As (muitas) mulheres de Milai Miu despem-se na Casa do Jardim

Para mim faz mais sentido se começar por falar do ‘amor-próprio’. O vídeo performance em que Milai Miu se liberta de velhos estereótipos, despe a roupagem de mulher- modelo/mulher- vítima e solta-se para partir em direção a um caminho novo.

Assim, também é mais fácil começar, porque posso fazê-lo exatamente neste ponto crucial: o caminho novo. Para já porque, falar de Milai Miu e falar de SUMMA, a sua primeira exposição a solo, são dois exercícios tão intrinsecamente ligados que não consigo desprender-me de um para pegar no outro.

Este caminho novo, um dos muitos que já lhe pertencem há quatro décadas, começa a ganhar vida mais precisamente em e com SUMMA, quando decide revelar-se e revelar-se-nos em múltiplas facetas, todas no feminino. Na palavra roubada ao grego antigo (summa=soma) a artista encontra o espaço ideal para desmontar cada uma delas e mostrá-las num processo tão espontâneo, que atinge uma simbiose quase perfeita. Quase, porque se fosse perfeita, estaria esgotada e Milai não se esgota. Ela explica-se e explica-nos a homenagem às “muitas mulheres antigas que nela habitam”, mas também às outras.

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“Nesta minha viagem, encontro, passagem, consciencialização do feminino, apercebi-me das suas várias facetas, bem como da influência que várias mulheres amigas têm sobre mim. Por isso, sou a SUMMA de todas essas mulheres interiores e exteriores”, assume Milai que, nesta exposição, preferiu por isso não estar só, embora a quem nasce para fazer arte não reste outra condição que não essa.

No vídeo “saia rodada” surgem várias mulheres, unidas pelo ritmo (ou pelo abraço?) da dança e depois mais mulheres convidadas a definir (ou a definir-se), o conjunto de obras expostas na casa às riscas da Alameda.

Tudo interior, tudo sensações, tudo sentimentos, que se somam na versão plástica de uma artista pronta a deixar-se esculpir por um fremente desejo de transgressão. Umas vezes muito subtilmente, noutras com um despudor intenso. Mas sempre dramático.

Não vos disse? Falar de SUMMA é falar de Milai Miu. Mas este registo é apenas um ínfimo detalhe numa metamorfose que já não se contém, que não quer nem pode ficar contida. Esperamos que sim. De uma artista multifacetada espera-se tudo!

Entrem na Casa do Jardim (Jardim da Alameda), em Faro e comecem pelo ‘amor-próprio’, porque é melhor começar com um arrepio a atravessar-nos a pele.

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Milai Miu (Maria Adelaide Fonseca) nasceu nas Caldas das Taipas e reside no Algarve desde 1993, altura em que começou a trabalhar em teatro, performance, cinema, artes plásticas e visuais e em fotografia. SUMMA-Exposição de Instalação e Vídeo, pode ser visitada até 12 de agosto, de 3ª a sábado, das 16h30 às 18h30.

Se eu mandasse acabava com o Baixa Street Fest em dois meses

Juro que tinha jurado não falar sobre isto! Por uma razão apenas: não há nada de novo para se dizer. Mas, como juras leva-as o vento e quem conta um conto pode acrescentar um ponto ou outro, não resisti a deixar uma nota, apenas uma breve nota, sobre o Baixa Street Fest.

Não gosto! E ai de mim se ficasse por aqui. Porque o que realmente não gosto é do tamanho do calendário que permite à cidade de Faro transbordar tantas emoções nas noites de sexta. Era bom que fosse o verão todo, mas como de um ano para o outro a iniciativa pulou de um, para dois meses, pode ser que nas próximas estações… Três meses era o ideal. Para o calor não vir em vão.BAIXA 3

Do que eu gosto realmente é de ver tanta gente junta na mesma rua. Os apontamentos musicais, os espetáculos circenses e até mesmo os momentos de diversão espontânea, são pérolas insubstituíveis na animação noturna. Depois temos as lojas abertas até às tantas, com uma atraente redução de preços e os restaurantes da baixa a oferecerem-nos propostas mais do que tentadoras, que nos levam a irremediáveis estragos, próprios do fim de semana. E tudo isto é importante. Mas do que eu realmente mais gosto é de ver tanta gente lado a lado, unida numa tão desafetada intenção: aproveitar a oportunidade de agarrar a alegria e aliviar o outro lado menos leve da vida.BAIXA 1

Se para espevitar uma cidade que durante tanto tempo andou tão cabisbaixa é preciso reinventar a ‘baixa’, mais vale que assim seja. Porque quando se trata de revitalizar economias e o espírito participativo, qualquer pretexto despido de maus propósitos é, na minha opinião, muito válido.

Aceito quem está contra a ideia ao abrigo de preceitos políticos. Ou quem se sustenta no argumento de ser este mais um plano ilusório de quem quer ser feliz e que a vida não pode ser sempre festa. Pois não pode! Por isso é que só acontece uma vez por semana, durante dois magros meses do ano. E bem podiam ser três, que não nos fazia mal nenhum… Por isso hoje à noite vou passar por lá. Porque só nos sobram mais quatro sextas-feiras. Pura maldade, já que setembro é um mês tão bom…!

Fotos gentilmente cedidas pelo Baixa Street Fest

Quatro razões para ir à praia

Serão mais saudáveis as pessoas que vivem junto ao mar? A ciência garante que sim! Seguindo à risca esta premissa mundial, podemos concluir sem risco de dar lugar à insolência que nós, os algarvios verdadeiros e os ‘emprestados’, andamos todos de corpo e alma em forma.

Saber isto já seria suficiente para sustentarmos o mais pobre que fosse dos argumentos para justificarmos o vício de ir à praia. Faça verão ou inverno. Mas como às vezes gostamos de saber o porquê das coisas, podemos acrescentar um pouco de sabedoria à nossa vidinha maravilhosa passada aqui na orla do oceano.

Os benefícios da praia para a nossa saúde são inúmeros, mas quatro deles chegam para nos empurrarem para as ondas do mar o mais depressa possível. Por palavras simples, aqui fica a explicação do que acontece quando estamos em qualquer um dos dourados areais do Algarve:

1-As ondas do mar produzem íons negativos que aceleram a capacidade do nosso corpo para absorver oxigénio e estabilizar os níveis de serotonina (aquele hormónio fundamental para andarmos mais contentes). Só por isto já valia a pena…!Benefícios da praia

2– Os murmúrios do mar ativam uma parte do nosso cérebro, o córtex pré-frontal, onde estão ‘alojadas’ as nossas emoções. Daí sentirmos que o mundo nos saiu de cima dos ombros quando chegamos à praia. Porque somos invadidos por uma sensação de paz e de relaxamento, propícios à reflexão. Será por isso que vamos passear junto às ondas quando queremos pensar num assunto importante?

3– O som cadenciado do mar, mesmo quando está agitado, é um calmante natural e tem ainda um outro efeito positivo na nossa saúde física e mental: baixa os níveis de cortisol (mais um hormónio), responsável por despoletar doenças associadas ao stress. Assim sendo, funciona como uma excelente terapia de prevenção.

4– A imagem que o oceano nos oferece também contribui para o nosso bem-estar, proporcionando-nos uma sensação de segurança. Os neurocientistas explicam que este fenómeno ocorre porque os seres humanos gostam de ambientes estáveis e previsíveis. Ora bem, chegados aqui não vamos pensar em coisas ruins, do género tsunamis ou tubarões martelo (que não fazem mal a ninguém)…Vamos mas é mergulhar de olhos abertos e deixar que se roa de inveja quem não teve este privilégio de nascer junto ao MAR! E há coisa melhor?

Pedalar também serve para conhecer o Algarve inteiro

Conhecer o Algarve de uma ponta à outra é um sonho concretizável…de bicicleta. Assim à primeira vista a ideia pode parecer arrojada, mas a verdade é que já anda por aí muita gente a desbravar estradas, caminhos e trilhos entre o litoral e a serra, em cima de duas rodas.

Dizem os peritos na modalidade que esta é a melhor opção para usufruir das nossas imensas belezas naturais, conhecer caminhos e povoados antigos e chegar aos mais intrépidos lugares da região, onde raros são os que tiveram a oportunidade de pisar.

Para dar uma ajuda a quem quer levar isto a sério, a Região de Turismo do Algarve até lançou um guia de percursos cicláveis. A edição, feita em parceria com a Federação Portuguesa de Ciclismo, abrange os 16 concelhos algarvios e apresenta os passeios organizados em três zonas: este, central e oeste.

O que vem mesmo a calhar é os percursos serem apresentados por níveis de dificuldade para que todos possam participar sem ficar para trás. Entre o mais fácil e o mais exigente, pode escolher o seu percurso preferido consultando os detalhes através do QR Code (código de barras bidimensional) disponível para cada um dos trajetos, ao qual é possível aceder a partir de um dispositivo móvel.

Alguns percursos são tão acessíveis que podem ser utilizados em família. Outros, requerem experiência e uma excelente condição física. Mas todos nos abrem caminho a momentos de profundo deslumbramento. A Reserva Natural do Sapal de Castro Marim, a romântica aldeia de Cacela Velha, a Costa Vicentina, a Ria Formosa, Vilamoura, as refrescantes barragens do interior e os picos mais altos da região como a Fóia, são apenas alguns dos muitos apontamentos que pode ir registando nesta  aventura pelo Algarve inteiro… em duas rodas.

Distribuído gratuitamente o Guia dos Percursos de Ciclismo de Estrada está disponível no Portal do Turismo do Algarve em versão PDF. Agora já não tem desculpas! Percursos Cicláveis

http://www.visitalgarve.pt/pressroom.file.php?fileID=234&file=algarvepercursosciclismo_pt_v.web_5maio2017.pdf

Provar antes de comprar conservas portuguesas é moda em Portimão

Há muito tempo que a curiosidade me empurrava para o outro lado do vidro onde seis mesinhas quadradas me propunham um tranquilo entardecer dominado pelo mais português dos sabores portugueses. Até que na semana passada foi possível enganar o tempo para conhecer mais de perto este projeto singular com nome de mulher: Maria do Mar.

Singular porque juntou num único conceito duas formas de nos entendermos em… conservas. A venda ao público e a degustação. Ambas tão apelativas quanto as centenas de latinhas coloridas que decoram o expositor do tamanho de uma parede, para lá caberem as 330 variedades de atum, sardinha, cavala e outras especialidades capazes de nos abrir o apetite mesmo às horas em que não se come.

Com preços que variam entre os 2,90€ e os 6,50€, o menu de degustação põe-nos um pouco à deriva. Por uma razão única: querermos comer tudo numa única vez, tão grande é a vontade de nos embriagarmos com sabores tão antigos, tão intensos, tão nossos. Salva-nos a habilidade da simpatiquíssima Rosário Peixinho, para nos decidirmos por onde começar.

Se optar pelo paté de truta com vinho do porto ou a tiborna de cavala enfeitada com uma salada muito suave e aromatizada, fará uma ótima escolha. Mas o mais certo é ter de lá voltar porque quase todas as propostas do menu apresentam a opção picante. E já sabe que pode saborear no local ou levar para casa. Ou as duas coisas, porque qualquer um destes petisquinhos são tão práticos e generosos que nos servem de refeição.loja_1

A ideia ganhou espaço na Rua Direita, em Portimão, pela inspiração de dois homens que partilham um nome e o gosto pelas conservas portuguesas. Em cinco anos Pedro Franco e Pedro Estorninho fizeram com que a Maria do Mar caísse no goto de muita gente. Os turistas já procuram a casa, mas os clientes habituais são residentes e visitantes nacionais, rendidos à mítica iguaria que continua a alimentar a cultura portuguesa. Sobretudo desde que passou a ser reconhecida como produto de elevado valor nutricional, com lugar reservado na dieta mediterrânica. Daí a conquistar o estatuto gourmet foi um passo, mas um passo importante, por trazer nova vida ao mercado e a muitas marcas de prestígio que se apuram cada vez mais em novas variedades de sabores.lata

Satisfeita uma curiosidade, faltava outra, tão original quanto a primeira. O nome do nº 89 da Rua Direita é inspirado no filme do cineasta Leitão de Barros (1930), considerado um dos mais importantes na história do cinema nacional: Maria do Mar.

Que inveja dos ‘mosses’ que comem em Olhão

Confesso que não sei quando se começou a gostar de Olhão. E muito particularmente quando é que os farenses deram tréguas à velha e quase tribal rivalidade entre as duas cidades para, como os outros, se renderem aos encantos da cidade cubista. Sobretudo aos gastronómicos.

Quem quer comer bem, sabe que pode e deve ir a Olhão. Como a maioria não desilude no serviço nem na qualidade da comida, difícil é escolher o restaurante. Exceto ao almoço de domingo. Nesse dia é o restaurante que nos escolhe a nós. Se tivermos sorte.

A romaria começa numa e acaba na outra ponta da avenida 5 de Outubro. No ‘dia das famílias’, como é conhecido o domingo em Olhão, ir sem avisar pode custar um bocadinho mais caro: ficar sem almoço, ou acabar de comer lá para as cinco da tarde.

Durante o verão não é necessário que chegue o sétimo dia da semana para vivermos também a experiência interessante de andar pela baixa da cidade com a sensação de termos viajado para fora do nosso País. É que, se já são muitos os nacionais a reconhecer a qualidade da gastronomia olhanense, são tantos ou mais os estrangeiros que nos roubam os lugares no estacionamento e à mesa. Os espanhóis andam quase sempre em força, mas franceses e ingleses já têm lugar cativo na cidade, talvez induzidos pelo chef internacional Jamie Oliver ao ‘galardoar’, com rasgados elogios, os restaurantes locais na sua revista jamiemagazine.

Sem título

Num destes domingos, passei por lá sem avisar ninguém… Já a fome me mandava ir para casa quando consegui um lugarzinho para almoçar perto das quatro da tarde. E ainda tive de esperar mais um bocadinho até à primeira garfada para não gorar o encantamento do grupo de caravanistas franceses que tentava devorar com os olhos a minha espetada de lulas. Já todos de barriga cheia (lá está, eles são sempre os primeiros a chegar…), iam-me fazendo desmaiar pela vontade de perpetuarem o delicioso momento em intermináveis ”Oh, très joli…, très joli…très joli…!”

Pois bem, bonitos e… fresquinhos. Peixe, marisco e tudo aquilo que é possível saltar do mar para o prato, aconselha-se vivamente em Olhão. Já sabe, com reserva ao domingo, para poder dar-se ao luxo de apreciar sem pressa um bom prato típico olhanense e depois regalar-se com a vista maravilhosa da Ria Formosa, que dizem ter esta cidade no coração.

Fotos de Ana Passos

Silêncio, que estou a meditar!

É provável que já se tenha imaginado muito confortavelmente sentado no chão, com as pernas cruzadas e as costas direitas, naqueles momentos em que parece ter reunido coragem para começar a meditar. Mas…. esta posição não é nada cómoda para quem nunca a experimentou e nos primeiros dias o mais que pode acontecer é sentir o corpo a reclamar. De meditação…nem sinal. Não desanime ainda. Meditar é possível!

Primeiro temos de considerar um facto importante: meditar exige uma mente cem por cento consciente e zero por cento pensante, pelo que há algum trabalho a fazer antes de conseguir chegar lá. O segredo é começar por uma prática holística, que lhe permita reconquistar o pleno equilíbrio entre corpo, mente e emoções. Assim, sim. Estará preparado para alcançar resultados, embora até atingir o tal estado de mente zero por cento pensante, sejam necessários muitos meses de prática diária. Mas compensa, perante os benefícios que vêm depois. Um deles é o permanente estado de serenidade que nos ajuda a gerir, por exemplo, momentos mais difíceis.

Como temos de começar sempre por um pequeno gesto ou decisão, fica um conselho: Pratique Yoga e opte por uma alimentação saudável. Depois comece por fazer em casa, diariamente, este exercício:

Sri-Yantra-Mandala_art– Sente-se no chão, de pernas cruzadas, num ambiente calmo e silencioso. Relaxe e coloque as mãos sobre os joelhos unindo as pontas dos dedos  indicador e polegar. Utilize uma vela ou um yantra (mandala) e concentre-se nesse símbolo durante alguns minutos respirando calmamente (de preferência, uma respiração abdominal). Deixe os pensamentos fluírem sem ficar preso a nenhum deles. Alguns minutos depois feche os olhos tentando reter a imagem da vela (ou yantra) no ponto entre as sobrancelhas (Ajña Chakra). Permaneça neste ‘estado’ até se sentir bem assim.

Aos poucos vai dominando o primeiro dos primeiros requisitos para meditar: a abstração dos sentidos. Daqui até à concentração contínua (segunda etapa) ainda vai demorar uns tempos. Mas para quem quer adotar para a sua vida esta prática ancestral sabe que conhecimento e sabedoria exigem dedicação e tempo.

E mais uma nota importante: a meditação é uma prática muito pessoal e não necessita de guias. Há que levar a sério esta questão, perante as muitas ilusões criadas à custa da meditação.

Onde é que eu tinha a cabeça para ir ao campo?

Eu sei que esta mania de ir para o campo em tempo de verão não cabe na cabeça de ninguém. Mas ele há coisas… Apesar de cedermos ao fascínio da praia como refresco mais próprio para pele e espírito num dia escaldante, a verdade é esta: há sempre lugar a um capítulo menos feliz na vida de qualquer um. Eu disse infeliz?

Oh, não! Estamos a meio da semana, aceitem por favor o bom humor… Porque entrar neste templo da natureza leva-nos a tudo menos à tristeza, provoca-nos tudo menos arrependimento e proporciona-nos tudo aquilo que jamais encontraremos à beira-mar. A Fonte da Benémola é dos locais mais encantadores do Algarve.

Para aproveitar ao máximo este verdadeiro monumento natural, faça-se ao caminho pelo percurso pedestre apresentado à entrada da área protegida, que abrange 390 hectares de envolvente beleza.

São 1500 metros a andar para viver um dia magnífico sob o ‘risco’ de travar conhecimento com bichinhos tão raros e amorosos como a lontra, o animal mais emblemático da Fonte da Benémola, verdadeiro santuário para inúmeras outras espécies exclusivas do barrocal algarvio.

 Aproveite o perfume do alecrim, do tomilho, do zimbro, do rosmaninho e das estevas mas resista à tentação de colher alguma das lindíssimas flores que vão ornamentando o seu passeio. A flora aqui também é única e por isso mesmo merece ser preservada. E amada! image

Se tiver de usar algum dos recursos oferecidos pelo local, escolha a água fresca da ribeira da Menalva, que atravessa uma paisagem a pulsar de vida selvagem para fazer deste sítio qualificado no concelho de Loulé, um dos mais ricos do País em matéria de ecossistemas geológico e paisagístico. Relaxe junto às lavadas ou aos açudes, os pontos mais refrescantes para um dia de calor.

Com fome e sede? Então suba à aldeia de Querença e respire a tranquilidade que nos recebe no Largo da Igreja. Mas não se esqueça: é aqui que podemos perder um bocadinho o juízo se resolvermos gozar a cozinha tradicional… Galinha cerejada, xarém, licores, mel…Eu avisei!

O homem que se faz ao mar…

Escrever sobre os amigos é difícil. Quem já passou por ‘isto’ sabe como é penoso evitarmos as palavras que nos atraem por serem aquelas que mais… nos traem. Por isso decidi fingir que João e eu não somos amigos. ‘Apenas’ o fotógrafo que expõe este mês no Mal Dito Algarve.

Em todo o caso, fosse não eu, mas o mar a contar esta estória, e ela sairia muito mais bela e inspirada. É que, por muitas voltas que se tente dar às voltas que o João dá à vida, o mar lá está, a servir quase sempre de horizonte.

Foi aliás por ele (o mar), que João Tata Regala chegou ao Algarve. Para estudar Biologia Marinha e Pescas na universidade e “construir-se como pessoa”. Numa altura em que já o oceano lhe ouvia confidências. É sua, esta também:

“A minha ligação ao mar é antiga. Aprendi a nadar só aos 14 anos e no entanto vejo-o como confidente. O mar representa, para mim, muito mais do que profissão. Nele residem um conjunto de ambiguidades filosoficamente interessantes. É onde todos os sentidos se encontram estimulados, a cadência das ondas induz à meditação, a aparente monotonia da paisagem me traz a sensação de aventura… Interior? Exterior? Qual das duas a mais profunda…”

Questão tão profunda quanto os oceanos que cruza há já duas décadas, embarcado em navios de grande porte. Vertente que ainda não esgotou, pela vontade de chegar sempre ao âmago das experiências que chama para si. O apelo, assume, são as embarcações industriais e à vela porque se revelam “no paradoxo de ambientes humanamente frios e extenuantes, por contraponto a momentos românticos de lazer disciplinado”.Ta foto

E é assim, neste incessante mergulho nas essências que o constroem, que Tata Regala se envolve com a fotografia. Encarada como forma de expressão artística para se relacionar com o mundo, esta é uma arte abandonada como profissão porque quis atribuir-lhe papel de catarse. Tata fotografa para auscultar o mundo e as pessoas enquanto espelhos de si próprio, já que se vê com maior lucidez através das rugas da pele alheia.

Não que se considere retratista. Confrontado por ser mais “foto-artista plástico” do que fotógrafo, sente-se confortável nessa condição e serve-se dela para procurar um género que o defina. Embora de antemão certos ensaios fotográficos se revelem em imagens que falam no seu todo. Ou não! Porque a verdade é que permanece num estado de paixão por muitas composições do passado.

“Creio que estes projetos continuam presentes porque sinto-os incompletos. A motivação de cada projecto é alguma inquietação e estas inquietações persistem amadurecidas à luz dos ditos trabalhos. Projectos como ‘7 décadas up’, ‘Rotinas da Morte’ e ‘Descortinar’, marcaram-me de sobremaneira. São muito maiores do que eu…”

Maiores até do que o teu sonho, não é Tata Regala? Porque, perto poderá estar o espaço onde irás “modelar a luz a convite das emoções” de quem fotografas. Este é um sonho bonito, amigo!

Vender velharias: uma experiência muito ‘trendy’

O encanto pode já não ser o mesmo. Provavelmente porque não enterramos os pés na lama nem engolimos pó a saber a mofo. Mas as feiras de velharias ainda conseguem transportar-nos para um mundo de infindáveis fantasias, sobretudo quando nos encontramos com peças que já não víamos há mais de 20 anos. Lembrar a infância nunca fez mal a ninguém e aqui podemos aceitar, sem resistência, o desafio para visitarmos as nossas recordações mais antigas.

São muitas, variadas, e embora algumas já fujam ao verdadeiro conceito que as levou para a rua, ocupam o calendário nos 12 meses do ano. Ser vendedor ambulante ou de ocasião deixou, aliás, de ser sinónimo de estrato social menor, para passar a ser uma experiência muito trendy, que atrai especialmente quem quer limpar a casa e a vida dos excessos já desprovidos de valor emocional. Porque valor comercial…bem, há sempre quem o encontre na maioria das nossas bugigangas, sobretudo se roçarem o estilo vintage, agora muito apreciado na esfera das elites culturais.

Aos sábados e domingos, de uma ponta à outra do Algarve, tem muito por onde escolher. Para comprar, ou para vender! Em qualquer dos casos é sempre divertido. Por isso aproveite e se puder ganhe uns trocos!