Provar antes de comprar conservas portuguesas é moda em Portimão

Há muito tempo que a curiosidade me empurrava para o outro lado do vidro onde seis mesinhas quadradas me propunham um tranquilo entardecer dominado pelo mais português dos sabores portugueses. Até que na semana passada foi possível enganar o tempo para conhecer mais de perto este projeto singular com nome de mulher: Maria do Mar.

Singular porque juntou num único conceito duas formas de nos entendermos em… conservas. A venda ao público e a degustação. Ambas tão apelativas quanto as centenas de latinhas coloridas que decoram o expositor do tamanho de uma parede, para lá caberem as 330 variedades de atum, sardinha, cavala e outras especialidades capazes de nos abrir o apetite mesmo às horas em que não se come.

Com preços que variam entre os 2,90€ e os 6,50€, o menu de degustação põe-nos um pouco à deriva. Por uma razão única: querermos comer tudo numa única vez, tão grande é a vontade de nos embriagarmos com sabores tão antigos, tão intensos, tão nossos. Salva-nos a habilidade da simpatiquíssima Rosário Peixinho, para nos decidirmos por onde começar.

Se optar pelo paté de truta com vinho do porto ou a tiborna de cavala enfeitada com uma salada muito suave e aromatizada, fará uma ótima escolha. Mas o mais certo é ter de lá voltar porque quase todas as propostas do menu apresentam a opção picante. E já sabe que pode saborear no local ou levar para casa. Ou as duas coisas, porque qualquer um destes petisquinhos são tão práticos e generosos que nos servem de refeição.loja_1

A ideia ganhou espaço na Rua Direita, em Portimão, pela inspiração de dois homens que partilham um nome e o gosto pelas conservas portuguesas. Em cinco anos Pedro Franco e Pedro Estorninho fizeram com que a Maria do Mar caísse no goto de muita gente. Os turistas já procuram a casa, mas os clientes habituais são residentes e visitantes nacionais, rendidos à mítica iguaria que continua a alimentar a cultura portuguesa. Sobretudo desde que passou a ser reconhecida como produto de elevado valor nutricional, com lugar reservado na dieta mediterrânica. Daí a conquistar o estatuto gourmet foi um passo, mas um passo importante, por trazer nova vida ao mercado e a muitas marcas de prestígio que se apuram cada vez mais em novas variedades de sabores.lata

Satisfeita uma curiosidade, faltava outra, tão original quanto a primeira. O nome do nº 89 da Rua Direita é inspirado no filme do cineasta Leitão de Barros (1930), considerado um dos mais importantes na história do cinema nacional: Maria do Mar.

Que inveja dos ‘mosses’ que comem em Olhão

Confesso que não sei quando se começou a gostar de Olhão. E muito particularmente quando é que os farenses deram tréguas à velha e quase tribal rivalidade entre as duas cidades para, como os outros, se renderem aos encantos da cidade cubista. Sobretudo aos gastronómicos.

Quem quer comer bem, sabe que pode e deve ir a Olhão. Como a maioria não desilude no serviço nem na qualidade da comida, difícil é escolher o restaurante. Exceto ao almoço de domingo. Nesse dia é o restaurante que nos escolhe a nós. Se tivermos sorte.

A romaria começa numa e acaba na outra ponta da avenida 5 de Outubro. No ‘dia das famílias’, como é conhecido o domingo em Olhão, ir sem avisar pode custar um bocadinho mais caro: ficar sem almoço, ou acabar de comer lá para as cinco da tarde.

Durante o verão não é necessário que chegue o sétimo dia da semana para vivermos também a experiência interessante de andar pela baixa da cidade com a sensação de termos viajado para fora do nosso País. É que, se já são muitos os nacionais a reconhecer a qualidade da gastronomia olhanense, são tantos ou mais os estrangeiros que nos roubam os lugares no estacionamento e à mesa. Os espanhóis andam quase sempre em força, mas franceses e ingleses já têm lugar cativo na cidade, talvez induzidos pelo chef internacional Jamie Oliver ao ‘galardoar’, com rasgados elogios, os restaurantes locais na sua revista jamiemagazine.

Sem título

Num destes domingos, passei por lá sem avisar ninguém… Já a fome me mandava ir para casa quando consegui um lugarzinho para almoçar perto das quatro da tarde. E ainda tive de esperar mais um bocadinho até à primeira garfada para não gorar o encantamento do grupo de caravanistas franceses que tentava devorar com os olhos a minha espetada de lulas. Já todos de barriga cheia (lá está, eles são sempre os primeiros a chegar…), iam-me fazendo desmaiar pela vontade de perpetuarem o delicioso momento em intermináveis ”Oh, très joli…, très joli…très joli…!”

Pois bem, bonitos e… fresquinhos. Peixe, marisco e tudo aquilo que é possível saltar do mar para o prato, aconselha-se vivamente em Olhão. Já sabe, com reserva ao domingo, para poder dar-se ao luxo de apreciar sem pressa um bom prato típico olhanense e depois regalar-se com a vista maravilhosa da Ria Formosa, que dizem ter esta cidade no coração.

Fotos de Ana Passos

Silêncio, que estou a meditar!

É provável que já se tenha imaginado muito confortavelmente sentado no chão, com as pernas cruzadas e as costas direitas, naqueles momentos em que parece ter reunido coragem para começar a meditar. Mas…. esta posição não é nada cómoda para quem nunca a experimentou e nos primeiros dias o mais que pode acontecer é sentir o corpo a reclamar. De meditação…nem sinal. Não desanime ainda. Meditar é possível!

Primeiro temos de considerar um facto importante: meditar exige uma mente cem por cento consciente e zero por cento pensante, pelo que há algum trabalho a fazer antes de conseguir chegar lá. O segredo é começar por uma prática holística, que lhe permita reconquistar o pleno equilíbrio entre corpo, mente e emoções. Assim, sim. Estará preparado para alcançar resultados, embora até atingir o tal estado de mente zero por cento pensante, sejam necessários muitos meses de prática diária. Mas compensa, perante os benefícios que vêm depois. Um deles é o permanente estado de serenidade que nos ajuda a gerir, por exemplo, momentos mais difíceis.

Como temos de começar sempre por um pequeno gesto ou decisão, fica um conselho: Pratique Yoga e opte por uma alimentação saudável. Depois comece por fazer em casa, diariamente, este exercício:

Sri-Yantra-Mandala_art– Sente-se no chão, de pernas cruzadas, num ambiente calmo e silencioso. Relaxe e coloque as mãos sobre os joelhos unindo as pontas dos dedos  indicador e polegar. Utilize uma vela ou um yantra (mandala) e concentre-se nesse símbolo durante alguns minutos respirando calmamente (de preferência, uma respiração abdominal). Deixe os pensamentos fluírem sem ficar preso a nenhum deles. Alguns minutos depois feche os olhos tentando reter a imagem da vela (ou yantra) no ponto entre as sobrancelhas (Ajña Chakra). Permaneça neste ‘estado’ até se sentir bem assim.

Aos poucos vai dominando o primeiro dos primeiros requisitos para meditar: a abstração dos sentidos. Daqui até à concentração contínua (segunda etapa) ainda vai demorar uns tempos. Mas para quem quer adotar para a sua vida esta prática ancestral sabe que conhecimento e sabedoria exigem dedicação e tempo.

E mais uma nota importante: a meditação é uma prática muito pessoal e não necessita de guias. Há que levar a sério esta questão, perante as muitas ilusões criadas à custa da meditação.

Onde é que eu tinha a cabeça para ir ao campo?

Eu sei que esta mania de ir para o campo em tempo de verão não cabe na cabeça de ninguém. Mas ele há coisas… Apesar de cedermos ao fascínio da praia como refresco mais próprio para pele e espírito num dia escaldante, a verdade é esta: há sempre lugar a um capítulo menos feliz na vida de qualquer um. Eu disse infeliz?

Oh, não! Estamos a meio da semana, aceitem por favor o bom humor… Porque entrar neste templo da natureza leva-nos a tudo menos à tristeza, provoca-nos tudo menos arrependimento e proporciona-nos tudo aquilo que jamais encontraremos à beira-mar. A Fonte da Benémola é dos locais mais encantadores do Algarve.

Para aproveitar ao máximo este verdadeiro monumento natural, faça-se ao caminho pelo percurso pedestre apresentado à entrada da área protegida, que abrange 390 hectares de envolvente beleza.

São 1500 metros a andar para viver um dia magnífico sob o ‘risco’ de travar conhecimento com bichinhos tão raros e amorosos como a lontra, o animal mais emblemático da Fonte da Benémola, verdadeiro santuário para inúmeras outras espécies exclusivas do barrocal algarvio.

 Aproveite o perfume do alecrim, do tomilho, do zimbro, do rosmaninho e das estevas mas resista à tentação de colher alguma das lindíssimas flores que vão ornamentando o seu passeio. A flora aqui também é única e por isso mesmo merece ser preservada. E amada! image

Se tiver de usar algum dos recursos oferecidos pelo local, escolha a água fresca da ribeira da Menalva, que atravessa uma paisagem a pulsar de vida selvagem para fazer deste sítio qualificado no concelho de Loulé, um dos mais ricos do País em matéria de ecossistemas geológico e paisagístico. Relaxe junto às lavadas ou aos açudes, os pontos mais refrescantes para um dia de calor.

Com fome e sede? Então suba à aldeia de Querença e respire a tranquilidade que nos recebe no Largo da Igreja. Mas não se esqueça: é aqui que podemos perder um bocadinho o juízo se resolvermos gozar a cozinha tradicional… Galinha cerejada, xarém, licores, mel…Eu avisei!

O homem que se faz ao mar…

Escrever sobre os amigos é difícil. Quem já passou por ‘isto’ sabe como é penoso evitarmos as palavras que nos atraem por serem aquelas que mais… nos traem. Por isso decidi fingir que João e eu não somos amigos. ‘Apenas’ o fotógrafo que expõe este mês no Mal Dito Algarve.

Em todo o caso, fosse não eu, mas o mar a contar esta estória, e ela sairia muito mais bela e inspirada. É que, por muitas voltas que se tente dar às voltas que o João dá à vida, o mar lá está, a servir quase sempre de horizonte.

Foi aliás por ele (o mar), que João Tata Regala chegou ao Algarve. Para estudar Biologia Marinha e Pescas na universidade e “construir-se como pessoa”. Numa altura em que já o oceano lhe ouvia confidências. É sua, esta também:

“A minha ligação ao mar é antiga. Aprendi a nadar só aos 14 anos e no entanto vejo-o como confidente. O mar representa, para mim, muito mais do que profissão. Nele residem um conjunto de ambiguidades filosoficamente interessantes. É onde todos os sentidos se encontram estimulados, a cadência das ondas induz à meditação, a aparente monotonia da paisagem me traz a sensação de aventura… Interior? Exterior? Qual das duas a mais profunda…”

Questão tão profunda quanto os oceanos que cruza há já duas décadas, embarcado em navios de grande porte. Vertente que ainda não esgotou, pela vontade de chegar sempre ao âmago das experiências que chama para si. O apelo, assume, são as embarcações industriais e à vela porque se revelam “no paradoxo de ambientes humanamente frios e extenuantes, por contraponto a momentos românticos de lazer disciplinado”.Ta foto

E é assim, neste incessante mergulho nas essências que o constroem, que Tata Regala se envolve com a fotografia. Encarada como forma de expressão artística para se relacionar com o mundo, esta é uma arte abandonada como profissão porque quis atribuir-lhe papel de catarse. Tata fotografa para auscultar o mundo e as pessoas enquanto espelhos de si próprio, já que se vê com maior lucidez através das rugas da pele alheia.

Não que se considere retratista. Confrontado por ser mais “foto-artista plástico” do que fotógrafo, sente-se confortável nessa condição e serve-se dela para procurar um género que o defina. Embora de antemão certos ensaios fotográficos se revelem em imagens que falam no seu todo. Ou não! Porque a verdade é que permanece num estado de paixão por muitas composições do passado.

“Creio que estes projetos continuam presentes porque sinto-os incompletos. A motivação de cada projecto é alguma inquietação e estas inquietações persistem amadurecidas à luz dos ditos trabalhos. Projectos como ‘7 décadas up’, ‘Rotinas da Morte’ e ‘Descortinar’, marcaram-me de sobremaneira. São muito maiores do que eu…”

Maiores até do que o teu sonho, não é Tata Regala? Porque, perto poderá estar o espaço onde irás “modelar a luz a convite das emoções” de quem fotografas. Este é um sonho bonito, amigo!

Vender velharias: uma experiência muito ‘trendy’

O encanto pode já não ser o mesmo. Provavelmente porque não enterramos os pés na lama nem engolimos pó a saber a mofo. Mas as feiras de velharias ainda conseguem transportar-nos para um mundo de infindáveis fantasias, sobretudo quando nos encontramos com peças que já não víamos há mais de 20 anos. Lembrar a infância nunca fez mal a ninguém e aqui podemos aceitar, sem resistência, o desafio para visitarmos as nossas recordações mais antigas.

São muitas, variadas, e embora algumas já fujam ao verdadeiro conceito que as levou para a rua, ocupam o calendário nos 12 meses do ano. Ser vendedor ambulante ou de ocasião deixou, aliás, de ser sinónimo de estrato social menor, para passar a ser uma experiência muito trendy, que atrai especialmente quem quer limpar a casa e a vida dos excessos já desprovidos de valor emocional. Porque valor comercial…bem, há sempre quem o encontre na maioria das nossas bugigangas, sobretudo se roçarem o estilo vintage, agora muito apreciado na esfera das elites culturais.

Aos sábados e domingos, de uma ponta à outra do Algarve, tem muito por onde escolher. Para comprar, ou para vender! Em qualquer dos casos é sempre divertido. Por isso aproveite e se puder ganhe uns trocos!

Jantar no centro histórico de Faro é como ficar em casa

É como se decidíssemos jantar no lugar mais acolhedor da casa. Quando escolhemos qualquer um dos restaurantes aninhados entre as muralhas do centro histórico de Faro, a sensação de conforto senta-se ao nosso lado.

E não é apenas pelos ambientes servidos na meia dúzia de restaurantes simpáticos que decoram a Praça D. Afonso III e as outras ruas de calçada onde se guardam longos séculos de muitas vidas. É particularmente pela envolvência desta zona urbana que, durante tanto tempo, ignorou o seu próprio valor patrimonial e histórico.

Se hoje é um dos mais interessantes cartões-de-visita da cidade, deve-se muito especialmente aos investimentos feitos pela restauração, numa tentativa de angariar atrativos para uma capital de distrito que andou tão carente de orgulho.

As ementas elaboradas e o cuidado na sua apresentação fazem a grande diferença neste romântico cantinho de Faro, onde grande parte dos restaurantes prima pela qualidade e uma cozinha inovadora, sempre condimentada com as ricas tradições gastronómicas da região e do País.

É certo que os turistas são os principais ‘clientes’ do centro histórico, mas já são muitos os habitantes de Faro que começaram a participar em momentos de tertúlia, a aventurar-se pela vila adentro e a passearem-se na cidade velha, onde fazem gosto de saborear umas tapas e visitar o castelo. E por aí afora…

A verdade é que no fim de uma boa refeição, percebemos que, neste lugar com tanto tempo, quando aqui estamos esquecemo-nos dele… do tempo. É preciso que alguém nos ponha na rua para nos lembrarmos de sair. E já a noite pode ir longa…

Foto de TusDestinos

Cães do Algarve querem brincar em segurança

A pedido da Súrya hoje venho falar sobre os nossos amigos de quatro patas. Para reclamar da falta de vontade e de responsabilidade política na maioria das nossas cidades em relação ao bem-estar animal.

Deixando de lado a questão dos hospitais públicos, que será tema para uma próxima oportunidade, debruço-me hoje sobre a falta de espaços dedicados aos nossos companheiros para poderem brincar, correr e socializar em segurança.

E parece que o investimento não é assim tão grande a ter em conta a arrojada decisão da Câmara Municipal de Olhão, que lançou o primeiro Parque Canino (Dog Park) do Algarve. O projeto custou 69 mil euros e foi feito a pensar no futuro: a realização de campanhas de adoção, sempre bem-vindas face ao elevado número de patudos a precisarem de uma família a sério.

Era bom que os outros 15 municípios do Algarve seguissem este exemplo, já que espaços onde os nossos animais possam brincar em liberdade, sem incomodar terceiros e sem riscos para eles próprios, são raros e os que existem resultam normalmente da iniciativa privada.

Para mim esta não é uma questão de somenos importância. Os cães existem, pagam registo e licenciamento para cá estarem e por isso merecem usufruir dos seus direitos. Contemplados na lei, não esqueçamos.

Comecei este artigo a falar da Súrya. Primeiro: é a minha cadela. Segundo: foi a seu pedido sim, porque sobretudo nesta altura do ano, todos os espaços (im)prováveis como as praias, estão interditos. Acreditem ou não, ela anda triste e a reclamar pela falta de exercício em condições de segurança.

Quem tem culpa de gostar de animais?

Caminhar no Ludo: a moda que se tornou viral

Tornou-se moda e é uma moda boa. Caminhar faz bem à saúde, porque melhora as funções do corpo e estabiliza as nossas emoções. E que melhor lugar do que o Algarve para pormos em marcha esta simpática atividade, que ainda por cima nos permite descobrir os mais belos recantos escondidos na natureza?

Percursos organizados ou mais espontâneos vão proliferando um pouco por toda a região. Para ilustrar esta nova tendência para um estilo de vida mais saudável e ativo, escolhi um dos mais emblemáticos. Aquele que já se tornou num caso viral na capital algarvia: as caminhadas no Ludo.

LUDO 2_1De manhã muito cedinho até aos momentos em que o pôr-do-sol nos oferece fantásticos cenários sobre a Ria Formosa, é um corrupio de gente de todas as idades e formas. À parte ter-se tornado numa espécie de passarela para muitos aficionados das marcas conceituadas exibirem os últimos modelitos vocacionados para este novo universo desportivo, os percursos no Ludo concorrem com forte vantagem sobre os restantes.

A beleza das paisagens que rodeiam os diversos trilhos é o que mais impressiona, sobretudo onde as águas da ria nos trazem aquela sensação de apaziguamento que todos esperam encontrar aqui.LUDO 4_1

Classificada como uma das 7 Maravilhas de Portugal, este pedacinho de terra desdobra-se em múltiplos encantos naturais. Com uma flora sui generis e uma fauna que só peca pela diversidade e faz dele um dos locais privilegiados para os amantes de birdwatching, esta zona protegida ali na fronteira entre Faro e Loulé é, sem dúvida, o melhor lugar do mundo para caminhar a respirar ar puro.

Convencid@? Então mexa-se, vá experimentar mas não se esqueça do essencial: respeite a natureza!

*Fotos de Paula Cavaco

 

O famoso Pastel que adoça Faro

Pastel de FaroPaulo é daquelas pessoas que acreditam nas próprias ideias. Por isso nunca desistiu de fazer de uma das suas, o símbolo da cidade onde nasceu. Embora durante alguns anos a aguardar pelo momento certo, o ‘Pastel de Faro’ atingiu o ponto de rebuçado em Janeiro deste ano e já entrou na vida dos mais e dos menos gulosos. Isto porque apresenta-se em dois tamanhos.

Feito de massa folhada, enfeita-se com as cores de Faro em pequenos riscos de chocolate preto e branco, que nos desafiam a descobrir o que vem depois. Sem revelar o sempre precioso segredo do chefe pasteleiro, podemos desvendar um pouco deste bolinho que vai deixando o vício em muito boa gente. E não só na capital algarvia. São largas as centenas que já ultrapassaram as fronteiras da cidade, da região e do País, para adoçarem muitas bocas pelo resto do Mundo.

Por cá, é mais fácil. Basta passar pela rua do Alportel e parar à porta do número 50 B. O espaço da pastelaria é muito atraente mas é do outro lado da rua que nos chega o cheirinho do ‘Pastel de Faro’. Na fábrica da Confeitaria Alengarve, uma das mais antigas a sul de Portugal (criada no início dos Anos 70), é onde Paulo Madeira guarda a receita do já famoso doce regional.

paulo“Decidi criar alguma coisa que não existisse numa cidade que, sendo a capital do distrito, lhe falta tanta coisa. No início a ideia foi desvalorizada, mas nunca desisti e acabei por ter reunidas as condições para concretizar o projeto”, refere o autor.

Como qualquer boa ideia, a receita do ‘Pastel de Faro’ tem patente registada e a venda é exclusiva da Confeitaria Alengarve, por isso não adianta andar por aí à sua procura. E não, não me esqueci… Desvende-se o mistério: por baixo dos riscos de chocolate preto e branco, deixamo-nos embalar por um delicioso creme de amêndoas, ornamentado a caramelo e fios de ovos. Hoje não é um bom dia para ficarmos presos a dietas…