Quem semeia ventos…colhe frescura numa rua de Loulé  

Há dias assim. No espaço de uma hora mudamos de decisão…umas quantas vezes.

Aconteceu-me em Loulé, onde fui propositadamente para saborear umas tapas no bar Colheita Fresca, depois de andar algum tempo a espreitar as fotos apetitosas na página do Facebook. À chegada gostei do espaço, gostei do atendimento e do rosto simpático de quem me levou a escolher mesa e trouxe a tábua mista decorada com uns apontamentos coradinhos, próprios dos tomates cherry. Sempre com um sorriso disponível!

A primeira mudança de decisão ignorou no entanto a simpatia do senhor Vieira. A lista das tapas desiludiu-me por não oferecer nada de extraordinário. Quando queremos ser surpreendidos acontece-nos isto. Ainda pensei que o problema não era do menu nem de quem o elaborou, mas inteiramente meu, por criar expetativas de ter o que ninguém me prometera. Sem grande ânimo optei pela tábua mista e uma salada de polvo e não fiquei nada mal porque, por essa altura, o pão caseiro e as azeitonas deliciosas já me tinham espevitado o apetite. Os enchidos e o queijo eram bons, o polvo estava macio e bem temperado, mas mesmo assim decidi não escrever nada porque teimei na ideia de querer viver a famosa experiência de uma explosão de sabores e coisas do género, que nos prometem muitas vezes quando a matéria é gastronomia.

Colheita Fresca

 

 

Colheita Fresca 1

À perguntam “se gostei?” enquanto pagava, não me contive e pedi licença para fazer uma ligeira sugestão: uma pequena mudança nas tapas, mais elaboradas, enfim… E recebi de troco a resposta: “Ainda hoje falei com a minha esposa e decidimos mudar o menu para petisquinhos mais propícios ao inverno”. E é aqui que o senhor Vieira e o seu sotaque nortenho me conquistam o coração. Sem dar por isso, ouço-lhe a estória que fez nascer o Colheita Fresca. Um projeto que nasceu à sorte quando, ainda em Inglaterra onde esteve emigrado mais de uma década, o senhor Vieira e a mulher apontaram, praticamente às cegas, o dedo ao anúncio de um bar para alugar e decidiram: “Vamos para aqui!”Colheita Fresca 5

Desprezando os detalhes do negócio, só em solo algarvio descobriram ser este um espaço de pouca fama e cheio de móveis quebradiços. Mas quem se especializou na aventura de emigrar desde curta idade não costuma dar-se por vencido e é assim que este homem do norte com um sorriso fácil, transformou uma velha discoteca num bar de tapas muito agradável, que vai buscar ao mercado ali próximo a frescura dos produtos genuínos para transformar a rua Dr. Joaquim Nunes Saraiva num lugar onde nos sentimos bem.

E esta foi a última vez que mudei a minha decisão. Afinal sempre escreveria… Não sobre as óbvias propostas gastronómicas, mas sobre o encanto que nos desperta quem se faz à vida sem medo para criar projetos válidos como o Colheita Fresca. Não sei se haverá uma próxima vez, mas fiquei curiosa sobre o novo menu e a francesinha que garantem ser excecional.

Outra coisa: normalmente informo os protagonistas das minhas estórias quando vou escrever sobre eles e publico-lhes a foto. Desta vez decidi não fazê-lo porque me apetece quebrar as regras e deixar isto ao sabor do destino. Como fez o senhor Vieira. Pode ser que dê sorte! Sem expetativas…!

Um jantar inesquecível na melhor tasca da capital algarvia

Este é um daqueles casos em que, por muito que se queira encontrar um defeito, não conseguimos. E não é o calor que nos faz andar mais desvairados e condescendentes que torna o elogio a melhor expressão para definir um espaço perfeito.

Cumprindo o hábito de deixar o melhor para o fim, começo já por dizer que ir comer à tasca do joão é viver uma experiência invulgar. Assim que chegamos, satisfaz-nos a certeza absoluta de não nos termos enganado na escolha. Depois, lá mais adiante, logo se verá.

Aqui todos os elementos são os mais certos no lugar certo. As madeiras escoriadas das Tasca 6

tasca

janelas e dos armários, as cadeiras revivalistas, os bancos aconchegados em almofadas bonitas, a luz fraca na esplanada, o azul que impera no ambiente e as mesas sem toalhas que tanto aprecio. E assim, logo à primeira, gosta-se imediatamente do João, dono de um profissionalismo extraordinário que merece ser copiado.

Tudo corre bem até chegarmos ao menu de tapas e carta de vinhos. Quando esta estória passa a um capítulo praticamente indescritível. Alinhados em sabores verdadeiramente desconcertantes, os petiscos que saem da cozinha trazem vestígios de um mistério, adensado à medida que a mesa começa a ficar curta para acolher as tantas prevaricações do apetite.

A acompanhar o ritmo da água que canta na fonte luminosa ali ao centro do largo Pé da Cruz, desfilam petiscos tão ‘banais’ como chouriço salteado com mel e tomilho, filete de biqueirão, lingueirão ao alho, tosta de cavala, tiras de porco preto com alho… A banalidade fica-se, claro, pela denominação de cada um destes pitéus profundamente divinais, que nos induzem à convicção de estarmos a comer pela primeira vez na vida.

Tasca 4As temperaturas altas nestas noites de verão exigem um branco e até nisso temos sorte, porque como o João pensa em tudo, o vinho permanece fresquinho até à última gota.

E agora o epílogo. Aquela parte em que a indiscrição chama à nossa presença o grande culpado disto tudo. E esta é a única vez em que engolimos em seco. Gonçalo, um dos futuros melhores cozinheiros do Mundo, tem apenas 21 anos. E por hoje dele não digo mais nada. O dom deste jovem com um sorriso melodioso merece um dia só para ele. Ah se merece!

E porque não me canso de dizê-lo, repito: gosto muito d’a tasca do joão. E gostava que continuasse a fazer parte da nossa vida durante muito tempo. Até nos aborrecermos de gostar de estar aqui. Ou seja…

Se eu mandasse acabava com o Baixa Street Fest em dois meses

Juro que tinha jurado não falar sobre isto! Por uma razão apenas: não há nada de novo para se dizer. Mas, como juras leva-as o vento e quem conta um conto pode acrescentar um ponto ou outro, não resisti a deixar uma nota, apenas uma breve nota, sobre o Baixa Street Fest.

Não gosto! E ai de mim se ficasse por aqui. Porque o que realmente não gosto é do tamanho do calendário que permite à cidade de Faro transbordar tantas emoções nas noites de sexta. Era bom que fosse o verão todo, mas como de um ano para o outro a iniciativa pulou de um, para dois meses, pode ser que nas próximas estações… Três meses era o ideal. Para o calor não vir em vão.BAIXA 3

Do que eu gosto realmente é de ver tanta gente junta na mesma rua. Os apontamentos musicais, os espetáculos circenses e até mesmo os momentos de diversão espontânea, são pérolas insubstituíveis na animação noturna. Depois temos as lojas abertas até às tantas, com uma atraente redução de preços e os restaurantes da baixa a oferecerem-nos propostas mais do que tentadoras, que nos levam a irremediáveis estragos, próprios do fim de semana. E tudo isto é importante. Mas do que eu realmente mais gosto é de ver tanta gente lado a lado, unida numa tão desafetada intenção: aproveitar a oportunidade de agarrar a alegria e aliviar o outro lado menos leve da vida.BAIXA 1

Se para espevitar uma cidade que durante tanto tempo andou tão cabisbaixa é preciso reinventar a ‘baixa’, mais vale que assim seja. Porque quando se trata de revitalizar economias e o espírito participativo, qualquer pretexto despido de maus propósitos é, na minha opinião, muito válido.

Aceito quem está contra a ideia ao abrigo de preceitos políticos. Ou quem se sustenta no argumento de ser este mais um plano ilusório de quem quer ser feliz e que a vida não pode ser sempre festa. Pois não pode! Por isso é que só acontece uma vez por semana, durante dois magros meses do ano. E bem podiam ser três, que não nos fazia mal nenhum… Por isso hoje à noite vou passar por lá. Porque só nos sobram mais quatro sextas-feiras. Pura maldade, já que setembro é um mês tão bom…!

Fotos gentilmente cedidas pelo Baixa Street Fest

Que inveja dos ‘mosses’ que comem em Olhão

Confesso que não sei quando se começou a gostar de Olhão. E muito particularmente quando é que os farenses deram tréguas à velha e quase tribal rivalidade entre as duas cidades para, como os outros, se renderem aos encantos da cidade cubista. Sobretudo aos gastronómicos.

Quem quer comer bem, sabe que pode e deve ir a Olhão. Como a maioria não desilude no serviço nem na qualidade da comida, difícil é escolher o restaurante. Exceto ao almoço de domingo. Nesse dia é o restaurante que nos escolhe a nós. Se tivermos sorte.

A romaria começa numa e acaba na outra ponta da avenida 5 de Outubro. No ‘dia das famílias’, como é conhecido o domingo em Olhão, ir sem avisar pode custar um bocadinho mais caro: ficar sem almoço, ou acabar de comer lá para as cinco da tarde.

Durante o verão não é necessário que chegue o sétimo dia da semana para vivermos também a experiência interessante de andar pela baixa da cidade com a sensação de termos viajado para fora do nosso País. É que, se já são muitos os nacionais a reconhecer a qualidade da gastronomia olhanense, são tantos ou mais os estrangeiros que nos roubam os lugares no estacionamento e à mesa. Os espanhóis andam quase sempre em força, mas franceses e ingleses já têm lugar cativo na cidade, talvez induzidos pelo chef internacional Jamie Oliver ao ‘galardoar’, com rasgados elogios, os restaurantes locais na sua revista jamiemagazine.

Sem título

Num destes domingos, passei por lá sem avisar ninguém… Já a fome me mandava ir para casa quando consegui um lugarzinho para almoçar perto das quatro da tarde. E ainda tive de esperar mais um bocadinho até à primeira garfada para não gorar o encantamento do grupo de caravanistas franceses que tentava devorar com os olhos a minha espetada de lulas. Já todos de barriga cheia (lá está, eles são sempre os primeiros a chegar…), iam-me fazendo desmaiar pela vontade de perpetuarem o delicioso momento em intermináveis ”Oh, très joli…, très joli…très joli…!”

Pois bem, bonitos e… fresquinhos. Peixe, marisco e tudo aquilo que é possível saltar do mar para o prato, aconselha-se vivamente em Olhão. Já sabe, com reserva ao domingo, para poder dar-se ao luxo de apreciar sem pressa um bom prato típico olhanense e depois regalar-se com a vista maravilhosa da Ria Formosa, que dizem ter esta cidade no coração.

Fotos de Ana Passos

Jantar no centro histórico de Faro é como ficar em casa

É como se decidíssemos jantar no lugar mais acolhedor da casa. Quando escolhemos qualquer um dos restaurantes aninhados entre as muralhas do centro histórico de Faro, a sensação de conforto senta-se ao nosso lado.

E não é apenas pelos ambientes servidos na meia dúzia de restaurantes simpáticos que decoram a Praça D. Afonso III e as outras ruas de calçada onde se guardam longos séculos de muitas vidas. É particularmente pela envolvência desta zona urbana que, durante tanto tempo, ignorou o seu próprio valor patrimonial e histórico.

Se hoje é um dos mais interessantes cartões-de-visita da cidade, deve-se muito especialmente aos investimentos feitos pela restauração, numa tentativa de angariar atrativos para uma capital de distrito que andou tão carente de orgulho.

As ementas elaboradas e o cuidado na sua apresentação fazem a grande diferença neste romântico cantinho de Faro, onde grande parte dos restaurantes prima pela qualidade e uma cozinha inovadora, sempre condimentada com as ricas tradições gastronómicas da região e do País.

É certo que os turistas são os principais ‘clientes’ do centro histórico, mas já são muitos os habitantes de Faro que começaram a participar em momentos de tertúlia, a aventurar-se pela vila adentro e a passearem-se na cidade velha, onde fazem gosto de saborear umas tapas e visitar o castelo. E por aí afora…

A verdade é que no fim de uma boa refeição, percebemos que, neste lugar com tanto tempo, quando aqui estamos esquecemo-nos dele… do tempo. É preciso que alguém nos ponha na rua para nos lembrarmos de sair. E já a noite pode ir longa…

Foto de TusDestinos

Saudade, saudade…é comer em português

Primeiro temos uma janela com cheiro a manjerico. Depois uma porta que se abre para uma casa portuguesa cheia de outros cheiros e sabores que nos mergulham em carinhosas recordações. Tudo a transbordar de sentimento. Muito português aliás, por estar todo ele concentrado numa única palavra: Saudade.

É de ‘saudade’ e em ‘português’ que vos quero falar hoje. E há tanto para dizer. Podia começar pelas Catarinas, mas vou deixá-las para o fim. Assim, comecemos pela janela por onde nos apetece espreitar mal entramos na rua Filipe Alistão.

Debruçados no parapeito deixamo-nos surpreender por um cenário luminoso, muito arejado e arranjado. Recuar agora? Nem pensar! Vamos mas é entrar no nº 43, para uma verdadeira incursão pelo que há de mais genuíno em matéria de gastronomia e de ambiente na capital algarvia.

Saudade10A acompanhar a imensa diversidade de produtos nacionais, o Saudade em Português oferece várias opções, todas elas irresistíveis e com um toque de terrível inovação: cafetaria a partir das oito da manhã, quando o cheio a café invade a rua; mercearia gourmet com produtos da região e do País, que também sustentam a cozinha do restaurante; petiscaria mais lá para a noitinha. É nesta que nos sentamos, desta vez, para vos apresentar um menu de degustação que nos arregala os olhos. Depois de saborear o xarém de ostras, as endívias recheadas com sapateira, as tibornas ou os croquetes de alheira, entre outros, voltamos a encher a boca mas agora para enaltecer a criatividade do Chef Bruno Amaro.

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E nisto sentimo-nos em casa. Também por causa dos recantos acolhedores como a pequenina sala docemente iluminada pelo aquário de água salgada, a dupla de sofás coloridos junto à tal janela onde podemos saborear um branco fresquinho, ou a mesa junto à máquina da ‘singer’ que faz parte de uma decoração feita de afagos, sentidos nas rendas que abraçam jarrinhas de flores e nas prateleiras onde desfilam deliciosas tradições como as compotas, o mel, os licores… Não podemos sair sem vos falar dos menus de almoço. A 7,90€, variam ao sabor das estações do ano e propõem-nos sempre entrada, prato de carne ou peixe, bebida, sobremesa e digestivo.  

SaudadeEsperem, ainda não vos falei delas: Catarina Evaristo e Catarina Estevens. Ambas possuídas por um espírito empreendedor que ameaça não ter fim e que as trouxe até Faro para criarem um conceito fora de série e do vulgar. Foi por orgulho que se rodearam de tudo o que fala, sabe e nos faz sentir Portugal, para nos deixarem nesta saudade.

E a música. Podia lá não falar da música, sempre presente, sempre terna, sempre portuguesa! Se acabasse este texto a cantar “esta é uma casa portuguesa, com certeza”, seria um bocadinho vulgar. Por isso não acabo! Mas…não duvidem, esta é mesmo uma casa portuguesa. Já está!

Um copo ao fim do dia by the Ria Formosa

Um bom vinho ao pôr-do-sol. O que é que se quer mais num final de dia junto à Ria Formosa? A proposta do LAB Lounge Terrace é tão cativante que nos esquecemos de haver, para além desta linha de água, outros elementos que não respirem apenas prazer e uma infinita calmaria.

As almofadas confortáveis, a música acolhedora e o espaço amplo onde o branco se oferece a uma decoração minimalista, preparam-nos para um cenário deslumbrante onde não é preciso acrescentar mais nada para além do tal vinho. Mais suave como os do Tejo, ou mais arrojado para os dias em que nos queremos próximos dos talentos alentejanos.

LAB1Mas a descontração neste verão debruçado sobre o espelho da ria, não se esgota no néctar dos deuses. Instalado no terraço do Centro de Ciência Viva do Algarve, o LAB tem uma ‘carta’ a condizer com as tonalidades do céu, com o canto dos pássaros noturnos e até com as breves sonoridades do vento que nos transporta para ambientes muito calientes.

A decisão oscila entre a variedade de cocktails como o mojito, o daiquiri, a margarita e a caipiroska, ou o gin, a vodka, a tequila, o porto e a sangria de champanhe, que sabe sempre tão bem em qualquer momento do dia ou da noite, que chegam mais devagar durante o verão.

 É bom que saiba outra coisa: podemos acompanhar tudo isto com umas tapas bem elaboradas, que vão mudando de gosto para preservar a curiosidade e a qualidade que, em apenas dois meses de existência, já diferencia o novo bar encostado às muralhas do centro histórico de Faro.

FREDFrederico Lopez é quem manda aqui, mas como o próprio diz, o espaço é público. Por isso no conceito que fez nascer mais uma proposta irrepreensível na animação farense, cabem coisas tão distintas como o concerto meditativo com taças tibetanas e gongos pela Jasmim Art, na próxima terça (4), a partir das 20h.

O LAB tem encerramento previsto para setembro, mas é provável que se estenda até outubro, porque este verão promete. Quanto à minha promessa é a de lá voltar. Muitas e muitas vezes, antes que se acabe.

Sabores à solta na ‘baixa’ de Faro

Quem não anda por Faro, desconhece as coisas boas que andam a acontecer por aqui.

De uma ‘baixa’ quase despovoada especialmente ao fim de semana, as ruas abençoadas pela proximidade à bonita doca de recreio passaram a centro de intensa animação, para fazerem desta uma cidade de eleição por variadíssimas razões. Uma delas é a gastronomia, apostada em acompanhar os gostos e as tendências de uma vida mais moderna.

A capital do Algarve está cada vez mais cosmopolita e começa a mostrar ambições num setor que nos abre sempre o apetite. Do dia para a noite têm surgido vários e simpáticos spots para comer e brindar a esta nova energia urbana. Alguns, sem medo, instalados em ruas e casas recuperadas a um passado menos recomendável.

A rua Conselheiro Bívar e a Avenida da República estão entre as que rivalizam este verão no que toca à multiplicidade de experiências à mesa. Mas são vários e diferentes os ambientes da ‘baixa’ onde apetece almoçar e jantar, ou ficar à conversa enquanto petiscamos sabores muito portugueses acompanhados por um bom copo, antes de o dia acabar. Os espaços personalizados que abriram sobretudo nos últimos dois anos só nos provocam um problema: qual deles escolher? Falar de todos, um por um, é exercício para muitos dias, mas tempo não nos falta para celebrar as coisas boas da vida.

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Faro está diferente e isso nota-se também em quem cá vive. Os farenses regressaram à baixa e são os primeiros a ocupar lugar para provar as novidades na imensa variedade de tapinhas tradicionais, matar saudades da nossa comida regional e conhecer as cozinhas de fusão ou de autor, quase sempre temperadas com muita criatividade e alguns apontamentos gourmet.

Todos juntos vão fazendo desta uma cidade com uma dinâmica muito prometedora. Haja vontades (entre elas a política) e também iniciativa (sobretudo empresarial) e um dia destes temos uma capital capaz de competir a uma escala maiorzinha.

O melhor lugar de Faro para enchermos a barriga de mimos

É muito bom podermos escolher um restaurante sem ser apenas pela comida. Mesmo que à saída sejamos assaltad@s pelo arrependimento. Não por lá termos ido, mas por termos mais olhos do que barriga.

Tirando este inocente senão, tudo o resto são verdadeiros mimos que nos vão chegando à mesa. Nem todos empratados. Do casal Rosa e João recebemos mais do que tapas servidas à moda do Alentejo no que toca à quantidade. Só uma das variadas iguarias que nos chegam da cozinha serve perfeitamente de refeição, mas isto só é verdade para quem consegue sair sem encher aquele vazio de curiosidade mal satisfeita e experimentar mais das muitas propostas que nos estimulam o apetite.

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O ambiente descontraído, a simpatia oferecida nos sorrisos do João e da Rosa, o humor mal disfarçado do Rui, o teto acolhedor, as galinhas que nos espreitam dos quadros e a música em tom q.b., são suficientes para ignorarmos a dureza das cadeiras de madeira, as paredes um pouco despidas e a luz fria que até não cai tão mal assim quando estamos no verão. Meros pormenores quando o assunto é a comida do ‘Miminhos Caseiros’.

Podia falar muito dela, da comidinha, que sabe mesmo a caseira, mas deixo apenas uma espécie de couvert: choquinhos, bacalhau, carapaus e camarão são alguns dos protagonistas de um jantar bem animado no nº 6 da travessa Castilho. E uma dica importante: vão de barriga vazia e comecem pela tapa mais leve. Para poderem pedir mais, sem sentimentos de culpa.MC 1_1

Até setembro só abre à noite porque a isso o verão obriga. Mas com os dias frios chegam os almoços com sopas de grão e outras delícias de panela que nos fazem sentir realmente em casa. Os grupos são bem-vindos e quem vem de longe também. Até há quem abale de Lisboa já com mesa reservada, o que é ‘obrigatório’ entre quinta-feira e domingo. Ah, e não saia sem deixar um miminho. Pode ser só um sincero e merecido obrigad@.