Jantar no centro histórico de Faro é como ficar em casa

É como se decidíssemos jantar no lugar mais acolhedor da casa. Quando escolhemos qualquer um dos restaurantes aninhados entre as muralhas do centro histórico de Faro, a sensação de conforto senta-se ao nosso lado.

E não é apenas pelos ambientes servidos na meia dúzia de restaurantes simpáticos que decoram a Praça D. Afonso III e as outras ruas de calçada onde se guardam longos séculos de muitas vidas. É particularmente pela envolvência desta zona urbana que, durante tanto tempo, ignorou o seu próprio valor patrimonial e histórico.

Se hoje é um dos mais interessantes cartões-de-visita da cidade, deve-se muito especialmente aos investimentos feitos pela restauração, numa tentativa de angariar atrativos para uma capital de distrito que andou tão carente de orgulho.

As ementas elaboradas e o cuidado na sua apresentação fazem a grande diferença neste romântico cantinho de Faro, onde grande parte dos restaurantes prima pela qualidade e uma cozinha inovadora, sempre condimentada com as ricas tradições gastronómicas da região e do País.

É certo que os turistas são os principais ‘clientes’ do centro histórico, mas já são muitos os habitantes de Faro que começaram a participar em momentos de tertúlia, a aventurar-se pela vila adentro e a passearem-se na cidade velha, onde fazem gosto de saborear umas tapas e visitar o castelo. E por aí afora…

A verdade é que no fim de uma boa refeição, percebemos que, neste lugar com tanto tempo, quando aqui estamos esquecemo-nos dele… do tempo. É preciso que alguém nos ponha na rua para nos lembrarmos de sair. E já a noite pode ir longa…

Foto de TusDestinos

Cães do Algarve querem brincar em segurança

A pedido da Súrya hoje venho falar sobre os nossos amigos de quatro patas. Para reclamar da falta de vontade e de responsabilidade política na maioria das nossas cidades em relação ao bem-estar animal.

Deixando de lado a questão dos hospitais públicos, que será tema para uma próxima oportunidade, debruço-me hoje sobre a falta de espaços dedicados aos nossos companheiros para poderem brincar, correr e socializar em segurança.

E parece que o investimento não é assim tão grande a ter em conta a arrojada decisão da Câmara Municipal de Olhão, que lançou o primeiro Parque Canino (Dog Park) do Algarve. O projeto custou 69 mil euros e foi feito a pensar no futuro: a realização de campanhas de adoção, sempre bem-vindas face ao elevado número de patudos a precisarem de uma família a sério.

Era bom que os outros 15 municípios do Algarve seguissem este exemplo, já que espaços onde os nossos animais possam brincar em liberdade, sem incomodar terceiros e sem riscos para eles próprios, são raros e os que existem resultam normalmente da iniciativa privada.

Para mim esta não é uma questão de somenos importância. Os cães existem, pagam registo e licenciamento para cá estarem e por isso merecem usufruir dos seus direitos. Contemplados na lei, não esqueçamos.

Comecei este artigo a falar da Súrya. Primeiro: é a minha cadela. Segundo: foi a seu pedido sim, porque sobretudo nesta altura do ano, todos os espaços (im)prováveis como as praias, estão interditos. Acreditem ou não, ela anda triste e a reclamar pela falta de exercício em condições de segurança.

Quem tem culpa de gostar de animais?

Caminhar no Ludo: a moda que se tornou viral

Tornou-se moda e é uma moda boa. Caminhar faz bem à saúde, porque melhora as funções do corpo e estabiliza as nossas emoções. E que melhor lugar do que o Algarve para pormos em marcha esta simpática atividade, que ainda por cima nos permite descobrir os mais belos recantos escondidos na natureza?

Percursos organizados ou mais espontâneos vão proliferando um pouco por toda a região. Para ilustrar esta nova tendência para um estilo de vida mais saudável e ativo, escolhi um dos mais emblemáticos. Aquele que já se tornou num caso viral na capital algarvia: as caminhadas no Ludo.

LUDO 2_1De manhã muito cedinho até aos momentos em que o pôr-do-sol nos oferece fantásticos cenários sobre a Ria Formosa, é um corrupio de gente de todas as idades e formas. À parte ter-se tornado numa espécie de passarela para muitos aficionados das marcas conceituadas exibirem os últimos modelitos vocacionados para este novo universo desportivo, os percursos no Ludo concorrem com forte vantagem sobre os restantes.

A beleza das paisagens que rodeiam os diversos trilhos é o que mais impressiona, sobretudo onde as águas da ria nos trazem aquela sensação de apaziguamento que todos esperam encontrar aqui.LUDO 4_1

Classificada como uma das 7 Maravilhas de Portugal, este pedacinho de terra desdobra-se em múltiplos encantos naturais. Com uma flora sui generis e uma fauna que só peca pela diversidade e faz dele um dos locais privilegiados para os amantes de birdwatching, esta zona protegida ali na fronteira entre Faro e Loulé é, sem dúvida, o melhor lugar do mundo para caminhar a respirar ar puro.

Convencid@? Então mexa-se, vá experimentar mas não se esqueça do essencial: respeite a natureza!

*Fotos de Paula Cavaco

 

O famoso Pastel que adoça Faro

Pastel de FaroPaulo é daquelas pessoas que acreditam nas próprias ideias. Por isso nunca desistiu de fazer de uma das suas, o símbolo da cidade onde nasceu. Embora durante alguns anos a aguardar pelo momento certo, o ‘Pastel de Faro’ atingiu o ponto de rebuçado em Janeiro deste ano e já entrou na vida dos mais e dos menos gulosos. Isto porque apresenta-se em dois tamanhos.

Feito de massa folhada, enfeita-se com as cores de Faro em pequenos riscos de chocolate preto e branco, que nos desafiam a descobrir o que vem depois. Sem revelar o sempre precioso segredo do chefe pasteleiro, podemos desvendar um pouco deste bolinho que vai deixando o vício em muito boa gente. E não só na capital algarvia. São largas as centenas que já ultrapassaram as fronteiras da cidade, da região e do País, para adoçarem muitas bocas pelo resto do Mundo.

Por cá, é mais fácil. Basta passar pela rua do Alportel e parar à porta do número 50 B. O espaço da pastelaria é muito atraente mas é do outro lado da rua que nos chega o cheirinho do ‘Pastel de Faro’. Na fábrica da Confeitaria Alengarve, uma das mais antigas a sul de Portugal (criada no início dos Anos 70), é onde Paulo Madeira guarda a receita do já famoso doce regional.

paulo“Decidi criar alguma coisa que não existisse numa cidade que, sendo a capital do distrito, lhe falta tanta coisa. No início a ideia foi desvalorizada, mas nunca desisti e acabei por ter reunidas as condições para concretizar o projeto”, refere o autor.

Como qualquer boa ideia, a receita do ‘Pastel de Faro’ tem patente registada e a venda é exclusiva da Confeitaria Alengarve, por isso não adianta andar por aí à sua procura. E não, não me esqueci… Desvende-se o mistério: por baixo dos riscos de chocolate preto e branco, deixamo-nos embalar por um delicioso creme de amêndoas, ornamentado a caramelo e fios de ovos. Hoje não é um bom dia para ficarmos presos a dietas…

 

Mercadinhos tradicionais: onde se compra tudo mais barato

São pequenos oásis nas cidades já pouco habituadas aos tons da natureza. Percorrer as bancas arrumadinhas com os aromas e as cores de produtos fresquinhos vindos diretamente do campo tornou-se uma saudável rotina nas manhãs de fim-de-semana, um pouco por todo o Algarve.

Para a gente urbana é uma oportunidade para comprar produtos de qualidade a preços mais baixos. Para os pequenos agricultores, uma excelente forma de rentabilizarem hortas domésticas e projetos de menor dimensão sem espaço nos grandes circuitos comerciais.

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Aliadas as duas conveniências, o que temos são verdadeiras telas rurais que se plantam uma vez uma semana nos largos principais das nossas vilas e cidades, para nos oferecerem ambientes descontraídos onde o ar cheira bem.

Desta vez fui ao de Faro. Decorre todos os domingos de manhã, no Largo do Carmo, e é ponto de encontro obrigatório para quem não tem vergonha de fazer parte de um certo espírito revivalista. Eu gostei e comprei!

Saudade, saudade…é comer em português

Primeiro temos uma janela com cheiro a manjerico. Depois uma porta que se abre para uma casa portuguesa cheia de outros cheiros e sabores que nos mergulham em carinhosas recordações. Tudo a transbordar de sentimento. Muito português aliás, por estar todo ele concentrado numa única palavra: Saudade.

É de ‘saudade’ e em ‘português’ que vos quero falar hoje. E há tanto para dizer. Podia começar pelas Catarinas, mas vou deixá-las para o fim. Assim, comecemos pela janela por onde nos apetece espreitar mal entramos na rua Filipe Alistão.

Debruçados no parapeito deixamo-nos surpreender por um cenário luminoso, muito arejado e arranjado. Recuar agora? Nem pensar! Vamos mas é entrar no nº 43, para uma verdadeira incursão pelo que há de mais genuíno em matéria de gastronomia e de ambiente na capital algarvia.

Saudade10A acompanhar a imensa diversidade de produtos nacionais, o Saudade em Português oferece várias opções, todas elas irresistíveis e com um toque de terrível inovação: cafetaria a partir das oito da manhã, quando o cheio a café invade a rua; mercearia gourmet com produtos da região e do País, que também sustentam a cozinha do restaurante; petiscaria mais lá para a noitinha. É nesta que nos sentamos, desta vez, para vos apresentar um menu de degustação que nos arregala os olhos. Depois de saborear o xarém de ostras, as endívias recheadas com sapateira, as tibornas ou os croquetes de alheira, entre outros, voltamos a encher a boca mas agora para enaltecer a criatividade do Chef Bruno Amaro.

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E nisto sentimo-nos em casa. Também por causa dos recantos acolhedores como a pequenina sala docemente iluminada pelo aquário de água salgada, a dupla de sofás coloridos junto à tal janela onde podemos saborear um branco fresquinho, ou a mesa junto à máquina da ‘singer’ que faz parte de uma decoração feita de afagos, sentidos nas rendas que abraçam jarrinhas de flores e nas prateleiras onde desfilam deliciosas tradições como as compotas, o mel, os licores… Não podemos sair sem vos falar dos menus de almoço. A 7,90€, variam ao sabor das estações do ano e propõem-nos sempre entrada, prato de carne ou peixe, bebida, sobremesa e digestivo.  

SaudadeEsperem, ainda não vos falei delas: Catarina Evaristo e Catarina Estevens. Ambas possuídas por um espírito empreendedor que ameaça não ter fim e que as trouxe até Faro para criarem um conceito fora de série e do vulgar. Foi por orgulho que se rodearam de tudo o que fala, sabe e nos faz sentir Portugal, para nos deixarem nesta saudade.

E a música. Podia lá não falar da música, sempre presente, sempre terna, sempre portuguesa! Se acabasse este texto a cantar “esta é uma casa portuguesa, com certeza”, seria um bocadinho vulgar. Por isso não acabo! Mas…não duvidem, esta é mesmo uma casa portuguesa. Já está!

Vamos lá viver o verão com cabelos como deve ser

Todos os anos é a mesma coisa: mergulhar no mar é das experiências mais incríveis que o verão nos proporciona, mas dá-nos cabo dos cabelos. Este é um dado irrefutável.

A pensar nos amantes da praia, deixo hoje três receitas muito práticas à base de produtos naturais que, para além do baixo custo, oferecem outras vantagens: não prejudicam o ambiente, não são nocivos para a saúde e favorecem a beleza dos cabelos longos e curtos, deixando-os hidratados e nutridos.

Primeiro para os nadadores. Champô de azeite e amêndoas:amendoas

  • ½ litro de água
  • 120 gramas de raspa de sabonete de azeite de oliva (é fácil encontrar nas lojas de produtos naturais)
  • ¼ de chávena de café de óleo de amêndoas

Depois de ferver a água, despeje-a sobre as raspas do sabonete e mexa até que este se dissolva. Junte o óleo de amêndoas. Aplique a mistura morna sobre os cabelos e aguarde dois minutos até enxaguar.

Agora para os cabelos danificados e quebradiços. Champô de coco:coco

  • ¼ de chávena de leite de coco
  • 1/3 de chávena de champô infantil (neutro)
  • 1 colher de sopa de óleo de amêndoas

Junte os ingredientes num recipiente e agite até obter uma mistura homogénea. Aplique sobre os cabelos húmidos. Enxaguar após dois minutos.

Por último uma receita para os cabelos ressequidos pelo ação do mar e do vento. Champô de conhaque e mel:mel

  • 1 colher de sopa de mel
  • ½ copo de champô infantil (neutro)
  • 1 copinho de conhaque

Misture os ingredientes, aplique sobre os cabelos molhados em água morna e aguarde cerca de oito minutos. Enxaguar com água fria.

Agora já pode ir a banhos!

Ai se esta praia fosse minha…

Poderá haver outras menos selvagens. Há certamente outras mais atraentes, provavelmente esculpidas pelas mãos da natureza num dia de profunda iluminação. Até sei que há muitas onde o mar é como um espelho limpo, as dunas são macias como nuvens e a tranquilidade é tanta que nos incomoda em dias de menor ebriedade emocional.

O que eu não gosto é de nenhuma mais do que desta.

Eu sei que ela tem filas intermináveis de manhã até à noitinha, antes e depois da ponte, que é impossível lá chegar e de lá sair sem que nos suba o sangue à cabeça, sei que é difícil andar sem pisar alguém às vezes de propósito e que os automóveis têm prioridade até nos passeios.

É sabido que temos mais mil praias, todas muito melhores do que esta, mas por uma razão qualquer que ninguém percebe, há uns milhares de obstinados que não a trocam por nada e menos ainda por outras dotadas de cenários fulgurantes à beira-mar, que é o que mais temos de sobra por cá.

Comer um pastel de bacalhau aqui é escandalosamente caro, beber água engarrafada é um luxo interdito a quase todos e trabalhar para o bronze como qualquer pessoa civilizada é idílio só alimentado por caloiros na arte de veranear.

Ao mesmo tempo disto tudo, ela acolhe a ria num recorte com uma beleza absolutamente sobrenatural, deita um cheiro estonteante a maresia na baixa-mar, tem surfistas aloirados e pescadores a sério que moram mesmo lá, tem o pôr-do-sol sempre em cima do mar, uma barrinha versátil que gosta de mudar de lugar e o único resort privado do mundo com nome de parque de campismo que parece não incomodar ninguém, especialmente aos políticos com medo de lá entrar.

É vergonhosa esta praia. O meu vício mais embaraçoso. Mas há lá outro lugar assim, onde o verão nos devolva a infância? Ah, praia de Faro…

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Crónicas de uma escritora inconformada

Um dia deu-lhe a raiva e desatou a escrever.
Agora tinha de falar sobre a sua obra. Dos livros já publicados. Mas primeiro quero falar da raiva, porque só assim posso falar de Lina, a senhora de cabelos grisalhos, certinhos, a emoldurarem-lhe o rosto pequenino, decorado com uns olhos de menina onde guarda as memórias da avó Ana.

Uma avó especial, nascida em Messines, com quem aprendeu a ser uma contadora de estórias. Lina sonhava ser assim: ter os cinco netos sentados aos seus pés, a beberem-lhe os contos que traz da infância. Como faziam ela e o irmão nos serões em que tremiam como varas verdes, não de frio, mas pelos arrepios que essa avó lhes causava com narrativas de lobisomens e outras figuras bizarras, que na altura habitavam o interior algarvio. Todas com um pouco da verdade e outro pouco da fantasia da matriarca, que aprendeu a ler e a escrever sozinha para atravessar a vida dos habitantes da aldeia e depois as da própria família, para chegar até às nossas.

Daí a raiva. Porque ao contrário de Lina e do irmão, os netos, os seus, não lhe ligaram nenhuma. Trocaram-na pela televisão. Para ser ouvida, ela não gritou, escreveu.

Agora sim, podemos falar dos livros. São três, sem contar com o resto das letras que ainda guarda na gaveta e garante jamais irem ganhar vida com capas nem títulos.

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Assim de seguida, para conseguir ser a tempo a tal avó como devem ser as avós, Lina Vedes deu à estampa três volumes feitos com e de deliciosas memórias: ‘Pedaços d’ontem na cidade de Faro’ (2009), ‘Faro- retratos à la minuta’ (2010) e ‘Gente de Faro’ (2017). Todos feitos a partir da sua estória começada em São Brás de Alportel e transferida aos 4 anos para a capital do Algarve, onde se fez professora e construiu estas crónicas com emoções e fotos de época.

São livros de memórias, mas são sobretudo declarações de amor. Ou não confessasse a própria autora “amar Faro, com paixão doentia”.

Depois de ler cada um deles, fica-se na dúvida se escreve para se libertar das estórias, ou se as quer eternizadas. Mas há uma certeza: Lina Vedes nasceu para ser uma escritora plena de inspiração, a quem devemos uma importante herança em palavras bem desenhadas. Por ser simples a sua escrita, ficamos rendidos às gentes de Faro e à história de uma cidade que precisará sempre de gente assim. Como ela!
Pode ser que o resto das tais letras ainda ganhem capa e título…

As gémeas que se dedicam à ‘alquimia’ em Olhão

Se não fosse pela deliciosa sandes de queijo fresco, se não fosse pelos irresistíveis sumos naturais e pelos hiper energéticos detox, se não fosse pelos variadíssimos produtos regionais, ou por esta mania de ir comer a Olhão, iria sempre à Alquimia da Terra pela simpatia das irmãs Camões.

Passar por Olhão e ignorar o convite para nos sentarmos à fresca na esplanada laranja e verde, não vale a pena! É aqui que temos a oportunidade de conhecer a mais agradável loja gourmet da cidade cubista e o sorriso temperamental da Fátima a contrastar com os gestos serenos da Margarida. Ambas nascidas no mesmo dia, em Abrantes, ou não fossem gémeas.

Virada para fora e para dentro dos mercados tradicionais que, quer queiramos, quer não, fazem-nos sempre lembrar um certo passado arabesco, a Alquimia da Terra é uma lufada de ar muito clean na inquieta 5 de Outubro.

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São muito de terras algarvias os produtos à venda para consumirmos na hora, ou para levarmos para casa. Ao almoço temos de ir cedo para apanhar a quiche, mas a sandes de queijo fresco em pão escuro é das melhores que já comi na minha vida. Acompanhada por um sumo natural, claro! De frutas ou de vegetais: a grande aposta desta loja singular que nos provoca a gula pelos produtos da terra.

Quer se entre pela esplanada virada para a avenida, ou pelo mercado dos frescos, não há meia volta a dar. Os licores regionais, o mel, os saquinhos de flor de sal temperado com vinho do porto ou piri-piri, as conservas, os figos, os patês, os azeites e o medronho, a ginja, os portos, as amêndoas, as bolachinhas e os bolos secos, dão-nos a volta à cabeça. E é possível vir embora sem participar na prova de bebidas espirituosas que está disponível a qualquer hora? Não!

No meio disto tudo ainda temos as mimosas peças de olaria de Francisco Eugénio e as sacolas coloridas feitas pelas mãos de Paula Rocha, amiga da casa.

Mas não pense que chega lá e avia-se sempre à vontade. Ai de quem se atrever a pedir um sumo onde a melancia e o morango sigam juntos. Atrevi-me e fiquei com a minha ignorância posta a nu. A mim serviu-me de lição. A quem lá for, que se sirva de tudo e que tudo lhe sirva de muito bom proveito. É o meu desejo!