O doloroso regresso das férias

O regresso das férias de verão é uma experiência anual verdadeiramente intransponível na vida de qualquer pessoa. Pelo menos das que gostam de férias. A mim custa-me. É como se as palavras também tivessem ido descansar para longe de mim e resistissem ao dever de voltar para me servir a inspiração. Tenho de fazer um esforço herculano para resgatar cada uma delas e arrumá-las de forma a conseguir alinhar umas quantas ideias para o arranque da nova época. Como se fosse eu a pertencer-lhes e não elas a mim.

Estou a usar a meia dúzia que consegui trazer de volta à rotina para desejar a todos um bom regresso à vidinha normal, de preferência sempre na companhia do Mal Dito Algarve. Não prometo nada de especial porque tenho por hábito não cumprir as promessas, mas é provável que continue a escrever sobre o que gosto e às vezes sobre o que nem por isso.

Agora que já espantei a preguiça e dei ordem de regresso às palavras…

Sinceramente, a quem é que eu estou a tentar enganar? Como é que se tira esta estúpida angústia da garganta por terem acabado as férias? Como é que se consegue passar um dia inteiro a levar a vida a sério sem pensar no mar a espraiar-se ali mesmo ao lado nas areias agora quase desertas? Quem é que tem energia para organizar a agenda, quando esta brisa morna nos empurra para as esplanadas ainda apinhadas de gente, quando estas manhãs luminosas teimam em chamar-nos para um belo passeio ao ar livre, quando o entardecer parece prolongar-se mais um bocadinho para nos dar tempo a um último mergulho nas ondas de setembro…?

Por que tinham de acabar as férias?  Porquê, se o verão ainda não acabou?!image

Sandra Santos – a fotógrafa rebelde que (des)faz imagens em arte

Há quem dela diga que é livre, linda e louca. Mas a Sandra também é uma das fotógrafas mais criativas que conheço. Por isso o que me apetece chamar-lhe é artista. Porque a ela não lhe basta captar uma imagem. Explora-a até às mais intrínsecas versões, só possíveis à arte.

A exposição ‘Repainted”, produzida a partir do bailado ‘Amar Amália’ e que este mês pode ser vista na galeria de Mal Dito Algarve, é um ínfimo detalhe na gigantesca tela onde a inspiração de Sandra Santos (ou San San), vai deixando gravadas obras de uma imaginação sem limites, que nos fazem adivinhar um espírito irremediavelmente livre e por isso sem quaisquer rodeios criativos.

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E esta é a única partícula que conseguimos prever no mundo onde habita, já que as obras são um reflexo da imprevisibilidade com que Sandra tem desenhado a vida. Assim como certas fotografias, também as decisões saem quase sempre espontâneas como se fossem empurradas por um fluxo de energia imparável e quase incomparável. É por isso que a encontramos agora a 50 quilómetros de Bilbau (Vitória-Gasteiz) onde reside há seis anos.

No País Basco faz uma incursão pelas artes plásticas e traz-nos muitas notícias de experiências recentes: a fotografia animada pelo universo da cinegrafia, mas também na transposição para materiais tão versáteis e orgânicas como ela própria: madeira e cartão reciclados. Por se confessar rendida aos limites que lhe impõem… Um contra-senso? Sim, sem dúvida. Quando se trata de alguém que não se cansa de se descobrir e que não resiste aos próprios desafios, o contra-senso faz todo o sentido.

Daí que não desista da música. DJ assumida desde que a conhecemos vai brilhando também nesta vertente artística em espaços contemporâneos de Espanha. sandra5_1Ou não fosse a música o seu primeiro amor e aquele que será o último: “A vida sempre foi a junção perfeita de dois mundos: a imagem e o som”, diz-nos, com o mesmo sorriso teimoso que dela guardamos desde sempre.

Queria escrever tanta coisa da Sandra e acabo por não dizer quase nada. Talvez possa terminar chamando-lhe também rebelde e irreverente pois é pela irreverência que vai descobrindo caminhos e lugares no mundo, que lhe oferecem respostas mais ajustadas à sua dimensão. É por isso que lhe desculpo esta partida para longe de nós, porque quando queremos que os amigos cresçam há que perdoar-lhes a ausência e orgulharmo-nos da cadência de acontecimentos com que vão construindo uma estória. A da vida!

O apelo da água doce e como fugir à invasão das praias algarvias

Tenho um fetiche inexplicável por lagoas de água doce rodeadas por muros de árvores. De onde só se vê o céu e um horizonte de arbustos rasteiros com cheiro a mato. Sem desprezo pelo mar que é o primeiro e grande amor da minha vida, confesso este fraquinho, que me vem mesmo a calhar sobretudo numa altura em que o Algarve rompe pelas costuras e chegar às praias representa tudo menos descanso e sossego.

Garanto que não quero influenciar ninguém, mas não trocava por nada deste mundo um certo dia deste mês de agosto que passei dentro de uma água brilhante como um espelho, ao som das incansáveis cigarras que parecem cantar ao ritmo do nosso coração quando fechamos os olhos e nos deixamos engolir pela corrente.

Para chegar às barragens algarvias e descobrir um acesso às lagoas requer paciência, persistência e um grande desejo de ficar a sós com a vida, mas vale a pena. À falta de lagoas naturais e sem os artifícios do litoral, estas reservas de água não são apenas oásis no interior do Algarve já por si feito de uma beleza admirável. São também uma ideia muito refrescante para um dia de verão sem a companhia de outras pessoas que não sejam aquelas a quem convidei para passar férias comigo.

E isto tudo sem qualquer pingo de raiva contra quem goza sofregamente umas paupérrimas semanas no nosso idílico Algarve. Não sou contra o turismo nem contra os turistas, reconheço-lhes a importância para a nossa economia e segurança e como não sou egoísta não me importo nada de partilhar com milhares de gentes as praias, os restaurantes, as ruas e os momentos do nosso maravilhoso verão.

Eles que venham e aproveitem. Eu estou em estado zen…! E já agora não me censurem por promover mais um paraíso na terra com receio de virem os outros e estragarem tudo. Este tipo de paixão não é para todos!

 

O jornalista que brinca à ‘bola branca’

O meu amigo Rui Viegas é das melhores pessoas que existem no mundo. E quem discordar disto, das duas, uma: não o conhece, ou conhece-o mal! Em ambos os casos não há rancor a guardar, mas sim um convite a fazer. Já lá vou.

Se alguém gostasse de ter um amigo para todos os momentos da vida, escolhia o Rui. Eu por acaso não o escolhi. Nem ele a mim. Acho que nem reparámos que éramos amigos até darmos conta da alegria que sentíamos quando nos encontrávamos. Agora essas vezes são raras, porque os amigos fazem-nos coisas como esta: vão-se embora. Restam-nos as muitas recordações e ficarmos a acenar de longe, como quem os chama de volta.

Rui 2

No caso do Rui, a vantagem é encontrá-lo quase todos os dias a surfar nas ondas hertzianas da Renascença. Mesmo sem nunca me ter habituado a gostar de futebol, lá vou ouvindo o Bola Branca para fazer de conta que ele está aqui. A outra vantagem é termos sempre uma vontade quase frenética de contarmos as novidades e as coscuvilhices que se vão passando nas nossas vidas e isso obriga-nos a uma agenda rigorosa de encontros anuais. Uma espécie de cimeira que nos leva quase sempre a derivar para algumas das delirantes memórias dos tempos que nos colocaram no mesmo caminho, há uns anos atrás. No século em que apareceram os canais privados e as reportagens eram feitas em contra-mão para não perdermos o lugar no alinhamento dos noticiários.

Porque, apesar do ar bonacheirão e cara de miúdo, o Rui Viegas é um homem grande que se fez um profissional a sério. Razão para, nós algarvios, nos orgulhamos dele, apesar de São Brás de Alportel e Faro terem perdido para Lisboa um dos jornalistas mais válidos da sua geração.

Não queria com isto escrever a biografia do Rui. O que realmente quero é falar de um amigo, sem outro pretexto que não seja o de gostar mesmo muito dele e querer homenageá-lo. A ele, o puto que se fez homem, pai e senhor de uma voz maliciosa que não consegue esconder a diversão com que vive a vida. Razão talvez do seu receio de morrer sem ter tido tempo para tocar e amar suficientemente as pessoas!

O convite era este: mesmo sem conhecê-lo, vão à bola com ele.

 

Um jantar inesquecível na melhor tasca da capital algarvia

Este é um daqueles casos em que, por muito que se queira encontrar um defeito, não conseguimos. E não é o calor que nos faz andar mais desvairados e condescendentes que torna o elogio a melhor expressão para definir um espaço perfeito.

Cumprindo o hábito de deixar o melhor para o fim, começo já por dizer que ir comer à tasca do joão é viver uma experiência invulgar. Assim que chegamos, satisfaz-nos a certeza absoluta de não nos termos enganado na escolha. Depois, lá mais adiante, logo se verá.

Aqui todos os elementos são os mais certos no lugar certo. As madeiras escoriadas das Tasca 6

tasca

janelas e dos armários, as cadeiras revivalistas, os bancos aconchegados em almofadas bonitas, a luz fraca na esplanada, o azul que impera no ambiente e as mesas sem toalhas que tanto aprecio. E assim, logo à primeira, gosta-se imediatamente do João, dono de um profissionalismo extraordinário que merece ser copiado.

Tudo corre bem até chegarmos ao menu de tapas e carta de vinhos. Quando esta estória passa a um capítulo praticamente indescritível. Alinhados em sabores verdadeiramente desconcertantes, os petiscos que saem da cozinha trazem vestígios de um mistério, adensado à medida que a mesa começa a ficar curta para acolher as tantas prevaricações do apetite.

A acompanhar o ritmo da água que canta na fonte luminosa ali ao centro do largo Pé da Cruz, desfilam petiscos tão ‘banais’ como chouriço salteado com mel e tomilho, filete de biqueirão, lingueirão ao alho, tosta de cavala, tiras de porco preto com alho… A banalidade fica-se, claro, pela denominação de cada um destes pitéus profundamente divinais, que nos induzem à convicção de estarmos a comer pela primeira vez na vida.

Tasca 4As temperaturas altas nestas noites de verão exigem um branco e até nisso temos sorte, porque como o João pensa em tudo, o vinho permanece fresquinho até à última gota.

E agora o epílogo. Aquela parte em que a indiscrição chama à nossa presença o grande culpado disto tudo. E esta é a única vez em que engolimos em seco. Gonçalo, um dos futuros melhores cozinheiros do Mundo, tem apenas 21 anos. E por hoje dele não digo mais nada. O dom deste jovem com um sorriso melodioso merece um dia só para ele. Ah se merece!

E porque não me canso de dizê-lo, repito: gosto muito d’a tasca do joão. E gostava que continuasse a fazer parte da nossa vida durante muito tempo. Até nos aborrecermos de gostar de estar aqui. Ou seja…

Entre ilhas e falésias o que eu quero é o Algarve

Aposto que não há no mundo outra região que, em menos de cinco mil quilómetros quadrados, consiga suportar tantas coisas belas assim: uma costa arrebatadora, a serra carregada de verde, cidades com um tremendo peso histórico, aldeias que se preferem sempre sossegadas e um sol que incendeia isto tudo com uma luz inigualável.

Falar de todos estes tesouros de uma vez só não cabe aqui. Por isso, e porque é verão, fiquemos pela zona do litoral e pela sua extravagância de se arquitetar em dois planos tão sublimes: num lado, as nossas românticas ilhas mergulhadas neste mimo da natureza que é a Ria Formosa e, no outro, as majestosas falésias que parecem querer reinar no resto da terra. Se tivéssemos de inventar uma região tão pequenina como esta, nunca nos lembraríamos de juntar duas virtudes tão grandiosas. Mas é o que temos….

E se tivesse de escolher hoje qual dos dois lados do Algarve gosto mais, afundava-me num sério dilema. Por isso, não será hoje!

Ria FormosaPara aqueles dias em que a única coisa boa da vida é virarmos costas a tudo para descansar o espírito e o corpo, adivinha-se o destino certo: o Sotavento. Ele é feito de praias lisas, aguinha morna, brisas carinhosas e esta corrente salgada que sai do mar para se balançar de mansinho entre as ilhas até chegar a terra. Ninguém tem uma ria como esta e só esta podia ser formosa.

Depois temos aqueles dias em que só nos apetece deixar que o coração se agite e corremos ao encontro do vento, porque nenhuma outra coisa nos satisfaz mais do que fazer parte da energia que anda sempre solta de Sagres para cá. O oeste é ao mesmo tempo bravio e terno, porque as suas ondas furiosas constroem castelos de rocha e areia onde nos reconciliamos com a sina de viver aqui. O Barlavento é soberbo.

Mesmo à noite, quando já as sombras nos escondem o azul do mar, quando o sol deixa cordialmente entrar a lua e o mundo parece estar em paz, o litoral do Algarve é único. Sabe a-mar.

As (muitas) mulheres de Milai Miu despem-se na Casa do Jardim

Para mim faz mais sentido se começar por falar do ‘amor-próprio’. O vídeo performance em que Milai Miu se liberta de velhos estereótipos, despe a roupagem de mulher- modelo/mulher- vítima e solta-se para partir em direção a um caminho novo.

Assim, também é mais fácil começar, porque posso fazê-lo exatamente neste ponto crucial: o caminho novo. Para já porque, falar de Milai Miu e falar de SUMMA, a sua primeira exposição a solo, são dois exercícios tão intrinsecamente ligados que não consigo desprender-me de um para pegar no outro.

Este caminho novo, um dos muitos que já lhe pertencem há quatro décadas, começa a ganhar vida mais precisamente em e com SUMMA, quando decide revelar-se e revelar-se-nos em múltiplas facetas, todas no feminino. Na palavra roubada ao grego antigo (summa=soma) a artista encontra o espaço ideal para desmontar cada uma delas e mostrá-las num processo tão espontâneo, que atinge uma simbiose quase perfeita. Quase, porque se fosse perfeita, estaria esgotada e Milai não se esgota. Ela explica-se e explica-nos a homenagem às “muitas mulheres antigas que nela habitam”, mas também às outras.

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“Nesta minha viagem, encontro, passagem, consciencialização do feminino, apercebi-me das suas várias facetas, bem como da influência que várias mulheres amigas têm sobre mim. Por isso, sou a SUMMA de todas essas mulheres interiores e exteriores”, assume Milai que, nesta exposição, preferiu por isso não estar só, embora a quem nasce para fazer arte não reste outra condição que não essa.

No vídeo “saia rodada” surgem várias mulheres, unidas pelo ritmo (ou pelo abraço?) da dança e depois mais mulheres convidadas a definir (ou a definir-se), o conjunto de obras expostas na casa às riscas da Alameda.

Tudo interior, tudo sensações, tudo sentimentos, que se somam na versão plástica de uma artista pronta a deixar-se esculpir por um fremente desejo de transgressão. Umas vezes muito subtilmente, noutras com um despudor intenso. Mas sempre dramático.

Não vos disse? Falar de SUMMA é falar de Milai Miu. Mas este registo é apenas um ínfimo detalhe numa metamorfose que já não se contém, que não quer nem pode ficar contida. Esperamos que sim. De uma artista multifacetada espera-se tudo!

Entrem na Casa do Jardim (Jardim da Alameda), em Faro e comecem pelo ‘amor-próprio’, porque é melhor começar com um arrepio a atravessar-nos a pele.

Summa 3_1

Milai Miu (Maria Adelaide Fonseca) nasceu nas Caldas das Taipas e reside no Algarve desde 1993, altura em que começou a trabalhar em teatro, performance, cinema, artes plásticas e visuais e em fotografia. SUMMA-Exposição de Instalação e Vídeo, pode ser visitada até 12 de agosto, de 3ª a sábado, das 16h30 às 18h30.

Se eu mandasse acabava com o Baixa Street Fest em dois meses

Juro que tinha jurado não falar sobre isto! Por uma razão apenas: não há nada de novo para se dizer. Mas, como juras leva-as o vento e quem conta um conto pode acrescentar um ponto ou outro, não resisti a deixar uma nota, apenas uma breve nota, sobre o Baixa Street Fest.

Não gosto! E ai de mim se ficasse por aqui. Porque o que realmente não gosto é do tamanho do calendário que permite à cidade de Faro transbordar tantas emoções nas noites de sexta. Era bom que fosse o verão todo, mas como de um ano para o outro a iniciativa pulou de um, para dois meses, pode ser que nas próximas estações… Três meses era o ideal. Para o calor não vir em vão.BAIXA 3

Do que eu gosto realmente é de ver tanta gente junta na mesma rua. Os apontamentos musicais, os espetáculos circenses e até mesmo os momentos de diversão espontânea, são pérolas insubstituíveis na animação noturna. Depois temos as lojas abertas até às tantas, com uma atraente redução de preços e os restaurantes da baixa a oferecerem-nos propostas mais do que tentadoras, que nos levam a irremediáveis estragos, próprios do fim de semana. E tudo isto é importante. Mas do que eu realmente mais gosto é de ver tanta gente lado a lado, unida numa tão desafetada intenção: aproveitar a oportunidade de agarrar a alegria e aliviar o outro lado menos leve da vida.BAIXA 1

Se para espevitar uma cidade que durante tanto tempo andou tão cabisbaixa é preciso reinventar a ‘baixa’, mais vale que assim seja. Porque quando se trata de revitalizar economias e o espírito participativo, qualquer pretexto despido de maus propósitos é, na minha opinião, muito válido.

Aceito quem está contra a ideia ao abrigo de preceitos políticos. Ou quem se sustenta no argumento de ser este mais um plano ilusório de quem quer ser feliz e que a vida não pode ser sempre festa. Pois não pode! Por isso é que só acontece uma vez por semana, durante dois magros meses do ano. E bem podiam ser três, que não nos fazia mal nenhum… Por isso hoje à noite vou passar por lá. Porque só nos sobram mais quatro sextas-feiras. Pura maldade, já que setembro é um mês tão bom…!

Fotos gentilmente cedidas pelo Baixa Street Fest

Quatro razões para ir à praia

Serão mais saudáveis as pessoas que vivem junto ao mar? A ciência garante que sim! Seguindo à risca esta premissa mundial, podemos concluir sem risco de dar lugar à insolência que nós, os algarvios verdadeiros e os ‘emprestados’, andamos todos de corpo e alma em forma.

Saber isto já seria suficiente para sustentarmos o mais pobre que fosse dos argumentos para justificarmos o vício de ir à praia. Faça verão ou inverno. Mas como às vezes gostamos de saber o porquê das coisas, podemos acrescentar um pouco de sabedoria à nossa vidinha maravilhosa passada aqui na orla do oceano.

Os benefícios da praia para a nossa saúde são inúmeros, mas quatro deles chegam para nos empurrarem para as ondas do mar o mais depressa possível. Por palavras simples, aqui fica a explicação do que acontece quando estamos em qualquer um dos dourados areais do Algarve:

1-As ondas do mar produzem íons negativos que aceleram a capacidade do nosso corpo para absorver oxigénio e estabilizar os níveis de serotonina (aquele hormónio fundamental para andarmos mais contentes). Só por isto já valia a pena…!Benefícios da praia

2– Os murmúrios do mar ativam uma parte do nosso cérebro, o córtex pré-frontal, onde estão ‘alojadas’ as nossas emoções. Daí sentirmos que o mundo nos saiu de cima dos ombros quando chegamos à praia. Porque somos invadidos por uma sensação de paz e de relaxamento, propícios à reflexão. Será por isso que vamos passear junto às ondas quando queremos pensar num assunto importante?

3– O som cadenciado do mar, mesmo quando está agitado, é um calmante natural e tem ainda um outro efeito positivo na nossa saúde física e mental: baixa os níveis de cortisol (mais um hormónio), responsável por despoletar doenças associadas ao stress. Assim sendo, funciona como uma excelente terapia de prevenção.

4– A imagem que o oceano nos oferece também contribui para o nosso bem-estar, proporcionando-nos uma sensação de segurança. Os neurocientistas explicam que este fenómeno ocorre porque os seres humanos gostam de ambientes estáveis e previsíveis. Ora bem, chegados aqui não vamos pensar em coisas ruins, do género tsunamis ou tubarões martelo (que não fazem mal a ninguém)…Vamos mas é mergulhar de olhos abertos e deixar que se roa de inveja quem não teve este privilégio de nascer junto ao MAR! E há coisa melhor?

Pedalar também serve para conhecer o Algarve inteiro

Conhecer o Algarve de uma ponta à outra é um sonho concretizável…de bicicleta. Assim à primeira vista a ideia pode parecer arrojada, mas a verdade é que já anda por aí muita gente a desbravar estradas, caminhos e trilhos entre o litoral e a serra, em cima de duas rodas.

Dizem os peritos na modalidade que esta é a melhor opção para usufruir das nossas imensas belezas naturais, conhecer caminhos e povoados antigos e chegar aos mais intrépidos lugares da região, onde raros são os que tiveram a oportunidade de pisar.

Para dar uma ajuda a quem quer levar isto a sério, a Região de Turismo do Algarve até lançou um guia de percursos cicláveis. A edição, feita em parceria com a Federação Portuguesa de Ciclismo, abrange os 16 concelhos algarvios e apresenta os passeios organizados em três zonas: este, central e oeste.

O que vem mesmo a calhar é os percursos serem apresentados por níveis de dificuldade para que todos possam participar sem ficar para trás. Entre o mais fácil e o mais exigente, pode escolher o seu percurso preferido consultando os detalhes através do QR Code (código de barras bidimensional) disponível para cada um dos trajetos, ao qual é possível aceder a partir de um dispositivo móvel.

Alguns percursos são tão acessíveis que podem ser utilizados em família. Outros, requerem experiência e uma excelente condição física. Mas todos nos abrem caminho a momentos de profundo deslumbramento. A Reserva Natural do Sapal de Castro Marim, a romântica aldeia de Cacela Velha, a Costa Vicentina, a Ria Formosa, Vilamoura, as refrescantes barragens do interior e os picos mais altos da região como a Fóia, são apenas alguns dos muitos apontamentos que pode ir registando nesta  aventura pelo Algarve inteiro… em duas rodas.

Distribuído gratuitamente o Guia dos Percursos de Ciclismo de Estrada está disponível no Portal do Turismo do Algarve em versão PDF. Agora já não tem desculpas! Percursos Cicláveis

http://www.visitalgarve.pt/pressroom.file.php?fileID=234&file=algarvepercursosciclismo_pt_v.web_5maio2017.pdf