos cicláveis. A edição, feita em parceria com a Federação Portuguesa de Ciclismo, abrange os 16 concelhos algarvios e apresenta os passeios organizados em três zonas: este, central e oeste.

O que vem mesmo a calhar é os percursos serem apresentados por níveis de dificuldade para que todos possam participar sem ficar para trás. Entre o mais fácil e o mais exigente, pode escolher o seu percurso preferido consultando os detalhes através do QR Code (código de barras bidimensional) disponível para cada um dos trajetos, ao qual é possível aceder a partir de um dispositivo móvel.

Alguns percursos são tão acessíveis que podem ser utilizados em família. Outros, requerem experiência e uma excelente condição física. Mas todos nos abrem caminho a momentos de profundo deslumbramento. A Reserva Natural do Sapal de Castro Marim, a romântica aldeia de Cacela Velha, a Costa Vicentina, a Ria Formosa, Vilamoura, as refrescantes barragens do interior e os picos mais altos da região como a Fóia, são apenas alguns dos muitos apontamentos que pode ir registando nesta  aventura pelo Algarve inteiro… em duas rodas.

Distribuído gratuitamente o Guia dos Percursos de Ciclismo de Estrada está disponível no Portal do Turismo do Algarve em versão PDF. Agora já não tem desculpas! Percursos Cicláveis

http://www.visitalgarve.pt/pressroom.file.php?fileID=234&file=algarvepercursosciclismo_pt_v.web_5maio2017.pdf

Provar antes de comprar conservas portuguesas é moda em Portimão

Há muito tempo que a curiosidade me empurrava para o outro lado do vidro onde seis mesinhas quadradas me propunham um tranquilo entardecer dominado pelo mais português dos sabores portugueses. Até que na semana passada foi possível enganar o tempo para conhecer mais de perto este projeto singular com nome de mulher: Maria do Mar.

Singular porque juntou num único conceito duas formas de nos entendermos em… conservas. A venda ao público e a degustação. Ambas tão apelativas quanto as centenas de latinhas coloridas que decoram o expositor do tamanho de uma parede, para lá caberem as 330 variedades de atum, sardinha, cavala e outras especialidades capazes de nos abrir o apetite mesmo às horas em que não se come.

Com preços que variam entre os 2,90€ e os 6,50€, o menu de degustação põe-nos um pouco à deriva. Por uma razão única: querermos comer tudo numa única vez, tão grande é a vontade de nos embriagarmos com sabores tão antigos, tão intensos, tão nossos. Salva-nos a habilidade da simpatiquíssima Rosário Peixinho, para nos decidirmos por onde começar.

Se optar pelo paté de truta com vinho do porto ou a tiborna de cavala enfeitada com uma salada muito suave e aromatizada, fará uma ótima escolha. Mas o mais certo é ter de lá voltar porque quase todas as propostas do menu apresentam a opção picante. E já sabe que pode saborear no local ou levar para casa. Ou as duas coisas, porque qualquer um destes petisquinhos são tão práticos e generosos que nos servem de refeição.loja_1

A ideia ganhou espaço na Rua Direita, em Portimão, pela inspiração de dois homens que partilham um nome e o gosto pelas conservas portuguesas. Em cinco anos Pedro Franco e Pedro Estorninho fizeram com que a Maria do Mar caísse no goto de muita gente. Os turistas já procuram a casa, mas os clientes habituais são residentes e visitantes nacionais, rendidos à mítica iguaria que continua a alimentar a cultura portuguesa. Sobretudo desde que passou a ser reconhecida como produto de elevado valor nutricional, com lugar reservado na dieta mediterrânica. Daí a conquistar o estatuto gourmet foi um passo, mas um passo importante, por trazer nova vida ao mercado e a muitas marcas de prestígio que se apuram cada vez mais em novas variedades de sabores.lata

Satisfeita uma curiosidade, faltava outra, tão original quanto a primeira. O nome do nº 89 da Rua Direita é inspirado no filme do cineasta Leitão de Barros (1930), considerado um dos mais importantes na história do cinema nacional: Maria do Mar.

Que inveja dos ‘mosses’ que comem em Olhão

Confesso que não sei quando se começou a gostar de Olhão. E muito particularmente quando é que os farenses deram tréguas à velha e quase tribal rivalidade entre as duas cidades para, como os outros, se renderem aos encantos da cidade cubista. Sobretudo aos gastronómicos.

Quem quer comer bem, sabe que pode e deve ir a Olhão. Como a maioria não desilude no serviço nem na qualidade da comida, difícil é escolher o restaurante. Exceto ao almoço de domingo. Nesse dia é o restaurante que nos escolhe a nós. Se tivermos sorte.

A romaria começa numa e acaba na outra ponta da avenida 5 de Outubro. No ‘dia das famílias’, como é conhecido o domingo em Olhão, ir sem avisar pode custar um bocadinho mais caro: ficar sem almoço, ou acabar de comer lá para as cinco da tarde.

Durante o verão não é necessário que chegue o sétimo dia da semana para vivermos também a experiência interessante de andar pela baixa da cidade com a sensação de termos viajado para fora do nosso País. É que, se já são muitos os nacionais a reconhecer a qualidade da gastronomia olhanense, são tantos ou mais os estrangeiros que nos roubam os lugares no estacionamento e à mesa. Os espanhóis andam quase sempre em força, mas franceses e ingleses já têm lugar cativo na cidade, talvez induzidos pelo chef internacional Jamie Oliver ao ‘galardoar’, com rasgados elogios, os restaurantes locais na sua revista jamiemagazine.

Sem título

Num destes domingos, passei por lá sem avisar ninguém… Já a fome me mandava ir para casa quando consegui um lugarzinho para almoçar perto das quatro da tarde. E ainda tive de esperar mais um bocadinho até à primeira garfada para não gorar o encantamento do grupo de caravanistas franceses que tentava devorar com os olhos a minha espetada de lulas. Já todos de barriga cheia (lá está, eles são sempre os primeiros a chegar…), iam-me fazendo desmaiar pela vontade de perpetuarem o delicioso momento em intermináveis ”Oh, très joli…, très joli…très joli…!”

Pois bem, bonitos e… fresquinhos. Peixe, marisco e tudo aquilo que é possível saltar do mar para o prato, aconselha-se vivamente em Olhão. Já sabe, com reserva ao domingo, para poder dar-se ao luxo de apreciar sem pressa um bom prato típico olhanense e depois regalar-se com a vista maravilhosa da Ria Formosa, que dizem ter esta cidade no coração.

Fotos de Ana Passos

Onde é que eu tinha a cabeça para ir ao campo?

Eu sei que esta mania de ir para o campo em tempo de verão não cabe na cabeça de ninguém. Mas ele há coisas… Apesar de cedermos ao fascínio da praia como refresco mais próprio para pele e espírito num dia escaldante, a verdade é esta: há sempre lugar a um capítulo menos feliz na vida de qualquer um. Eu disse infeliz?

Oh, não! Estamos a meio da semana, aceitem por favor o bom humor… Porque entrar neste templo da natureza leva-nos a tudo menos à tristeza, provoca-nos tudo menos arrependimento e proporciona-nos tudo aquilo que jamais encontraremos à beira-mar. A Fonte da Benémola é dos locais mais encantadores do Algarve.

Para aproveitar ao máximo este verdadeiro monumento natural, faça-se ao caminho pelo percurso pedestre apresentado à entrada da área protegida, que abrange 390 hectares de envolvente beleza.

São 1500 metros a andar para viver um dia magnífico sob o ‘risco’ de travar conhecimento com bichinhos tão raros e amorosos como a lontra, o animal mais emblemático da Fonte da Benémola, verdadeiro santuário para inúmeras outras espécies exclusivas do barrocal algarvio.

 Aproveite o perfume do alecrim, do tomilho, do zimbro, do rosmaninho e das estevas mas resista à tentação de colher alguma das lindíssimas flores que vão ornamentando o seu passeio. A flora aqui também é única e por isso mesmo merece ser preservada. E amada! image

Se tiver de usar algum dos recursos oferecidos pelo local, escolha a água fresca da ribeira da Menalva, que atravessa uma paisagem a pulsar de vida selvagem para fazer deste sítio qualificado no concelho de Loulé, um dos mais ricos do País em matéria de ecossistemas geológico e paisagístico. Relaxe junto às lavadas ou aos açudes, os pontos mais refrescantes para um dia de calor.

Com fome e sede? Então suba à aldeia de Querença e respire a tranquilidade que nos recebe no Largo da Igreja. Mas não se esqueça: é aqui que podemos perder um bocadinho o juízo se resolvermos gozar a cozinha tradicional… Galinha cerejada, xarém, licores, mel…Eu avisei!