Se este presidente estivesse à venda muitos países o comprariam

Marcelo passa férias na região mais marcada pelos incêndios de 2017. Umas férias solitárias se sozinho se pode estar, quando se é Marcelo. Aliás, nem há prova que nos faça crer ser intenção do Presidente da República (PR) andar sozinho por estes dias. Não só o acompanha uma comitiva de flashes e microfones, como o próprio desafiou os principais dirigentes políticos a pactuarem nesta oportuna campanha solidária no centro do País.

Sem desdenhar o espírito altruísta do PR, admito ter algumas dúvidas quanto a esta quase missão de Estado. Tanto em relação a Marcelo, como às figuras atingidas pelo repto. Sobre o que me perturba relativamente aos tais líderes -a maioria com assento parlamentar, consegui equacionar várias hipóteses para terem assobiado para o lado enquanto se punham ao fresco noutras zonas do País mas, porque estas são razões recorrentes na atuação dos nossos alegres deputados, falarei delas noutra oportunidade.

Importante é que Marcelo Rebelo de Sousa anda a banhos no interior e como lhe é hábito despiu-se. De roupas, mas não só. Ao contrário de Mário Soares (o outro pê erre a quem vi a barriga), seja longe ou perto do povo, este chefe de Estado nunca põe coroa e usa mais a cabeça para proveito do que tem lá dentro. Dá a impressão que toda a vida do homem é feita a partir de um software de marketing muito bem elaborado e extremamente eficaz. E no seu atual papel esta é, claro, uma ótima estratégia. Com resultados tão bons, que dá vontade de pensar: se este presidente estivesse à venda, muitos seriam os países interessados na compra.

É portanto esta a minha dúvida quanto a Marcelo, que já antes usou o tema ‘incêndios’ para ameaçar voltar costas a Belém. Estará ele assim tão despido de propostas, que não sejam só as de influenciar a economia local? É que estes mergulhos em água doce parecem mais uma achega à bem estruturada (embora por vezes insólita), campanha de charme com que o PR já anima a agenda para 2021! Às tantas, consegue ser as duas coisas. Porque Marcelo, antes de ser Presidente, já era Marcelo. O professor Marcelo.

Dia Mundial da Criança: As verdadeiras e as outras

Diz-se que há um tempo de ser-se criança. Não creio!

Falemos então de crianças. As verdadeiras e as outras.

Primeiro as primeiras. As que, unanimemente afirmamos, enquanto se é, é a melhor coisa do mundo. Julgo que também para o mundo. Porque são a nossa esperança.

São de uma matéria ainda pura, feita de amor incondicional e fazem-nos crescer em ternura e em vontade de melhorar tudo à nossa e à volta delas. Fazem-nos sobretudo acreditar que isso é possível e, porque acreditamos, conseguimos de facto melhorar muito do que está menos bem feito, destruir o que ameaça destruir-nos e construir de novo o que pode tornar mais belos os dias. Os delas, os nossos e os dos outros.

São o que de melhor existe no mundo, as crianças.

E depois as outras. Aquelas que não perderam o jeito de sorrir com as duas orelhas coladas aos cantos da boca. As que ainda acreditam no poder desse sorriso e por vezes deixam cair sem pudor uma gargalhada no meio de um silêncio feito de adultos. As que, em momentos inusitados, fecham os olhos fingindo cansaço, para poderem sonhar, sem dormir. Como se tivessem idade para isso. As que se deixam ficar paradas à chuva, indiferentes ao tamanho e a repreensões veladas, apenas porque existe um arco-íris no céu a pedir para ser visto.

Estas outras são menos. Mas não são poucas. Vivem quase sempre mais perto das primeiras. E o mais certo, é que nunca deixem de ser assim.

Hoje, Dia Mundial da Criança, o meu mais sincero afeto vai para as primeiras. Para quem desejo o mundo melhor que possa existir. Porque deverá ser sempre delas o que de melhor houver para dar.

Às outras deixo apenas duas orelhas coladas aos cantos da boca. O resto fica-nos em segredo!

O dia em que o Natal escapou ao Android

A velha é tão velha que já mal pode andar. Por isso passa os dias sentada no terraço das traseiras, com o tablet no colo, a navegar na Net. Durante o verão usa um toldo para se proteger do sol nascente que lhe fere os olhos quando acerta nas paredes brancas da casa, mas agora estamos no inverno, o calor está mais mansinho e sabe-lhe bem senti-lo a chegar aos ossos.

Para que se saiba, a velha é poeta. Não frequenta à toa as redes sociais. Escreve estórias, faz versos e quadras que raramente rimam porque despreza a poesia popular e cria frases filosóficas para serem partilhadas pelas centenas de seguidores com quem convive virtualmente no Facebook. A sua página no Instagram está carregada de imagens sem qualquer inquietação artística, favorecidas por uma imaginação feraz e a imperícia no uso da câmara comprada pela Internet. Também não raras são as vezes em que opina, sublevando com classe intelectual muitas discussões que agitam a atualidade no Twitter. E nos dias em que acorda servida pela inspiração, envia mensagens amparadas em belas prosas e voz melodiosa aos amigos no WatsApp. Mas quando lhe apetece estar sozinha, tira o e-book do bolso e lê, até que a luz fuja para trás do horizonte e as sombras lhe comecem a gritar por um agasalho.

Esta velha, de uns suaves olhos azuis ligeiramente aprofundados pela idade, vive numa casa nas margens da cidade, com as janelas viradas para uma serra e diz-se feliz. Mas hoje acordou inquieta, o que não lhe é vulgar, e ficou algum tempo de pé, de costas para a porta, a olhar para dentro da casa. Nota-lhe primeiro o silêncio…(Ler todo…)

Dá vontade de alimentar ideias assim

No próximo fim-de-semana, o Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) realiza mais uma campanha de angariação de alimentos destinados aos mais pobres. A quem designamos por ‘os mais desfavorecidos’, para ser mais fácil piscar o olho à realidade.

No nosso País – independentemente da forma como pretendam disfarçá-la, a pobreza ocupa uma franja preocupante e por isso as campanhas do BACF estão, para mim, entre as iniciativas mais louváveis em prol de uma causa que devia causar impressão a toda a gente.

Podia enumerar uma série de razões para pactuar com as campanhas do BACF. Deixo apenas uma nota, por ser aquela que me faz participar todos os anos na doação de alimentos.

É que, goste-se ou não de Isabel Jonet, ela tem conseguido manter-se imune às habituais contaminações que cobiçam este género de projetos. Aquelas que, à sombra de intenções mais oblíquas, orbitam perigosamente propósitos tão nobres como o de matar a fome a milhares de pessoas. Pessoas que não conhecemos mas que têm rosto, têm estórias de vida muitas vezes de uma verticalidade admirável e têm quase sempre também a seu cargo seres vulneráveis como as crianças e os idosos.Banco_Alimentar (1)

Há, no entanto, na minha opinião, uma mole humana a quem se deve agradecer o grande êxito do BACF. As muitas centenas, mas mesmo muitas centenas de voluntários anónimos, que trabalham em nome de um instrumento tão sublime como a solidariedade. Muitos, durante todos os dias do ano. Cidadãos comuns que de invulgar têm apenas uma dedicação invejável. No Algarve este movimento regista uma expressão tão extraordinária que já merecia ter espaço nas televisões portuguesas. Para o País perceber a verdadeira índole de quem aqui habita no inverno também.

Como se fossem possuídos de poderes sobrenaturais estes voluntários organizam-se de uma forma exemplar para conseguir recolher e distribuir, de forma ordeira e eficaz, toneladas de alimentos, sem margem para desvios ou outras fugas muito comuns nos universos das ajudas sociais. É por isso que gosto do BACF.

Por esta altura sei que muitos repisam numa velha questão: a irresponsabilidade de um Estado que atira para a sociedade civil a obrigação de alimentar os mais pobres. Quem pensa assim nunca deixará de ter razão. Mas esta é uma razão que se dilui cada vez mais no espírito de cidadania que não carece de desculpas para alastrar. Ser-se solidário está no nosso sangue e a mim, o que me apetece censurar, é a inércia de quem subscreve tiques e doutrinas para não se dar ao trabalho de participar. É mais cómodo, aceito, mas a indiferença relativamente à vida humana nunca me mereceu admiração.

Passar por uma loja e encher um saco com alimentos para o BACF não custa quase nada. Meia dúzia de passos e uns quantos euros que farão uma grande, mas mesmo muito grande diferença, nem que seja num único dia na vida de um cidadão. Que pode ser um dos nossos vizinhos, ou mesmo um familiar ou amigo.

Porque, embora teime em vestir as cores da vergonha, a pobreza não é coisa contagiosa e tem cura. Sábado e domingo, pelo menos, façamos parte desta gigantesca obra humanitária que contribui para a dignidade de um povo. O nosso!

‘Scroll’ e a ousadia de sete atores sem rede: um espetáculo que dá nervos

Fui ver ‘Scroll’, a produção com que a ArQuente tem andado a intimidar o Algarve. Ainda bem que fui desprevenida, sem saber o que se passaria em palco. Porque, embora cada apresentação de ‘Scroll’ resulte num espetáculo irrepetível, interessante na proposta dos sete atores que compõem esta performance insólita é irmos sem sabermos ao que vamos.

Não vou dizer que o espetáculo me tenha impressionado profundamente. Mas seria injusto da minha parte não confessar a forte admiração pela coragem de pessoas que se atiram para o palco sem, também elas, saberem ao certo o que está para vir. Do princípio ao fim, expõem-se ao risco e neste caso o risco é medonho. Porque depende de suportes tão frágeis como a inspiração e o estado de espírito, nem sempre permeáveis à vontade. Por sorte, cada um deles à sua maneira, pode servir-se sem freios da capacidade que revela para o improviso, mas especialmente da sensibilidade e da inteligência. Tanto as próprias como as dos outros seis. Não é fácil. Sobretudo quando a finalidade na partilha do palco é construir fios que possam enredar-se no inesperado, sem lógica, mas com efeito no público. Por isso é que temos bons momentos e outros de complexidade mais oscilante.

O encenador Gil Silva diz, no final da ‘peça’, que desta vez não há personagens mas sim pessoas em interação. O que nos leva a concluir termos estado a assistir a um ‘despimento’ (a expressão também é sua) de sete pessoas que se arriscam à frente de desconhecidos. Uma espécie de catarse, afirma. Mas é aqui que, a meu ver, o público podia ser exigente. Embora reconheça a inquestionável ousadia dos atores para enfrentarem o desafio deste jogo perigoso sem recurso a rede (neste caso, um guião), o que apetece é pedir-lhes mais. Mais vertigem. Que lhes permitisse ir ao fundo, abandonando o conforto da frivolidade, para rasgarem a pele e deixarem sair o que se percebe ser reprimível. Teríamos um resultado trágico provavelmente (ou sem dúvida), mas arrisco a pensar que valeria muitíssimo a pena.

Isto sou eu a divagar e esta é claro uma opinião influenciada ainda pela singularidade do espetáculo que, mesmo sem o grande esforço para romper a superfície, nos oferece muito do que cada um dos atores tem de mais genuíno, de mais infantil e até de mais puro. O que nos comove em certos instantes. Até porque, durante alguns dos cerca de 60 minutos, questionamo-nos até que ponto alguns deles não se vestiram já de ocultos personagens, para se libertarem de si próprios e poderem ser quem são. Mas este será, quanto a mim, um exercício que cabe ao público, sentado em círculo e por isso irremediavelmente cúmplice de uma cena que só pretende esgotar o tempo. Um público, se calhar, conivente até nos receios mal disfarçados. É que, para lá das (algumas) gargalhadas que vão reclamando aqui e ali, há uma permanente ameaçada de os atores se transformarem em espelhos dos espetadores e deixá-los assim despidos também. Até à intimidade. Não sei… Eu gostei!

Ficha Técnica- Gil Silva (Encenador), Alejandra Rodrigues, Ana Nunes, Armando Batista, Fúlvia Almeida, Henrique Prudêncio, Milai Miu, Tata Regala (Atores), Cláudio Jordão (Som), Jorge Pereira (Luzes), Teresa da Silva (Produção), Patrícia Chambino (Figurinos).

A nossa Feira já voltou à cidade

A Feira de Faro toca-nos a todos. Não há farense, nascido ou não por cá, que não sinta este assalto de emoções que se cruzam um pouco entre a ternura e a nostalgia, quando o Largo de São Francisco é invadido por uma parafernália colorida e muito ruidosa para se fazer ouvir na cidade inteira.

Bem sei que estamos todos forçados à evolução e, mais dia, menos dia, a Feira de Faro tinha de vir a ser o que é hoje. A diversão a par de um ombreado de barracas sem personalidade nenhuma, mas muito obedientes a impiedosos critérios de segurança. Não é condenável, mas é uma chatice. Não para as gerações mais novas, porque essas já não vão a tempo de guardar da nossa feira uma imagem carregada do mesmo romantismo que nos faz, a nós, falar dela com a voz um bocadinho embargada. Para quem ansiava pela chegada do mês de outubro e não se importava de enterrar os pés na lama antes de saltar para o carrossel, ou entrar num circo literalmente a rebentar pelas costuras, a questão é muito séria…

Feira 5Todos os anos vou à Feira de Santa Iria. E apesar de não ser nada saudosista, cedo sempre à insistência de umas quantas recordações que gostam de me fazer companhia logo à entrada das ruas estreitinhas, onde antigamente começávamos a encontrar as mulheres do campo a vender nozes e figos torrados em sacos de serapilheira desordenados pelo chão. Onde já nos sentíamos empurrados para a frente pela voz roufenha do leiloeiro de mantas que nos enchia os ouvidos e de uma grande vontade de ter uma assim peludinha a aquecer-nos o inverno. Porque nessa altura fazia frio e chovia durante a feira. E comprava-se ioiôs de serradura que ninguém suspeitava serem armas perigosas mascaradas de brinquedo. E o algodão doce, que era feito de uma doçura natural e tinha um tamanho maior do que a nossa cabeça, deixava-nos os lábios pintados a cor-de-rosa. E também havia multidões descoordenadas à porta dos circos e nas pistas dos carros de choque, porque ninguém sabia o que era uma fila e a educação era uma coisa espontânea. A feira era feia mas deslumbrava-nos tanto, que por nós estávamos lá todos os dias.Feira

Se gostava que a Feira ainda fosse o que era? Não! Mas só porque agora, sou eu que limpo os meus sapatos.

Hoje é o primeiro dia da Feira de Santa Iria e antes que acabe vou lá fazer o que sempre fiz: comprar um saquinho de torrão de Alicante e mordê-lo devagarinho, enquanto volto para casa a disfarçar o outro sabor -o desta parvinha saudade. Isso, ninguém me tira! E a chuva também há-de voltar…!

‘Toino Zé- O Mata Porcos’: entre sem receio porque vai querer ficar

O nome arrepia um bocadinho mas não há quem não se sinta rendido assim de imediato à sua originalidade. Depois queremos saber mais e então recuamos no tempo, à altura em que ‘O Mata Porcos’ começou a ser alcunha para dar a conhecer António Alexandre, amigo de Toino Zé, o pai de Fernando. Já falaremos de Fernando…

Mata porcosVoltemos a ‘O Mata Porcos’ e a 1955, época em que a taberna de António era ponto de encontro para quem se esfolava a trabalhar desde manhã cedo nos fumeiros e nas obras para, ao fim da tarde, procurar aconchego num copo de três e nas parcas palavras com camaradas das mesmas sortes. Mas nem todos se ficavam só pelo vinho. A atração da casa eram na verdade as bifanas do António, que matava porcos na fazenda da Bemposta e os transformava em chouriças e suculentas febras, que lhe haviam de conquistar clientela e fama inabalável. Até hoje.

Por falar em hoje, falemos então de Fernando. Fernando Conceição. Filho de Toino Zé (António José), o homem que, a 8 de abril de 1974 -já os rostos do dia 25 se perfilavam nos quartéis militares, decidiu ficar com o negócio e dar à ‘venda’ um rumo mais adequado à sociedade portuguesa que havia de começar a florescer daí a quinze dias. Celebrava a revolução dos cravos 16 anos, quando o fenómeno do turismo que começava a agitar a região, arrancou Fernando aos estudos universitários para substituir o pai num negócio que passava a exigir o domínio de línguas novas. Uma troca sem dor, a adivinhar pela alegria de Fernando, gerente de uma das mais famosas casas de pasto de Portimão.Toino Zé

Quem entra agora pelo número 22 da Rua Alexandre Herculano, encontra uma atmosfera quase liberta desse passado, que parece muito longínquo para quem dele não fez parte. E digo quase, porque a estória de ‘Toino Zé-O Mata Porcos’ estará eternamente presa ao nome que lhe fez história, razão mais que suficiente para permanecer intocável. Aqui já não são só as bifanas que fazem parte do cardápio. Quem aprecia a gastronomia regional, tem propostas irrecusáveis como arroz de polvo, lulinhas à algarvia, migas com entrecosto, peixe assado na brasa, jaquinzinhos fritos e claro, carne de porco com amêijoas. Mata porcos 1

Tudo isto sabe ainda melhor se repararmos em pormenores como o chão – um prolongamento da calçada da rua das lojas, e também uma parte das paredes forradas a xisto de Monchique, que dão à casa um ar rústico para nos abrir logo o apetite de ficar aqui. Mas o que realmente nos satisfaz é a simpatia do Fernando, homem grande com um sorriso proporcional ao seu metro e noventa, que nos convence a gostar deste ambiente familiar e caseiro. Caseiro na verdadeira acepção da palavra porque, o que sentimos quando apreciamos a forma como o Fernando recebe os clientes, é a impressão de estarmos na casa de alguém de família. E isto já é tão raro…! E continua a ser tão bom!

E lá se vão os arrepios…

 

E se ganhasses um jantar delicioso no Hotel Rural Quinta do Marco?

Sonhar com umas férias em plena harmonia com a natureza, longe do rebuliço das cidades, faz parte da fantasia de qualquer um de nós. No Hotel Rural Quinta do Marco, no coração da serra algarvia, encontramos o conforto, a tranquilidade e a qualidade de um serviço excecional, que nos fazem acreditar estarmos mesmo a viver um sonho.

Localizado em Santa Catarina da Fonte do Bispo, no concelho de Tavira, este belo hotel de quatro estrelas sobranceiro ao oceano atlântico, está aninhado nas colinas verdejantes do sotavento, num convite privilegiado ao bem-estar físico e mental. Atividades ecológicas e desportivas fazem parte das experiências oferecidas aos hóspedes, que encontram aqui o espaço ideal para repousar e retemperar energias.

Aqui tudo nos faz sentir bem. Desde o conforto dos quartos climatizados, onde despertamos para um amanhecer radioso ao som do canto melodioso dos pássaros, passando pelo ambiente acolhedor do Spa, às temperaturas amenas das piscinas, ao sossego do jardim mediterrânico e ao cenário deslumbrante que se avista do restaurante panorâmico, tudo está pensado para nos proporcionar umas férias inesquecíveis.

Quinta do Marco1Pois bem, desta vez não propomos umas férias, mas um delicioso jantar para duas pessoas. A pensar na felicidade dos leitores, o Mal Dito Algarve e o Hotel Rural Quinta do Marco decidiram proporcionar-lhes momentos de pleno prazer no restaurante panorâmico do empreendimento onde, para além de uma excelente refeição inspirada na cozinha tradicional, irão com certeza aproveitar a magnífica beleza das paisagens serranas.

Para participarem neste passatempo e se habilitarem à oferta de um jantar memorável, os leitores só têm de fazer três coisas simples:

– Seguir (fazer gosto) a página de Facebook do Hotel Quinta do Marco

– Seguir (fazer gosto) a página de Facebook do Blog Mal Dito Algarve

– Preencherem, até ao dia 9 de outubro (2ª-feira), o formulário publicado abaixo. Atenção que só é válida uma inscrição por e-mail. Os vencedores serão selecionados aleatoriamente através do RANDOM ORG e posteriormente contactos. Participem, divirtam-se e boa sorte!

*artigo em parceria com o Hotel Rural Quinta do Marco

A minha África encantada nas pinturas de São Passos

São Passos_1Ela não é uma mulher simples. Porque os seus olhos não deixam. Misteriosos, profundos, inquietos. Feitos de uma luz que nos leva para as terras quentes de África, onde se descobriu dona de um talento tão grandioso que a fez ser tudo menos uma mulher simples. Fê-la ser uma senhora do mundo. A terra-mãe está, aliás, sempre presente nas suas obras, emergindo em formas poderosas da intensidade dos traços e das cores, que nos trazem de volta os cheiros, os ritmos, a serenidade do tempo e também uma tremenda vontade de viver.

Era bom que, tendo dito isto assim, já tivesse dito tudo sobre ela. E libertava-me já desta prova de fogo: escrever sobre São Passos. Dela tenho uma primeira recordação desconcertante que guardo só para mim, no mesmo lugar onde lhe dedico um infinito respeito. Como aquele que se sente quando nos vemos perante alguém maior do que todas as coisas que já conhecemos até ali. Percebem agora como isto não é fácil?

Salva-me esta amizade cultivada à distância durante uns quase 30 anos, para poder estar hoje aqui a tentar transformar um sentimento em palavras que façam sentido. Se confessar a minha paixão pelas suas obras talvez seja um bom começo. Não consigo não gostar de alguma. Porque em todas as que conheço encontro a sensação de retornar a casa. E nunca encontrei, até hoje, nenhuma outra sensação mais doce do que esta. Será o apelo de África, aquele continente que desperta em nós um remoinho de emoções que nos levam por caminhos irreparáveis, ou porque as suas telas nos trazem para a flor da pele carinhosos afagos vindos da infância?!São Passos 4_1

Enquanto mergulho os olhos nos quadros da São Passos, pergunto-me sobre o que terá aquela cidade da Beira onde nasceu, para conseguir oferecer a algumas pessoas elementos tão sublimes como o dom para a arte. E reconheço a sorte de me ter cruzado com um génio que faz nascer das mãos, estes maravilhosos mundos onde cabem todas as nossas fantasias. O que sentirá a São quando deixa que os pincéis revelem aquilo que os seus olhos escondem?

“A pintura é o antídoto que qualquer artista necessita para esquecer o futuro incerto, que nos espreita. Quando pinto, diariamente, esqueço-me de tudo e de todos, sabendo  – modéstia à parte – que irei contribuir nacional e internacionalmente, para a felicidade de homens, mulheres e crianças, cujo idioma é diferente. Dou workshops de pintura e de artesanato a todas as faixas etárias – dentro e fora do País – e a maior parte das minhas exposições é a pensar no próximo: não custa nada ser solidária com quem precisa”.

Talvez por ser assim, foi empossada como Embaixadora para a Paz, pela Federação Internacional da Paz (março de 2012). E a legitimar a minha admiração por esta artista de coração grande, deixem-me dizer que está também referenciada na publicação ‘Aspetos das Artes Plásticas em Portugal’ (1985) e no livro ‘Arte 98’, ambos da autoria de Fernando Infante do Carmo. Para além disso, São Passos foi reconhecida pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora e pela ALDCI – Associação Lusófona, Desenvolvimento, Cultura e Integração, pelo “prestígio que granjeou nas artes plásticas e pelo seu grande contributo para o enriquecimento e divulgação da cultura moçambicana”.

Não sei falar de pintura. Por isso não saberia falar de outra forma sobre as obras de São Passos. Mas há uma coisa na qual ninguém me pode contrariar: que aqueles olhos escondem alguma coisa, lá isso escondem. Foi sempre o que mais me impressionou nela…!

‘OLHA QUE DOIS’ JUNTA SÃO PASSOS E MARQUES VALENTIM EM PORTIMÃO
São Passos 2_1Já sobra pouco tempo, mas ainda vale a pena visitar a exposição que São Passos trouxe ao Algarve, durante este mês de setembro. ‘Olha que dois’, junta a artista ao fotojornalista Marques Valentim, na Casa Manuel Teixeira Gomes, onde pode ser visitada até amanhã, das 10h às 18h. Se não for a tempo não faz mal: a São promete voltar em breve ao Algarve, onde aliás mostrou pela primeira vez as suas obras em Portugal. Foi em Faro, em julho de 1973, numa exposição individual com o patrocínio da Comissão Regional de Turismo. Muito antes disso já dera a conhecer o seu trabalho a um bocadinho do mundo: primeiro na cidade moçambicana de Tete, depois na Beira (onde nasceu em 1949), Joanesburgo e Pretória (África do Sul), Blantyre e Limbe (Malawi), até chegar à Europa. A residir em Portugal (Belas) desde 1976, São Passos expõe com frequência no nosso País e no estrangeiro. A próxima exposição é inaugurada dia 3 de outubro, no Hotel Cidadela, em Cascais, a convite do Rotary Club Cascais/Estoril.Depois é só mais um saltinho até ao resto do mundo. “Desde que comecei a pintar, sempre sonhei que os meus trabalhos fossem conhecidos nos quatro cantos do mundo, influenciando miúdos, pessoas mais velhas, e não só, com a cor, movimento e vida, que lhes dou. E não me enganei…o país que me viu nascer – Moçambique – África do Sul e antiga Rodésia, conhecem o meu traço pictórico. Expor em várias capitais mundiais, é um sonho que está cada vez mais perto.”
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Quem semeia ventos…colhe frescura numa rua de Loulé  

Há dias assim. No espaço de uma hora mudamos de decisão…umas quantas vezes.

Aconteceu-me em Loulé, onde fui propositadamente para saborear umas tapas no bar Colheita Fresca, depois de andar algum tempo a espreitar as fotos apetitosas na página do Facebook. À chegada gostei do espaço, gostei do atendimento e do rosto simpático de quem me levou a escolher mesa e trouxe a tábua mista decorada com uns apontamentos coradinhos, próprios dos tomates cherry. Sempre com um sorriso disponível!

A primeira mudança de decisão ignorou no entanto a simpatia do senhor Vieira. A lista das tapas desiludiu-me por não oferecer nada de extraordinário. Quando queremos ser surpreendidos acontece-nos isto. Ainda pensei que o problema não era do menu nem de quem o elaborou, mas inteiramente meu, por criar expetativas de ter o que ninguém me prometera. Sem grande ânimo optei pela tábua mista e uma salada de polvo e não fiquei nada mal porque, por essa altura, o pão caseiro e as azeitonas deliciosas já me tinham espevitado o apetite. Os enchidos e o queijo eram bons, o polvo estava macio e bem temperado, mas mesmo assim decidi não escrever nada porque teimei na ideia de querer viver a famosa experiência de uma explosão de sabores e coisas do género, que nos prometem muitas vezes quando a matéria é gastronomia.

Colheita Fresca

 

 

Colheita Fresca 1

À perguntam “se gostei?” enquanto pagava, não me contive e pedi licença para fazer uma ligeira sugestão: uma pequena mudança nas tapas, mais elaboradas, enfim… E recebi de troco a resposta: “Ainda hoje falei com a minha esposa e decidimos mudar o menu para petisquinhos mais propícios ao inverno”. E é aqui que o senhor Vieira e o seu sotaque nortenho me conquistam o coração. Sem dar por isso, ouço-lhe a estória que fez nascer o Colheita Fresca. Um projeto que nasceu à sorte quando, ainda em Inglaterra onde esteve emigrado mais de uma década, o senhor Vieira e a mulher apontaram, praticamente às cegas, o dedo ao anúncio de um bar para alugar e decidiram: “Vamos para aqui!”Colheita Fresca 5

Desprezando os detalhes do negócio, só em solo algarvio descobriram ser este um espaço de pouca fama e cheio de móveis quebradiços. Mas quem se especializou na aventura de emigrar desde curta idade não costuma dar-se por vencido e é assim que este homem do norte com um sorriso fácil, transformou uma velha discoteca num bar de tapas muito agradável, que vai buscar ao mercado ali próximo a frescura dos produtos genuínos para transformar a rua Dr. Joaquim Nunes Saraiva num lugar onde nos sentimos bem.

E esta foi a última vez que mudei a minha decisão. Afinal sempre escreveria… Não sobre as óbvias propostas gastronómicas, mas sobre o encanto que nos desperta quem se faz à vida sem medo para criar projetos válidos como o Colheita Fresca. Não sei se haverá uma próxima vez, mas fiquei curiosa sobre o novo menu e a francesinha que garantem ser excecional.

Outra coisa: normalmente informo os protagonistas das minhas estórias quando vou escrever sobre eles e publico-lhes a foto. Desta vez decidi não fazê-lo porque me apetece quebrar as regras e deixar isto ao sabor do destino. Como fez o senhor Vieira. Pode ser que dê sorte! Sem expetativas…!